Pular para o conteúdo

Frases de J.W.Papa

157 frases

Dois segundos Blá, blá, blá...Blá, blá, blá! Respiro fundo e pronto:
Continuar lendo

Dois segundos Blá, blá, blá...Blá, blá, blá! Respiro fundo e pronto: Dois segundos são suficientes. O ar invade afoito minhas narinas os pulmões se inflam o tórax se expande o cérebro oxigena-se. Enquanto vaga a mente tentando racionalmente pensar das amarras desprendem-se as ideias voam longe os pensamentos dois segundos se seguem e nada me vem. Só a poesia. Não que minha poesia não seja racional é que por estar sempre à margem me tornei marginal marginalizei minhas ideias marginalizei a teoria teorizei a marginalidade (des)marginalizei-me e à minha poesia. É contingente pensar o mundo de tal ponto de vista é-me conveniente fazê-lo deste modo. Vagarosa perambula a mente enquanto vaga pelo mundo lucubra arbitrária, dissimula e agora, também mente.

Agudo agudos são os versos aguda é a dor
Continuar lendo

Agudo agudos são os versos aguda é a dor agudo é o medo agudo é o temor das pessoas agudo é tudo! Tudo por aqui é agudo. A violência é aguda e nada incipiente. As pessoas são agudas as ações tendem a ser agudas também. A cachaça é aguda, proporcionalmente à frustração de muitos por aqui e por isso tantos bebem, desde muito cedo bebem e se viciam e viciados, não conseguem mais se safar, padecem a míngua desmerecidos e desacreditados por terem fraquejado por terem se deixado levar pela vida difícil desse lugar. E tinham outra opção? Talvez tivessem se aguda fosse a educação das escolas daqui! Mas, não! Não é. Agudo é o tráfico que compraz os jovens Agudas são as drogas que por aqui matam muito não só mata jovens, mata famílias, mata a comunidade mata o bairro, mata a cidade. Agudo é o crime organizado que se organiza do jeito que dá a revelia do poder público, sucateado pela máquina corrupta instalada. Aguda é a ingerência do Estado que tudo vê e nada faz. Aguda é a tristeza que se vê aqui, mais aguda que em outros lugares. Agudas são as reações que se seguem nesse contexto de caos Agudas feito a ponta de uma lança ferindo corpos matando gente, dia após dia.

De todos os meus medos, o pior deles, é o de estar longe do meu lugar (a periferia) quando chegarem a escola de qualidade, o hospital de referência, as bibliotecas de excelência, as praças de convivência, as quadras de esportes (qualquer uma), a polícia que não esculacha pobre...…
Continuar lendo

De todos os meus medos, o pior deles, é o de estar longe do meu lugar (a periferia) quando chegarem a escola de qualidade, o hospital de referência, as bibliotecas de excelência, as praças de convivência, as quadras de esportes (qualquer uma), a polícia que não esculacha pobre... Antes, falta tanta coisa; comida, água,luz,esgoto... Nada disso é real, por enquanto deixa pra lá, estou viajando!

Parede Azul Na carcomida parede azul da colônia de férias dos "insetos",
Continuar lendo

Parede Azul Na carcomida parede azul da colônia de férias dos "insetos", os mais variados... Aracnídeos, fungos e até platelmintos 'origamam-se' no espaço reivindicado pleiteando o seu lugar ao sol o seu lugar ao sul. Como que em um molde perfeito a massa de mira dos olhos encaixa-se na alça de mira da TV. Pontualmente, sistematicamente, completamente sem controle. Você vai sendo moldado dia a dia! Vai sendo castrado convencido e se deixando convencer de que não convence mais ninguém, nem a si mesmo. E como se não bastasse tal disparate assim como os fungos, insetos e platelmintos da parede azul confinados à insignificância de sua mediocridade você já até gosta de estar aí como está.

