Pular para o conteúdo

Frases de Jerônimo Bento de Santana Neto

2.471 frases

⁠A escuta verdadeira é substantiva, não decorativa.
⁠As redes sociais intensificam a polarização, criando bolhas informacionais e dificultando consensos mínimos. Elas premiam a emoção, o espetáculo e o escândalo, degradando o debate público racional. Plataformas amplificam fake news e desinformação em escala massiva.
Continuar lendo

⁠As redes sociais intensificam a polarização, criando bolhas informacionais e dificultando consensos mínimos. Elas premiam a emoção, o espetáculo e o escândalo, degradando o debate público racional. Plataformas amplificam fake news e desinformação em escala massiva. O poder de decisão se desloca de instituições deliberativas (parlamentos, partidos) para empresas privadas de tecnologia que controlam algoritmos opacos. A cultura da vigilância e do “capitalismo da atenção” mina a autonomia crítica do cidadão, essencial à democracia.

⁠É importante notar que, nas plataformas digitais, prevalece uma noção de tempo baseada no imediato. Tudo ocorre no "aqui e agora", em ciclos curtos de atenção e reação. Já a democracia liberal, como a conhecemos, é fundada em processos que exigem tempo: tempo para o debate, para…
Continuar lendo

⁠É importante notar que, nas plataformas digitais, prevalece uma noção de tempo baseada no imediato. Tudo ocorre no "aqui e agora", em ciclos curtos de atenção e reação. Já a democracia liberal, como a conhecemos, é fundada em processos que exigem tempo: tempo para o debate, para a deliberação, para a construção de consensos. Ou seja, é um sistema ancorado em procedimentos que só fazem sentido se houver disposição para esperar, ponderar e negociar. Além disso, a subjetividade contemporânea — marcada pela valorização moderna das emoções — coloca o sentir acima do pensar. Assim, toda fala torna-se, antes de tudo, uma afirmação do eu, uma forma de autoafirmação identitária. As plataformas digitais revelam e criam um tipo de sujeito que é incompatível com o sujeito suposto pela democracia liberal — aquele sujeito capaz de fazer a separação entre dever e desejo, o dever na esfera pública e o desejo na esfera privada. Esse sujeito é quem realiza um tipo de discurso e paixão que permite o processo de mediação dentro do direito e da justiça. Essa capacidade de mediação é fundamental para o funcionamento da democracia liberal, que depende do compromisso racional e do respeito às regras coletivas. No entanto, a dinâmica das plataformas, ao favorecer a expressão imediata e identitária, tende a diluir essa separação. Estimula a emergência de coletivos que se formam mais por identidade e emoção do que por programas políticos ou acordos institucionais, fragilizando assim o tecido do debate público tradicional. Como consequência, presenciamos o enfraquecimento dos partidos tradicionais e o fortalecimento de formas de organização política mais fragmentadas e baseadas em identidades, que ganham cada vez mais força. Nesse contexto, a política, que depende de negociação, mediação e compromisso, se fragiliza. Afinal, não se negocia com o eu: ele não aceita ser questionado ou relativizado, pois reivindica validade por si mesmo. Essa característica das plataformas digitais cria um tipo específico de coletivo: não um coletivo fundado na convivência de diferenças, mas sim um coletivo pela semelhança, pela concordância imediata. É, de certa forma, o oposto do projeto da democracia liberal, que surgiu justamente para estabelecer procedimentos comuns capazes de conter conflitos sectários — como as guerras de religião — e possibilitar que pessoas discordantes pudessem coexistir.

⁠As redes sociais pluralizam vozes e mobilizam, permitindo denúncias e fiscalização; mas também fragmentam o espaço público em bolhas isoladas e concentram poder em plataformas restritas. Não provocam diretamente a crise da democracia, mas revelam suas vulnerabilidades instituci…
Continuar lendo

⁠As redes sociais pluralizam vozes e mobilizam, permitindo denúncias e fiscalização; mas também fragmentam o espaço público em bolhas isoladas e concentram poder em plataformas restritas. Não provocam diretamente a crise da democracia, mas revelam suas vulnerabilidades institucionais, desigualdades sociais e carência de propostas, desafiando e tensionando o regime liberal.

⁠A política tradicional esvazia-se em símbolos e performance, migrando para redes sociais e algoritmos; há politização de tudo e, ao mesmo tempo, apatia difusa —
Continuar lendo

⁠A política tradicional esvazia-se em símbolos e performance, migrando para redes sociais e algoritmos; há politização de tudo e, ao mesmo tempo, apatia difusa — entre consumo, cultura e desconfiança nas instituições.

⁠Redes sociais também facilitam a mobilização social e pluralizam as vozes políticas. Permitem a denúncia de abusos e a fiscalização pública de governos e corporações. São apenas mais um terreno de disputa política — não determinam, sozinhas, o destino da democracia liberal.
Continuar lendo

⁠Redes sociais também facilitam a mobilização social e pluralizam as vozes políticas. Permitem a denúncia de abusos e a fiscalização pública de governos e corporações. São apenas mais um terreno de disputa política — não determinam, sozinhas, o destino da democracia liberal. O problema não reside apenas na tecnologia, mas na crise das instituições, na desigualdade social e no vazio de projetos políticos.

⁠Do interdito ao espetáculo, plataformas e influenciadores fabricam jargões — “pós-verdade”, “cancelamento”, “lacrar”, “fake news”, “discurso de ódio” — que carregam efeitos políticos, emocionais e geram consensos. A censura antes visível cede lugar a uma linguagem disfarçada de…
Continuar lendo

⁠Do interdito ao espetáculo, plataformas e influenciadores fabricam jargões — “pós-verdade”, “cancelamento”, “lacrar”, “fake news”, “discurso de ódio” — que carregam efeitos políticos, emocionais e geram consensos. A censura antes visível cede lugar a uma linguagem disfarçada de espontaneidade, difícil de perceber. Ela causa fadiga cognitiva: tudo soa calculado, teatral, performático e politizado.