Frase de João de Souza Teixieira
A Neve Às vezes nevava. O céu oferecia a neve para poder entrar na folia, como qualquer de nós cedia a bola para entrar no jogo. Os dedos só gelavam nos primeiros instantes. Daí a pouco tempo, as mãos ardiam como brasas. Às vezes nevava. Era um lençol branco e imenso, quase sem limites. Mesmo assim, alguns levavam braçadas de neve para casa, na esperança de que assim não derretesse. Uma qualquer espécie de alquimia haveria de conservar o gelo e transforma-lo em miragem perene e mágica, para íntimo deleite. Às vezes nevava. Fazíamos anafados bonecos com apêndices postiços, bolas de arremesso, construções que a imaginação e a quantidade de gelo permitiam, escorregas improvisados. Às vezes nevava sem sabermos muito bem porquê, nem o préstimo de tanta alvura.
No pensador.ai desde