PROFESSOR Extintos não foram todos! Restam poucos.
Continuar lendo

PROFESSOR Extintos não foram todos! Restam poucos. Ainda heroicos, Ainda desbravadores. Com raça rompem o silêncio, superam as intempéries, produzem matéria-prima de boa qualidade. Rompem com o tradicional sistema, subvertem-no. Aprendem, ensinam, superam... Adversidades. Mestres sem pleito ou coroa, ofício sem holofotes ou fama. Glórias, injúrias, infâmias... Perfeito contexto de infinitas possibilidades. E vitórias e derrotas contínuas no ato diário de moldar diamantes brutos para o exercício da cidadania no seio da sociedade.

O tempo O tempo passa os amigos partem
Continuar lendo

O tempo O tempo passa os amigos partem as lembranças ficam ou, os amigos seguem com você num tempo em que as lembranças serão ainda construídas ou, o tempo parece parado os amigos nunca partiram e as lembranças nunca se tornaram um problema.

Meia lua de bandeira Buscam-se chaves que abram cofres de lata e de cobre e pessoas com nobres sentimentos capazes de perdoar
Continuar lendo

Meia lua de bandeira Buscam-se chaves que abram cofres de lata e de cobre e pessoas com nobres sentimentos capazes de perdoar e vidas perdidas nos segredos guardados nos dias e nas noites escondidos nos desvelos dessas vidas. Busca-se virar a página e torná-la página virada. Busca-se a plenitude na ação ou na reação dos atos, tardios ou primários. Busca-se encerrar a dor de uma vez por todas, sem recaídas ou sequelas. Busca-se tornar uma vida que é meia em uma vida inteira, em uma vida plena. Busca-se meia lua em meio céu em uma busca da vida toda. Essa é a busca contida na luta que busca as gentes: Uma bandeira, cheia de estrelas, que minimamente os represente.

Encontro de almas Do chão que de repente se abre bem embaixo de ti.
Continuar lendo

Encontro de almas Do chão que de repente se abre bem embaixo de ti. Na frequência do silêncio estridente que invade tua alma. Da guerra travada consigo mesmo todos os dias desde a manhã até o anoitecer. Guerra donde és cativo desde sempre: - Alistado – uniformizado – com fuzil em punho e a espera do inimigo abrigado no front de teu peito. Rindo o teu riso bebendo o teu vinho e brindando a tua alma. Da chama que cresce dentro de ti e alimenta-se da sua tristeza feito um cão faminto e mendicante as três horas da manhã. Círculo vicioso de vida de morte de sorte - (todo tipo). No vazio encontro de almas distantes perdidas no encanto dos trinta colhendo o vento plantado na vida- -em outras vidas. Nascido tardiamente Útero – fórceps – dor. Obrigado a viver só no vazio instante que lhe restou. Feito uma ilha plantada em alto mar. Bem debaixo do céu azul e de nuvens cinza escondidas por detrás dos olhos e bem debaixo do nariz. No vazio que lhe restou a cura para a dor que sentes desde sempre. Desde a saída do útero até o brilho do último raio de sol de hoje.

A noite chega A trezentos quilômetros por hora perfumada a noite chega:
Continuar lendo

A noite chega A trezentos quilômetros por hora perfumada a noite chega: Sorrateira pelas frestas cambaleante a cada esquina como em um filme português ou uma cantiga natalina. Peixe Vinho família um quarto de limão uma porção de molho rosê. Gatos pisam o telhado - se esquivam- de flores plantadas na terra dançam em campos minados junto aos soldados em revolução. Livros empoeirados acumulam-se na estante enquanto caixas transbordam corações tristes em quartos vazios e distantes. Dor... Reclamada na ponta do espinho. Noite... Acordada a contento. Verdade em fala nunca dita é pura perda de tempo.

