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Frases de Joni Baltar

2.069 frases

O Mar Traz-me o Teu Beijo Não vou à terra estranha de mim vou vazio de espera e condenado
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O Mar Traz-me o Teu Beijo Não vou à terra estranha de mim vou vazio de espera e condenado de esperança o horizonte puxa a minha estrada. Todas as estrelas apagaram o sonho envolto no teu cheiro a atestar o meu pensamento o meu coração enuncia as lágrimas. Não me deixam ficar sem pão e sal rebento o momento escorrem lembranças que alagam as horas neste exprimido suspiro queima o silêncio escuto os meus passos cingidos pelo vento perto da distância longe da tua boca os dias não amanhecem as noites não adormecem suavemente abre-se a janela e o Mar traz-me o teu Beijo.

Molécula do Amor Este sintoma que atormenta o sono e o apetite: insónias e mariposas.
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Molécula do Amor Este sintoma que atormenta o sono e o apetite: insónias e mariposas. Provocam arrepios de porcelana e sobressaltos nas artérias preenchem todos os orgasmos com metáforas de voluptuosidade. Fragmenta a dor nos labirintos da carne desperta o arrebol escancarado iluminando a escuridão incolor do vazio fermenta a cadência do infinito sonho alucina a concentração das pupilas. Rodopia a sístole e a diástole organizam um bailado de pensamentos no estômago. Neste estado de imperfeita salubridade e de perfeita insanidade movimenta-se a molécula do Amor na anatomia do poema.

A Expansão da Minha Alma A Vida é uma estadia tão breve e passageira.
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A Expansão da Minha Alma A Vida é uma estadia tão breve e passageira. É uma rajada de momentos opostos à dormente ilusão. Nas forjas dos elementos inexplicavelmente: adentro na consciência do sonho. Carrego no meu peito a expansão da minha alma percorro todos os lugares somente para te encontrar e quando vejo o que procuro — permaneço indecifrável — a namorar com os teus olhos.

Caminho do Amor No sabor salgado da pele molhada de coral e algas
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Caminho do Amor No sabor salgado da pele molhada de coral e algas transparece a colorida emoção salpicada de búzios que abraçam o vento. Nos areais e enseadas luarentas deposito a minha alma no teu colo refresco-me na tua boca bebo o teu sentir de mim. Mãos percorrem gemidos arfantes navios naufragados adormecem nos teus olhos em ecos de sal o ar respira as entranhas do sossego. Abismo opaco pula segredos escondidos no vazio causticante do medo onde os mais humanos não sucumbem e fielmente seguem o caminho do Amor.

Comportamento Disruptivo Pássaros descalços deslizam na parede
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Comportamento Disruptivo Pássaros descalços deslizam na parede de papel semi-viva. Réstias e modéstias sobre o excessivo equilíbrio das palavras revelam a indumentária da sustida pontuação. A dissimetria dos meus sentidos a despolarizar o quotidiano neste comportamento disruptivo. Ouço as folhas convolutas dos irredutíveis plátanos e entrego a minha sépia solidão à superfície do Outono.

Motim Plumitivo A imortalidade é uma infinita solidão. É necessário morrermos muitas vezes
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Motim Plumitivo A imortalidade é uma infinita solidão. É necessário morrermos muitas vezes para inferirmos que o íntimo da Vida é um ápice cintilante, e renasce a cada instante. As quatro subdivisões do ano morrem profundamente no colo do mundo. Ressuscitam os seus padrões climáticos pelas formas do sentimento: perfumes melódicos que revelam o mundo interior das almas. À superfície de um lúcido minério todas as existências são instintivamente sublimes. As pétalas da consciência coabitam os pensamentos torturados pelas noites geladas dum solitário poema. E assim permanece o motim plumitivo: que escorre da minha pena.

Mãe Pelo exercício da vida o mais assertivo foi
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Mãe Pelo exercício da vida o mais assertivo foi o teu caloroso colo. Mãe é uma obra infinita é um coração que absorve toda a dor que surja aos filhos mastiga-a e guarda-a na alma. Esse ventre que me amparou lançou-me à incessante vontade de viver e à constelação do sonho. Minha querida Mãe és a recompensa em todas as minhas horas incertas. Recolhes as minhas lágrimas nas janelas do teu olhar e sequestras o meu choro. As tuas mãos afagam a face do filamento paralelo aos dias. Mãe, guardo no meu peito o punhado de paz e sorrisos que sorvi umbilicalmente. Encerras as minhas feridas com as tuas sábias palavras. - Amo-te em todas as contrações que desaguam: no mundo que me fizeste.

