O Fardo
Sinto em meus ombros
O peso de quem sou
Com os olhos fechados eu posso ver
Juntos numa só palavra
Numa só verdade. Todos vamos celebrar
Olhos brilham com vontade
Choro vai embora
Cante para festejar… (Júlio Raizer)
Fogo em pele
Eu encontrei um sentido para mim
Viva e , mergulhe de cabeça
Siga para ver comigo
A garota linda e doce dançar,
A mulher que você esqueceu que era
A pessoa que esperava voltar
A vida nos trata como crianças
Paixões e amores vem
Sem saber o que aquilo significava
Não desista de se encontrar dessa vez
Doce e selvagem, faça o tempo parar
Fazer você se olhar é a missão que tenho
E em seus olhos, você guarda nossos segredos
Apenas vou…
O adeus é o silêncio
Discreto, cifrado em sinais.
O adeus sorri irônico..
apresenta-se na Ausência, dormência e demência.
O adeus soa em notas separadas,
Escreve-se tímido. Letra por letra..
O adeus é percebido…
O adeus está na falta…
Do não estar daquilo que era..
apenas uma sombra..
apenas uma sobra…
e depois, nem isso..
(Júlio Raizer)
Preocupados e descontraídos,
extrovertidos e retraídos.
Somos um no outro aquilo que vemos no outro sozinho.
A diferença, é que juntos, encontramos companhia para as loucuras.
Conheço seus detalhes e seu jeito,
Percebo suas notas pela melodia da sua respiração.
Você conhece meu jeito e minhas manias, meus medos e minhas virtudes.
Vibramos na sintonia plena de uma vida cheia de conexão.
Júlio Raizer
Adjacências
Perfume, volume. Algum momento insano.
Fique parado, não se mova.
Reprove a cortina que cobriu a porta,
É na janela que ela devia estar.
Cáucaso, o destino evidente.
Caos que causou a fúria itinerante
Vassalos do príncipe dormente
Confiados ao berço retirante
Alegoria de uma caverna vazia
Pássaros mortos em seus ninhos
Na pluma que o coração trazia
Fecharam-se livros sem vizinhos
Rio aborrecido e minguante
Curva em suas pedras a majestade
Desse ribeiro fosco sem idade
Saiu galopando o rocinante.
Odor fresco num vazio. Todo instante pensado.
Não ande, corra.
Aprove a navalha que deslizou na pele.
Diga que é o pescoço que ela deve cortar. (Júlio Raizer )
Doce selvagem,
dançamos no escuro
Entro em seu corpo
Xingamos injúrias,
Desço em seu corpo,
escrevo loucuras
Provo seu gosto,
linguagem espúria
Sem inocência,
Despida de si.. mergulha
(Júlio Raizer)
A Noite Além
A noite deseja ser a senhora da madrugada, sem saber que ela é o vácuo entre os dias.
Aflita, acolhe sua alma.
Adormece, numa estepe crua e semovente.
Voando, persegue seu trauma.
Inquieta, busca cobrir com seu manto, as lamúrias da fenda passageira.
Não celebra a paz, não celebra a guerra, não celebra.
Céu ébrio, vulto perdido.
Sombras acalentadas numa imensidão soturna.
Sabores em desmérito, cores do além. (Júlio Raizer)
És verso
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.
O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.
A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,
Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,
DoceMente
O chocolate doce em contraste com a pimenta que exalta o sabor discreto das folhas provadas.
Linhas desenhadas com o pincel da imensidão azul.
O infinito que para sempre lhe foi dado.
Cumplicidade na cena de um filme, e a ação afetiva que ele traz.
As cenas rodam distantes no mesmo levante que a insônia fugaz.
Um pouco do mundo no universo de um homem só.
O incompreensível do destino sem dó nos anos que rodaram demais.
O tempo é vilão das alturas.
O tempo é o alicerce da vida.
O tempo que tampa as feridas e deixa numa teia ardida a amarra da sua exposição.
A música continua baixinho quando em coro ouvimos o artista dizer: "São Jorge por favor me empresta o dragão"
Paródias da sonoridade escrita em lampejos de celebração.
E hoje o dia continua tristonho para o sol distante que componho.
Júlio Raizer
O DESPERTAR
Os corpos despertam na disciplina regrada de um encontro despercebido.