Na ponta da lança Da taça jogada ao chão com força, o sangue que se esvai como em um serpenteante rio em curvas
Continuar lendo

Na ponta da lança Da taça jogada ao chão com força, o sangue que se esvai como em um serpenteante rio em curvas em busca de direção na vida desembocando em um mar de dúvidas. Do vinho derramado por todo o caminho a dor contida na lágrima que percorre sentidos - de choro e de riso. Fazendo transbordar oceanos inteiros com uma só gota de inquietude e bruteza entalada no canto esquerdo do olho direito, estupefato por enxergar tanta maldade. Olhos cansados do dia inteiro e devido a fumaça opressora instalada no caos proposital, agora muito vermelhos. Do rio de sangue e de lágrima que se forma no contorno de segundos intermináveis... A malta de guerreiros mascarados que segue: Com a mácula imposta a sua honra, por uma gama de ações, antes impensáveis! Desembestados na linha de frente da guerra, Varrendo tudo pelo caminho como uma manada desembestada de touros, fazendo jus a armadura herdada e defendendo bravamente seu tão cobiçado ouro. De lá: A espada covarde que aponta e assina a pele, mirando alvos estáticos e braços erguidos ao ar. Do lado de cá do front: Os punhos cerrados da malta e a coragem que transborda no peito. E o que se vê em meio a tudo isso é apenas a sombra de um velho gigante, que a propósito... Acaba de acordar! Até que um dia tudo mude, e os silenciados não tenham mais que se calar.

Hoje pelo caminho Os trilhos me pareciam tristes! Já não se via neles o mesmo brilho dourado de sempre.
Continuar lendo

Hoje pelo caminho Os trilhos me pareciam tristes! Já não se via neles o mesmo brilho dourado de sempre. Os seus caminhos eram tortos, tortuosos, sem graça. Hoje a noite, a chuva veio: -Caiu devagar sobre as ruas da cidade. -Não se via nela a costumeira beleza de outrora. O frio que trouxe consigo era de amargar: de fazer tremer todo o corpo, de fazer trincar os dentes, de fazer arder a pele. Tanto frio...Tanta chuva...Tanta dor...Tanto silêncio. Onde estará esse trem? Ele nunca se atrasa! Terá ele se escondido do frio e da chuva... Terá ele se perdido no caminho em meio a retas e curvas... Será que embruteceu em meio aos carros e ruas, enlouqueceu na selva de pedras enquanto tentava voltar para casa? Terá ele brigado com os trilhos, desencantado da lua, padecido só e abandonado em uma cova rasa na vida? Onde está o trem que me leva? O brilho dourado que euforiza-me? (Trilhos e Trem) - Por onde vocês andaram? Estive a espera de vocês por dias a fio, estive a espera de vocês por horas.

O brilho nos olhos muda com o tempo Desfaço-me de meus planos e mudo de direção,
Continuar lendo

O brilho nos olhos muda com o tempo Desfaço-me de meus planos e mudo de direção, rumo para o norte pretendendo a sensatez. A muito abandonei esta história de sorte, não que seja definitiva esta minha escolha é que ando meio desacreditado desses jogos, sabe como é não é mesmo? Ando sendo direcionado pelos ventos, os que vêm do sul. Ando me deixando levar pelas correntes torrenciais que movem as marés, sigo agora navegando por novas águas explorando mares novos, desconfio que a maturidade muda-me aos poucos e mudando-me, mudam também as minhas escolhas. Sinto meu corpo envelhecendo, minhas mãos estão cada vez mais lentas, os olhos já não têm o mesmo brilho. Meus segredos mudam com o passar do tempo, desnuda-me o tempo, assim como desnuda-me o espelho e desconforma-me o vento.