Pai Pai consola-me no teu abraço infinito cede-me uma pequena quantidade de esperança
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Pai Pai consola-me no teu abraço infinito cede-me uma pequena quantidade de esperança quero iluminar este escuro cravado pela espada do desespero dos meus sentimentos. Pai ensina-me a tua força blindada de vida, resgata a minha paz perdida na infância. Todas as tuas lições vão sorvendo os meus trilhos Pai tenho impregnado nos meus sentidos as recordações: felicidade que depositaste no meu peito. Pai, daqui a pouco, dar-te-ei aquele abraço que faz sorrir as tuas retinas cansadas pelo tempo. Hoje, sentindo os efeitos do vento, consigo desvendar que solidão não é estar sozinho. – Amo-te querido Pai. – Pai ajuda-me a amanhecer!

Na Estratosfera do Meu Pensamento Na estratosfera do meu pensamento existe a temperatura sensível de um rosto
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Na Estratosfera do Meu Pensamento Na estratosfera do meu pensamento existe a temperatura sensível de um rosto uma mulher espargindo melodias de prata desloca-se na diligência do tempo sob ritmos cósmicos. As luzes suaves da memória aclamam os braços dos cânticos do passado. Por esta porta imutável ardem os festejos da inocência que se apagam ao som da voz distorcida da existência. Dentro do peso do silêncio mendigam os segredos mergulhados no abrigo de um grito perfumado no íntimo demente duma neblina transparente. No resgate da ofegante eternidade que os meus olhos já não distinguem: flutuam os caminhos entre a realidade que não existo e a inverdade em que morri.

Pelos Subúrbios da Poesia Numa perpendicular às minhas artérias
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Pelos Subúrbios da Poesia Numa perpendicular às minhas artérias corre o teu beijo a pestanejar no meu peito. Pelos subúrbios da poesia as minhas mãos escrevem às escondidas de mim o estômago vazio duma cama. No vácuo de uma vaga tempestade sob o céu-da-boca da suspensa chuva desperdiço-me numa nuvem monocórdia como se fosse um alfabeto estilhaçado.

Infinita Filosofia Somos uma colectividade humana que vive na descoberta da realidade
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Infinita Filosofia Somos uma colectividade humana que vive na descoberta da realidade numa individualidade solidão despercebida. Este desafio errante de realizar o sonho sem utilizar o coração nem a alma sustentando apenas o corpo na utópica esperança de uma congregação de anjos sob a deturpada harmonização de sentimentos. A felicidade não se carrega aos ombros do coração porque é uma pluma de intensa luz, desconhecida aos olhos do imenso mundo que embala a humanidade. Misturam-se as impulsivas lágrimas à senilidade contagiando o que resta da invisibilidade dos longos anos despertando o arrependimento que esfarrapa a consciência como um cão abandonado que procura o jardim do paraíso. A incrédula infinita filosofia que descarna a profunda força: produzida pelo silêncio das palavras ocultas. Talvez o acto de pensar seja a cura para a camuflada loucura. Não tenho asas, mas consigo voar entre os céus estrelados.

Acrostico Conceição Confluência tectónica dos verbos Oriundos dos parágrafos da estratosfera
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Acrostico Conceição Confluência tectónica dos verbos Oriundos dos parágrafos da estratosfera Nessas artérias latejante e saciadas Cada pulsação grita o vermelho cereja Entorna-se a polpa do poente Intempérie de beijos feéricos Conspiram as árvores no conjugal vento Análogo à escravidão oceanica dos desertos Onde o amor derrama a sua essência

Calafetado Poema Os cílios cerrados do agudo penhasco derramam lágrimas de vento e granizo
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Calafetado Poema Os cílios cerrados do agudo penhasco derramam lágrimas de vento e granizo no terreno arborizado dos cinco sentidos antes do combate entre a fecunda existência e a íntima e persistente irrealidade. O declive inalterável das horas abana os dias onde os vagos versos caídos no calafetado poema não dizem uma sílaba: escorrem as dores mudas do Amor. No leito fundo do meu coração de carne Navega, à bolina, a intrépida canção da sereia.

