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Frases de Janet Zimmermann

59 frases

⁠Quando não escrevo poesia sofro a falta do lápis. Quando não escrevo poesia sofro a falta. Quando não escrevo poesia, sofro.
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⁠Quando não escrevo poesia sofro a falta do lápis. Quando não escrevo poesia sofro a falta. Quando não escrevo poesia, sofro. Quando não, escrevo poesia.

⁠MINHAS PEDRINHAS DE JOÃO E MARIA Telhas d’água cobrem casas copas, vagas, matas.
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⁠MINHAS PEDRINHAS DE JOÃO E MARIA Telhas d’água cobrem casas copas, vagas, matas. Dos poucos vãos que restam, réstias beijam testas. E, no palheiro da imensidade, continuo a procura do pássaro perdido. Perco-me como já perdi o chão tantas vezes. Mas ouso adiante ir, porque é busca de uma vida... As margaridas silvestres da beira da esteira, semeei-as para marcar o caminho da volta. Talvez eu retorne pelo cheiro do ouro vivo, talvez pelo brilho das estrelas rasteiras.

⁠LÍNGUAS E LAVAS nos céus das bocas,
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⁠LÍNGUAS E LAVAS nos céus das bocas, palavras soltas. meias vozes. odes! brados! entre brasas e águas vivas, espadas de Eros radioativas em batalhas amuralhadas por pétalas carnívoras, vigias armadas até os dentes dos beijos sem paz.

⁠APRESSE-TE! a manhã noviça escorre
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⁠APRESSE-TE! a manhã noviça escorre c’a areia movediça. aos poucos, com precisão inglesa, morre no bojo da tarde. hoje amanheci com a pá virada pra lua de saturno: pise leve nesta seara, tire os coturnos a pressa os medos os remorsos. voe revigorado e pouse em mim pólen desgarrado & beije-me para sempre! que a manhã é noviça e escorre c’a areia movediça . . .

⁠OUTROUTONO Outro outono entra sem bater. Entra
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⁠OUTROUTONO Outro outono entra sem bater. Entra para abater. Para reabastecer a máquina putrefaciente. Para dar de comer à máquina viva que nos dá de comer. Para vivermos. Para morrermos. [Deus, preciso beber algo que esteja a salvo! Dai-me de Vós, Senhor!]

⁠CLARICE ME DISSE o que eu, para mim, jamais ousei: Quem se indaga é incompleto.
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⁠CLARICE ME DISSE o que eu, para mim, jamais ousei: Quem se indaga é incompleto. Sim, ela, a bela dos olhos amendoados e olhar perdido esteve aqui, inda há pouco, inexorável, para me dizer essa verdade que abrange mil verdades... Clarice me disse, em poucas linhas, um grosso livro. Espinhos, farpas, ferrões... que me tiraram do conforto – abrupto despertar – para a zona de confronto: Quem sou eu? Eu sou esta, poema, com o meu eu fujão estatelado na bandeja, pois que o que Clarice me disse me despiu – a dormente – e me revestiu – desperta semente – com a realidade que eu havia, através de longo tempo, negado. O que Clarice me disse – direta e firmemente como quem aguilhoa mentes – me abriu um hiato fenomenal. Doeu, desde as raízes. Gemi. Chorei. E não tapei meu grito nem o vácuo da minha magna incompletude... De modo que eu (eu?), daquele instante para cá, encontro-me perdida no perdido vazio de Clarice. Todavia, em via de, enfim, lúcida à Clarice, me encontrar.