'Neguinho' Censuram-te! Não permitem-lhe o livre pensamento
Continuar lendo

'Neguinho' Censuram-te! Não permitem-lhe o livre pensamento a livre expressão. Vendem-lhe produtos que não lhe servem a nada obrigam-no a andar sempre na linha e andando sempre tão reto, jã não percebes o quanto te curvas, o quanto és servo de tal esquema? Que sistema é esse, que cega nossos jovens, cega nossos adultos e agora, cega também as nossas crianças? Enquanto você dorme tranquilo este teu sono alienado a morte espreita-o, feito um predador à presa. Sem que percebas, fecham o cerco à tua liberdade já não és mais livre, mesmo que pague, se puder pagar! Mas antes, acenam-lhe com uma invenção de última época afagam-lhe a nuca com um mimo qualquer. Tocam música boa ao pé dos teus ouvidos amaciam a tua carne com as marcas da moda as propagandas enchem a tua mente do mais absurdo vazio não há em você mais consciência ou razão. Inerte e sem reação, você perde, o sistema ganha. Em menos de um segundo, uma bala perdida - bem no meio da testa - te encontra por acaso, numa esquina qualquer de um bairro qualquer da periferia. O sistema vence mais uma e você perde toda a sua inocência de uma só vez.

Casa de madeira No alto dos Montes de Minas Nas terras de Joaquim Dalélio
Continuar lendo

Casa de madeira No alto dos Montes de Minas Nas terras de Joaquim Dalélio Uma velha casinha de madeira: - Cruzada nas árvores - Telhado amarelo - Vistas para cachoeira d’alça d’água. Ao redor da casa - mata virgem- E uns pés de goiaba de morcego Cerca feita de mourões e arame farpado Com dentes grandes e ferrugem dourada. Por Todo lado Mourões de cerca dormente - (daqueles de “trem”) - Protegendo a casa dos sonhos de muita gente. Mas, não protegendo de gente! Protegendo de bicho: - Onça do tipo Pintada. Uns pés de fruta Na porta da cozinha, Um pé de rosa cor de rosa Na porta da sala e Outro de “Ora-pro-nóbis” A dar de esmola na cerca dourada. Vida tranquila Vivida devagarzinho no Sossego da serra de Minas! Um pito de fumo de rolo No papel de milho e Um trago de cachaça Feita no alambique daqui Com cana cavalo colhida no quintal, Doce igual mel! . Um pedaço de queijo branco Com cafezinho (novo): -Adoçado com garapa! Humm... Vida sossegada Do tipo dessas que se vive - (enquanto se sonha) - Nas terras de Minas.

A Formiga, mais ou menos uns dez Pingos d'água e Eu Num dia desses... De previsão do tempo em desacordo
Continuar lendo

A Formiga, mais ou menos uns dez Pingos d'água e Eu Num dia desses... De previsão do tempo em desacordo e céu azul e nuvens brancas, dando formato a imagens de sonhos e sol brilhante e sombra boa, projetada em rumo de árvore grande - [pé de um trem qualquer]- plantada no asfalto da cidade ou na terra do campo. E de repente a chuva... Que desaba sem aviso antecipado, desabrigando os descuidados tomando ligeiro os caminhos e ocupando-se de preocupar os videntes de desenhos em nuvens! Tratando de por ritmo nos passos moles escaldados e amolecidos pelo sol quente, tratando de apressar as aves em seus vôos solos pelas quinas do céu, tratando de acordar os lagos e de viver os peixes e tratando de matar a sede da terra - que agradecida - empurra à superfície, as plantas... Expondo suas folhagens verdes seus frutos vistosos e suas inspiradoras flores perfumadas. Feito chefe em dia de súbito descontentamento, ralha aos quatro ventos, a chuva que cai do céu. Num protagonismo invejável! Só as formigas se incomodam mais... As gotas d'água, feito flechas lançadas contra elas, - do alto, sem escrúpulos ou piedade- fazem pesar ainda mais o seu árduo trabalho diário. Três estrelas ancoradas no céu calçando a lua em uma nuvem qualquer, e uma rajada de vento soprada de lá para cá na contramão da dança dançada a favor da chuva, faz ir embora a nuvem escura carregada de raios que entopem o céu de desespero. Três dessabidos destinos, encontram sentidos em um sentido qualquer: A Formiga...Desenrasca o pão do jeito que dá! A Chuva... Se diverte com a farra toda! E Eu...Transformo em tempestade - nem dez gotas d'água - caídas sobre mim!