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Frases de Klaas Kleber

60 frases

⁠Medo do medo Eu tenho medo medo do apego e da desafeição
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⁠Medo do medo Eu tenho medo medo do apego e da desafeição medo do outro e da solidão medo do sim e do não Eu tenho medo medo de ficar e de pôr-me a caminho medo da certeza e do mau êxito medo da bravura e da dor Eu tenho medo medo de que a vida seja um abismo escarpado e profundo encoberto de desilusões Eu tenho medo medo de que as belezas da terra como a essência dos sonhos não passem de mera utopia Eu tenho medo medo de que o medo por ser tão capcioso tiranize a minha existência Eu tenho medo medo do medo do medo

⁠Fênix negra Os olhos vítreos e bacentos tomaram a forma de um escudo
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⁠Fênix negra Os olhos vítreos e bacentos tomaram a forma de um escudo pupilas contraídas de morte o homem vai ser possuído Tem o rosto empalidecido, cadavérico seus pulmões empedrados assassinaram sua alma humanizada o homem vai ser possuído A criatura renasce ressurge das próprias entranhas traz a força de mil demônios

⁠Isolamento Entressonhos, desvarios virginais também existe beleza em tudo
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⁠Isolamento Entressonhos, desvarios virginais também existe beleza em tudo que é indecoroso e causa espanto Nas incertezas, nos temores e medos em tudo aquilo que apavora e que só pela imaginação se pode alcançar Escancaro as portas do meu cativeiro as janelas do meu cárcere domiciliar para que a luz do mundo possa entrar e tingir de candura a minh’alma

⁠Rir é algo que me apraz Rio-me de figuras excêntricas de comportamentos inusitados
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⁠Rir é algo que me apraz Rio-me de figuras excêntricas de comportamentos inusitados de imitações grotescas de chacota sobre acontecimentos correntes de histórias engraçadas de piadas e de caretas Rio-me de mim mesmo da minha seriedade da minha confiança em minhas certezas da minha fraqueza da minha mediocridade imaginativa dos meus erros Rio-me quando me divirto quando danço, canto e brinco numa festa, num velório, num motel em qualquer lugar Algumas vezes rio-me de tristeza, de medo de raiva e de desespero outras vezes rio-me da miséria do sofrimento e da morte Porque rir é algo que me apraz

⁠Vidas transitórias Chegará o dia em que meus olhos ofuscados pelo nevoeiro da morte
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⁠Vidas transitórias Chegará o dia em que meus olhos ofuscados pelo nevoeiro da morte já não perceberão pela vista o lacrimar dos ausentes aguardando o exalar do meu último suspiro Chegará o dia em que meu rosto regelado pelo sopro da morte já não perceberá pela tez as mãos cálidas dos ausentes aguardando a despedida da minha última existência Chegará o dia em que minha memória viverá nas lembranças fugazes na efemeridade dos sonhos dos ausentes mortais aguardando o seu tempo que também há de cessar E quando esse momento chegar eu terei desvanecido para a eternidade

⁠Adormecer Cerro os olhos e entro em estado de inércia
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⁠Adormecer Cerro os olhos e entro em estado de inércia O cansaço roubou-me o tempo dos vivos e a consciência do tempo de agora Quero distanciar-me do meu eu desperto e adormecer sobre papoulas Quero distanciar-me da existência e assombrar os meus sonhos oníricos Quero distanciar-me das minhas memórias e mergulhar no abismo do esquecimento Quero distanciar-me do grito do mundo e penetrar no vácuo do silêncio

⁠Lembranças Sou sensível às minhas lembranças do mesmo modo como sou sensível
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⁠Lembranças Sou sensível às minhas lembranças do mesmo modo como sou sensível às belezas e misérias da vida Lembranças! Jubilosas e dolentes lembranças Lembranças de momentos cuja brevidade assemelha-se à efemeridade dos amores adolescentes Lembranças de lugares de rostos, de olhares de sorrisos e de afagos Lembranças de ausências de perdas, de perigos de fome e de dor Lembranças! São tudo o que vai nos restar

⁠O tempo Digno de figurar um poema o relógio recita amiúde
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⁠O tempo Digno de figurar um poema o relógio recita amiúde o instante sem pressa do célere tempo Tic-tac, tic-tac, tic-tac repetidamente laborioso Pudesse eu, inverter o sentido destro dos ponteiros que ascendem para a finitude da fugaz existência Pudesse eu, resvalar pela espiral do tempo para o abraço carinhoso da mulher que mais me amou Pudesse eu, fazer parar o tempo o tic-tac do relógio e a dor da saudade