Se antes tudo era vigiado, censurado e proibido, agora tudo é programado, fabricado e vendido.
Frases de Jerônimo Bento de Santana Neto
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Enquanto o visceral declina, o artificial domina. Sina pós-moderna.
Do cartão de ponto à conexão 24 horas, quando o trabalho invade a esfera privada; da precarização do trabalho com freelancers, motoristas e entregadores de aplicativos à automação que substitui empregos; da economia da atenção ao capitalismo de vigilância; do consumo que define…
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Do cartão de ponto à conexão 24 horas, quando o trabalho invade a esfera privada; da precarização do trabalho com freelancers, motoristas e entregadores de aplicativos à automação que substitui empregos; da economia da atenção ao capitalismo de vigilância; do consumo que define identidade à fragmentação da experiência coletiva — cada um em sua bolha informacional; e do sucesso que virou imperativo moral de autocobrança, na cultura do desempenho e da comparação constante. Essa dimensão revela como o capitalismo digital coloniza desejos, comportamentos, valores e modos de vida, redesenhando a organização social e subjetiva. Vivemos uma época de contradições, em que a liberdade aparente se converte em obrigação de reinventar-se, vender-se e melhorar constantemente, enquanto opressão e autonomia coexistem de forma complexa, exigindo reflexão crítica para compreender e responder aos desafios dessa transformação.
O capitalismo digital dissolve fronteiras: trabalho que não descansa, atenção sequestrada e desejos colonizados; uma época onde a liberdade é convite à opressão disfarçada de autonomia.
Se a verdade é só expressão do eu, a política se dissolve no culto à concordância.
Do cartão de ponto à conexão constante, o trabalho invade o íntimo, enquanto o capitalismo digital coloniza desejos e modos de vida — a liberdade vira fardo, e a autonomia, um desafio entre opressão e reinvenção.
O sucesso virou imperativo moral, a identidade se molda no consumo, e o trabalho invade a esfera privada.
Vivemos cercados por crises permanentes — de identidade, clima, política, representatividade, coletividade, saúde mental, finanças, ética, cultura, educação... Todas, de algum modo, precarizam o horizonte, turvam o futuro e enfraquecem nossa capacidade de sonhar sentido, traçar…
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Vivemos cercados por crises permanentes — de identidade, clima, política, representatividade, coletividade, saúde mental, finanças, ética, cultura, educação... Todas, de algum modo, precarizam o horizonte, turvam o futuro e enfraquecem nossa capacidade de sonhar sentido, traçar planos e cultivar esperança. Enfrentar essas crises exige mais do que respostas pontuais; exige restaurar a capacidade de imaginar o amanhã e o desejo de construir novos caminhos.
Na cultura do desempenho e da comparação constante, a liberdade se mascara em obrigação, e a subjetividade se redesenha entre autonomia e vigilância.
As redes sociais criam bolhas que polarizam, premiam o escândalo sobre a razão, e alimentam a desinformação em escala massiva.
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As redes sociais criam bolhas que polarizam, premiam o escândalo sobre a razão, e alimentam a desinformação em escala massiva. O poder se afasta das instituições para algoritmos opacos, enquanto a vigilância e o capitalismo da atenção corroem a autonomia crítica, pilar da democracia.
O tempo presente das redes sociais é o oposto do tempo paciente da democracia.
Já fomos estrelas e poeira cósmica, e hoje o universo vibra dentro de nós.
Quarks, prótons, nêutrons e elétrons — ingredientes da natureza que formam átomos e preparam a receita da diversidade: uns viram pedra, outros viram gente, e assim por diante.
No fim, o corpo se desfaz e o que resta são átomos prontos para outra forma de existir.
Somos química viva — elementos da tabela periódica em perfeita união. Enquanto essa organização persiste, vivemos; quando se desfaz, a vida cessa, e retornamos à química da natureza, participando do ciclo contínuo da matéria em constante transformação.
A energia da vida se vai, mas os átomos seguem — sempre em transformação.
O neoliberalismo mercantilizou a representatividade: capacidade ignorada, inclusão desprezada, igualdade disfarçada, consumo é a grande jogada.
Há mais representação do que representatividade. A inclusão é mero insumo para aumentar o consumo.
Sabemos do pó, do átomo, do chão; mas a alma escapa pela contramão.
A única ideologia que a periferia conhece é a luta pelo pão nosso de cada dia; o resto não passa de papo gourmet de quem usa a pobreza alheia como trampolim para subir na vida.
Representatividade sem inclusão é representação.
No fim, o corpo se desfaz, restam átomos, vida que se refaz.
A representatividade virou estratégia capitalista: mais voltada à criação de nichos de mercado do que à inclusão de fato.
Entropia: a última via da vida.