Frase de Janet Zimmermann
CLARICE ME DISSE o que eu, para mim, jamais ousei: Quem se indaga é incompleto. Sim, ela, a bela dos olhos amendoados e olhar perdido esteve aqui, inda há pouco, inexorável, para me dizer essa verdade que abrange mil verdades... Clarice me disse, em poucas linhas, um grosso livro. Espinhos, farpas, ferrões... que me tiraram do conforto – abrupto despertar – para a zona de confronto: Quem sou eu? Eu sou esta, poema, com o meu eu fujão estatelado na bandeja, pois que o que Clarice me disse me despiu – a dormente – e me revestiu – desperta semente – com a realidade que eu havia, através de longo tempo, negado. O que Clarice me disse – direta e firmemente como quem aguilhoa mentes – me abriu um hiato fenomenal. Doeu, desde as raízes. Gemi. Chorei. E não tapei meu grito nem o vácuo da minha magna incompletude... De modo que eu (eu?), daquele instante para cá, encontro-me perdida no perdido vazio de Clarice. Todavia, em via de, enfim, lúcida à Clarice, me encontrar.
No pensador.ai desde