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Frases de Josué Altino

18 frases

Asclepias umbellata Não são os arranjos - são os detalhes. É a distância da raiz até a planta.
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Asclepias umbellata Não são os arranjos - são os detalhes. É a distância da raiz até a planta. É assistir o cair de cada folha E pesar por cada vez que o vento balança. Manter-se firme pelas vezes que o tempo voa. E matar a saudade até onde o caule alcança.

A Marcuo Feijó Teus pés miúdos mal tocam o chão. Tu vês as dores como quem mais nada enxerga.
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A Marcuo Feijó Teus pés miúdos mal tocam o chão. Tu vês as dores como quem mais nada enxerga. Choras e deixa de observar a pétula E achas que a vida não é mais que uma triste canção. Deixa para trás toda a cidade, Olha para os montes distantes E quando teu espírito alcançar este horizonte, Verás que as paixões não são mais que uma saudade.

As nuvens caíram em gotas. Quantas gotas subiram do chão? O conta-gotas das calhas cantava na rua
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As nuvens caíram em gotas. Quantas gotas subiram do chão? O conta-gotas das calhas cantava na rua Uma fina, gélida e úmida canção. Espera, que o tempo muda. O tempo não muda nada. Quanto tempo esperei, para só então perceber que continuo o mesmo? As nuvens caíram em mim como gotas E eu demorei para colocar os pés no chão.

A Adélia Prado A poesia me abandonou aos prantos. A deixei no trem da saudade.
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A Adélia Prado A poesia me abandonou aos prantos. A deixei no trem da saudade. O mesmo que a trouxe até mim. A caminho da estação, falou-me das flores E como tão penas pedras me dizem das coisas. As flores não eram mais flores, Nem as pedras só pedras. Foi formando dentro de mim um vocábulo vazio Que só a mim cabia a ela saber. E me abandonando, a poesia me fez poeta.

Ciranda O tempo me prega peças Tal como me estende a vida.
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Ciranda O tempo me prega peças Tal como me estende a vida. Corre quando o procuro E passa quando descanso. Na rua ouço seus passos... Miúdos... Que passa de casa... Em casa... Risadas! O tempo me prega peças E quando sonho que ele aperta a cigarra. E nessa ciranda das horas, Os ponteiros me espetam, Como o levantar das aves.

Despido de tudo, volto a mim. Não trago malas, saudades ou angústias. Depois de tanto que lutei para não fazer isto,
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Despido de tudo, volto a mim. Não trago malas, saudades ou angústias. Depois de tanto que lutei para não fazer isto, hoje cá estou. Sem nada nas mãos. Sem dores e amores. Abro as portas da lembrança E vejo, sem gosto, velhos móveis empoeirados. Uma mesa ainda preparada para a ceia. Um quadro com um rosto que insiste ser meu. Na janela, cortinas amareladas se levantam com o vento. E eu não sei se jogo o que restou ao vento ou corro atrás dele. Ao centro de tudo, como uma assombração, Um relógio badala. Sem piedade, Sem rancor, sem medo. Diante de tantas coisas antigas, ele, como uma maldição nunca para. Entretanto, nunca limpa toda sujeira ao seu redor. Lembro-me por que parti. Envolto por tudo, parto.

Poesia dos títulos Busquei do mundo A explicação das coisas.
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Poesia dos títulos Busquei do mundo A explicação das coisas. Se as flores, as nuvens, Os bichos e os homens Diriam de alguma forma quem sou. As flores disseram que eu era vegetal. Que eu brotava, Criava raízes, Depois secava, enrugado, Mas deixando no ventre da terra tantas outras sementes As nuvens reclamaram Que eu criei deuses E agora com eles, os céus teriam que dividir. Os bichos fugiram. Cheguei então aos homens Para perguntar-lhes Sobre a fuga dos bichos. O homem me olhou e friamente respondeu: Por que tu és homem. Desde então eu sou flor, nuvem, bicho...

A sinceridade, meu amigo, é a prévia da discórdia. A verdade sempre vem recheada de dúvidas. O carinho é o caminho do interesse.
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A sinceridade, meu amigo, é a prévia da discórdia. A verdade sempre vem recheada de dúvidas. O carinho é o caminho do interesse. A vaidade é o dom saber mentir usando a beleza. A modéstia, sempre falsa, é uma montanha de orgulho arenoso. A humildade é uma ilusão criada pelos senhores para alienar seus inferiores. O respeito, coitado... O amor é um ideal — Nada mais que isso.