Seu contorno refletido na parede pela luz da noite, imprime a prima obra na lembrança de um acaso gostoso demais.
Fomos ousados! Fomos audaciosos! Criamos códigos secretos repletos de magia e história.
História de bruxos e bruxas em sua escola.
Deixamos inquietudes de lado e fizemos valer a pena.
Segredos sonhados e vividos sem dizer.
Suaves na calma da sua santidade e abençoados por uma mão que inocenta todas as atitudes pensadas ou não.
A alma estava alvoroçada e era impossível de controlar.
Colocávamos uma mesa entre nós para que ela afastasse as nossas loucuras. Insanas e gostosas loucuras.
O pecado não existe mais e não há mais também um tempo para despedida.
Ficamos atônitos ao lembrar de que um beijo selou nosso destino e contou para o mundo quem realmente éramos.
Um mundo de nós dois.
Trocamos olhares e esperamos pelo abraço matinal
(Júlio Raizer)
DIA TRISTONHO
Hoje é um dia tristonho para o sol distante que componho
Ruas de terra com plantações ao redor sorteiam as pétalas da nostalgia de menino.
O menino chora!
A descoberta nas areias desertas que o banho de água doce deixou.
Experimenta o amargo das gotas que lavam a face.
O menino chora!
A inocência trazida num rosto que mostra em cada sulco as marcas que a vida lhe deu.
Sem ar o menino chora!
Dormindo no carro, escondido na areia, saindo do barro...
O menino chora!
Amargor da angústia, aperta o peito que reopousa no leito.
Deitado reclama do estômago que incomoda.
Sorver o coro angelical numa despedida fúnebre é a cena que a peça nunca quis encenar.
Sabores e sonhos.
Formas e doces.
Temperos da vida. (Júlio Raizer)
ABRA LOS OJOS
Numa madrugada sem amanhecer visitei seu sonho.
Palpitei em suas vontades não contadas.
Sugestionei absurdos.
Sorrateiro aguardei seu adormecer,
e assim possuir cada parte da sua imaginação.
A noite abraçada caía.
Queria dizer mas não diria.
Em silêncio consentia.
Não esperei pelo convite,
Sonhos normalmente são invadidos,
é assim que se tornam tão curiosos e intensos.
Sob a proteção da noite pude ler seu corpo e revivê-lo nas lembranças que enobreciam seus detalhes,
Nesse conjunto de formas, cheiros e gostos eu a construo todos os dias.
Descrevo em letras vivas a realidade do que queria.
Furto da sua boca o desejo de um beijo meu, e permaneço entre seus lábios das formas mais absurdas e incandescentes.
Sequestro seu fôlego e faço refém a sua vontade.
(Júlio Raizer)
O Todo é Mente
Quem controla a própria mente, controla o mundo ao seu redor.
Quem sabe controlar a própria mente, alcança uma fonte grandiosa de poder.
A partir do momento que sua mente está sob seu controle, não existe mais o impossível.
Você passa a atrair aquilo que realmente deseja.
Não repare o reparo que fiz nas nuvens. Elas voavam saudosas!
A noite não é tão escura assim! Apaguei as estrelas para que elas não me lembrassem que existe algo brilhando lá em cima. Um universo talvez. Daqui não enxergo muito longe.
O vento rodopia ascendente. Leva o perfume da carne, traz o cheiro do jardim.
Forte e decidido, esse mesmo vento poderá virar temporal. A brisa seguiu viajando solitária.
Não é tempestade, não é exagero.
É importante cultivar o jardim..
Na simplicidade das coisas ditas habita a verdade daquilo que se diz. Apenas digo! O universo diz. A imensidão infinita do mistério das galáxias nos diz.
Exageradamente saúdo a magnitude da noite, vejo, me importo.
Exageradamente escrevo sobre o pousar do sol, fico ou parto.
Exageradamente desdobro palavras, abraço e reparto.
Exagerado eu quero à sombra da árvore a sombra da tarde inteira.
A alma do poeta é sorrateira. Pouco precisa para entristecer, e pouco precisa para ser feliz.
Amo você! Hoje tudo é possível, por isso sonhe ainda mais alto do que já sonhou
e conquiste tudo aquilo que ainda
não conquistou. (Júlio Raizer)