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Frases de João de Souza Teixieira

3 frases

Sombras... Não há sombras matizadas de alegria e sofrimento.
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Sombras... Não há sombras matizadas de alegria e sofrimento. Todas elas são pardas, todas vestem de cinzento. As sombras são como o vento: só sabem bem na estiagem. De resto, varia o lamento, dependendo da aragem. Quer sombras, quer sobras – dizia a minha avó – não quero à frente. As sobras fazem-me azia e as sombras constrangimento.

A Neve Às vezes nevava. O céu oferecia a neve para poder entrar na folia,
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A Neve Às vezes nevava. O céu oferecia a neve para poder entrar na folia, como qualquer de nós cedia a bola para entrar no jogo. Os dedos só gelavam nos primeiros instantes. Daí a pouco tempo, as mãos ardiam como brasas. Às vezes nevava. Era um lençol branco e imenso, quase sem limites. Mesmo assim, alguns levavam braçadas de neve para casa, na esperança de que assim não derretesse. Uma qualquer espécie de alquimia haveria de conservar o gelo e transforma-lo em miragem perene e mágica, para íntimo deleite. Às vezes nevava. Fazíamos anafados bonecos com apêndices postiços, bolas de arremesso, construções que a imaginação e a quantidade de gelo permitiam, escorregas improvisados. Às vezes nevava sem sabermos muito bem porquê, nem o préstimo de tanta alvura.

Desculpa a pressa com que penso nos milímetros marginais do verso e, como cão farejando antigos mijos,
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Desculpa a pressa com que penso nos milímetros marginais do verso e, como cão farejando antigos mijos, dissimule o cio enquanto ponho as asas no poema. Desculpa a obsessão pelo tutano das palavras, mesmo as bem nascidas e cuidadas como os seixos mais polidos. Desculpa a caligrafia e a gramática, sempre tão dorsais e tão patéticas.