A Sobrevivente e Espessa Lágrima. A dor é uma ilusão de carne. É uma abstinência à insensibilidade,
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A Sobrevivente e Espessa Lágrima. A dor é uma ilusão de carne. É uma abstinência à insensibilidade, como um consumo que circula na alma. O álgido olhar que consome a vida alimenta-se da estrábica melancolia, descerra o escudo da existência. Golpes suspensos nas pupilas, marcham exaustos e condenados num acrómico álbum de sal. Revolta-se um pedaço de esperança, cospe o grito pungente na valsa do chão e ergue-se a sobrevivente e espessa lágrima.

Corroído Sonho As colinas descansam nos braços estéreis da madrugada.
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Corroído Sonho As colinas descansam nos braços estéreis da madrugada. No sono das mágoas perdidas das memórias estranguladas pela escuridão desgastada rompe-se a voz do crepúsculo matinal. Desço os degraus das rememorações defronto-me com a miragem incandescente e gravitada de um sonho inacabado. Agarro-me aos densos fios da alucinação que a demência expulsou na sentença da mente. Nos confins do aguçado silêncio respiro a luz viva do teu olhar. No beco das horas esmagadas dissolvem-se os anseios das quimeras. Na enorme e robusta vontade de tocar-te dispo os meus versos no teu corpo. Num acto inconsciente de paixão e desejo as nossas bocas envolvem-se enfeitando o nosso abraço - sigo este sentimento- desnudo a felicidade: escondida neste corroído sonho.

Afixo as Minhas Âncoras Atolado na indecisão navego na deriva
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Afixo as Minhas Âncoras Atolado na indecisão navego na deriva de um mar indigesto. Repleto de sais e dúvidas esta ondulada hesitação move o êmbolo da minha nau. No alambique da minha pele escorre o poema que perdi. Grita o vento no íntimo da noite, desflora o silêncio. O desembarque das tempestades arrefecem as estrelas - saboreio os astros que iluminam as débeis praias; afixo as minhas âncoras nos areais onde severamente se acomodam as civilizações nesta esfera pintada em tons de azul.

Na Têmpora do Fado Dentro da voz desata-se o fado
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Na Têmpora do Fado Dentro da voz desata-se o fado desamparado, distópico, tão-só: enxuga as feridas abertas dos versos. Ao colo da guitarra rasteja a parafina madrugada. Nos dolentes candelabros escorre o atávico poema na têmpora do fado dos facultativos paradoxos. O inábil silêncio ocultou-se atrás dos poros do fado, ouve-se a cor da noite a cantar a idónea leveza da existência e a caridade da morte.

A Envergadura das Sílabas Essa oscilação lúcida entre o avesso insano
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A Envergadura das Sílabas Essa oscilação lúcida entre o avesso insano de um sonho cobalto e um mar abandonado pelo oceano, naufragado no pousio de uma enseada. Quão denso é o tempo que estremece a existência numa mutável cronologia de sedução a porvir a cor pendente na frágil Vida. A envergadura das sílabas mede-se pela infância dos imodestos horizontes que se contraem nos poentes. A noite em carne viva queima o vértice dos amantes.

Guitarra à Luz de Velas O amor é uma nua canção dividida em curtos fados
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Guitarra à Luz de Velas O amor é uma nua canção dividida em curtos fados pela súmula pulsante do coração que se ouve nos mares cansados. No estreito silêncio das flores murmura o pólen das pétalas desfolhadas pelos acordes indolores no rosto duma guitarra à luz de velas. As arcadas cegam os claustros que sustêm as paredes calcinadas das celestes melodias dos astros cantadas no sangue da madrugada . Move-se pelo esquecido poema a voz calada do poeta propaga a luz verbal do fonema na elíptica cauda do cometa.

Anda Comigo Anda comigo ouvir o luar a despertar
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Anda Comigo Anda comigo ouvir o luar a despertar sentir a brisa nocturna das flores. Anda comigo escrever na terra quente a linguagem das árvores. Anda comigo dormir na minha pele sonhar no meu corpo. Anda comigo: quero viver em ti.

Oscilam os Poros Fascina-me esse teu sabor, inebriante paladar
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Oscilam os Poros Fascina-me esse teu sabor, inebriante paladar tingido por ardentes aromas. Mergulhas na minha alma compondo as sinfonias do meu corpo. Infusões vegetam o luar e escorrem a seiva do delírio. Oscilam os poros eflúvios odorantes. Sustentam ofegantes gemidos, ricocheteiam nas paredes do palato e adentram nos uivantes lençóis. Afundamo-nos no clamoroso clímax, propaga-se no júbilo do sangue uma fervorosa e orgástica melodia. Implodindo, sem horário, sem rede, perco-me numa crepitante enseada, a relembrar: a noite calma do teu mar.