Crime sem suspeito
Se um amor está acabado
Nenhum dos dois
Precisa ser o canalha
Ou estar errado
Basta manter o respeito
E ser sensato
Para saber que o melhor
É cada um para o seu lado
Não é falta de amor
Talvez nem dê para entender
Mas às vezes a gente muda
Mesmo sem querer
Ponto de encontro
Só te vejo em meus sonhos
É por isso que,
A todo instante,
Fecho meus olhos
Pois sei que,
Entre um sonho ou outro,
Ainda verei teu rosto
Amor de navegantes
Duro namorar
Quem namora o mar
Faço do peito o porto
Para que possa voltar
Já houve desembarque
Neste velho peito
Mas não teve jeito
O lugar já era seu
Por destino ou direito
Agora vivo a esperar
Cada dia é um baque
A vaga é sua, ocupe-a
Não navegue mais
Volte, marinheira,
Volte para o cais
Ressaca
O amor é como o álcool:
É bom quando entorpece,
Mas é inflamável e,
A qualquer momento,
Pode te explodir
Por dentro.
A embriaguez é pacata,
Difícil é a ressaca.
Sem medo
Hoje acordei sabendo que ia morrer
Foi o dia mais feliz da minha vida
Fiz tudo o que queria fazer
Sem ter medo do outro dia
É, ele veio e eu não morri
Morrer eu sabia que ia
Só não sabia quando seria
Perfume
Para que a minha flor
Ficasse ainda mais encantadora
Dei-lhe um perfume
Depois fiquei preocupado
Com aquele aroma tão doce
Seria arrebatadora
Todos os outros homens
Olhariam para ela
Pensei, então,
Em colocar vinagre
Naquele perfume
Causar um grande azedume
Mas não adiantaria
Pois não podia esconder sua beleza
Foi então que percebi que,
Mesmo que outro homem
Passe pelo meu jardim,
Aquela flor,
Em seu interior,
Só pertencia a mim
SONETO DE PERDÃO
Meu amor, peço-te: não fiques triste
Se algum mal, porventura, te fizer
Pois nosso sentimento me persiste
E perdurará haja o que houver
Meu amor, vem cá: dê-me tua mão
Pensa: se o mal que foi-te cometido
Foi, por mim, feito a ti despercebido
Não sou, por fim, digno do teu perdão?
Quem ama sabe, sim, que sofre e morre
Sabe também que vive à redenção
Assim que vive, e morre, quem se entrega
Se nada vale a vida que decorre
Sem teu perdão, (oh!, dor que me carrega)
Diz-me, então: de que vale amar em vão?
Arte viva
Você é arte viva
Esculpo-a em minha fantasia
Michelangelo via anjos em pedras
Eu, em seus olhos, vejo poesia
Você é arte, você é ciência
Faz as pazes com a religiosidade
Einstein via no mundo a relatividade
Eu, em seus olhos, a verdade