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Frases de J. C. Costa

55 frases

Peste vendi meu coração ao ladrão coloquei tudo que tinha dentro no prego
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Peste vendi meu coração ao ladrão coloquei tudo que tinha dentro no prego matei as pestes que moravam dentro de mim de fome nada pra comer nada pra infestar só restou o vácuo vazio só na madrugada ainda escuto-os se revirando e roendo o último pedaço de alma que sobrou ratos baratas gafanhotos a carne se desmancha o osso se corrói a vida se cansa de te carregar e então você vira pó

acreditar que tudo vai dar certo é um sentimento infantil corrompido estou por uma vontade vil na vida sou único e solitário
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acreditar que tudo vai dar certo é um sentimento infantil corrompido estou por uma vontade vil na vida sou único e solitário mesmo que fosse mil viveria só pra ver tudo o que fiz perecer cair no esquecimento do diário como diz o dicionário, as palavras ficam porém eu sozinho em fim de vida jamais serei lembrado

o amor foi inventado para iludir o ser humano um placebo para dores na alma nunca existiu amor
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o amor foi inventado para iludir o ser humano um placebo para dores na alma nunca existiu amor e sim medo da solidão se um dia fui amado tenho minhas duvidas mas como cada historia conta toda historia é uma historia de amor a minha não é e o que resta é procurar o próximo ser humano pra se unir e fingir mais uma vez que eu sei o que é amar

O tempo e o espaço O tempo já namorava o espaço antes do mundo existir antes do primeiro nascer do sol
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O tempo e o espaço O tempo já namorava o espaço antes do mundo existir antes do primeiro nascer do sol o espaço já olhava para o tempo com um brilho diferente e caminhavam pelo infinito de mãos dadas olhando as estrelas explodirem e as galáxias nascendo até que em um planeta minúsculo e azul nasceu uma criatura medonha e bizarra que em nada parecia com as estrelas com que estavam acostumados o tempo generoso decidiu ajudar então a pobre criatura o espaço sempre rancoroso não gostou nem um pouco e com a ajuda do tempo e do espaço essa criatura cresceu e se multiplicou nessa altura o tempo e o espaço tiveram uma filha o amor o amor adorava brincar entre essas criaturas fazendo uma querer a outra loucamente o tempo já apegado não conseguia largar mais as tais criaturas e todo o rancor do espaço só fez aumentar os dois já tristes não conviviam bem eles tiveram mais duas filhas gêmeas antes de se separarem saudade e solidão ao se separarem cada uma levou uma consigo enquanto o amor já crescida decidiu viver entre as criaturas o espaço levou a saudade o tempo levou a solidão e até hoje nunca mais se viram

Dormindo com o inimigo A criatura que eu vejo no espelho me olha e ri
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Dormindo com o inimigo A criatura que eu vejo no espelho me olha e ri demente, impotente infeliz do corpo e da mente a escassez de beleza causa gargalhadas histéricas na figura que tinha o meu rosto e quem melhor do que eu para me odiar já pedi divorcio do meu corpo mas esta massa disforme se recusa a me deixar ir

Bolero dos gatos malhados miau miou o gato dizendo tchau
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Bolero dos gatos malhados miau miou o gato dizendo tchau miau miou a gata dizendo não miau lambeu a pata o gato preto miau a gata manhosa ouriçou o pelo miau cantou o gato em um apelo miau miou a gata com os olhos em chamas miau mostrou as garras o gato já preparado miau a gata mostrou as costas pedindo carinho miau entre miados e arranhões os dois ganharam a noite miau em cada miado uma jura de amor diferente miau... miau... miau...

Fim de festa rimos brincamos
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Fim de festa rimos brincamos amamos e quando no final da festa fiz rateio juntei tudo que tinha pra comprar mais amor mas já estava fechado voltei de mãos mãos abanando e você se foi enquanto de amor eu continuo embriagado

vingança trivial a mão que balança o berço é a mesma que reza o terço
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vingança trivial a mão que balança o berço é a mesma que reza o terço e que ama o mesmo que se vê jogada a esmo e agora com a faca e o queijo ela destila veneno pelos dedos enquanto faz o café fervendo derrubando-o em cima do pobre marrento queimando-lhe a alma e os pensamentos agora ele vai aprendendo não se mata o amor sem dar à luz ao sofrimento

Inveja primaveril uma estação atrás da outra e ainda morrem de inveja as flores
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Inveja primaveril uma estação atrás da outra e ainda morrem de inveja as flores cheirando seu perfume dia após dia vendo seus quadris balançar como música e como sol ,seu sorriso iluminar o campo e ao final da estação mortas de inveja caem e murcham ao chão enquanto assistem suas curvas darem tom a mais uma primavera

Prato cheio a beleza da pele cor de noite descansa nos olhos de quem vê
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Prato cheio a beleza da pele cor de noite descansa nos olhos de quem vê não é facil ver tanta cor e sabor no prato dos outros enquanto eles comem arroz, salada e frango nossa carne é suculenta nossa feijoada é incorpada é de comer e lamber os beiços de encher a boca d'agua mas não é pra qualquer um nem pra qualquer dia arriscada é a azia porque a carne é salgada o feijão é quente e a bebida sempre fria

Alma de Barro (Poema destinado aos catadores de caranguejo dos manguezais) já fui ladrão
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Alma de Barro (Poema destinado aos catadores de caranguejo dos manguezais) já fui ladrão já fui escravo já fui caranguejo já fui rato já fui capitão do mato já fui sinhô do barro eu vim no barro eu vivi no barro eu venci e tenho orgulho da minha pele preta e do meu barulho o meu tambor é barulhento e quando toca eu me mexo feito o vento e só lamento pois quem tudo quer nada tem e quem nada quer encontra no nada o que mais precisa sou barro mas não barro de fazer jarro sou barro pisado amassado e molhado no peito e no sapato tenho o barro na cara sou mais limpo que todos porque tenho o barro na alma

Teoria positiva não durmo mais meus olhos se fecham e os monstros vem me pegar
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Teoria positiva não durmo mais meus olhos se fecham e os monstros vem me pegar não como mais meu estômago revira ao sentir a comida chegar não respiro mais fumo tantos cigarros que minha garganta já esqueceu os gosto do ar hoje eu vivo mais o amanhã é uma sombra que eu consegui me livrar medo não tenho mais a culpa é minha e minhas são as consequências com que lidar eu amo mais meu peito já foi um buraco vazio, hoje tem motivo pra funcionar

andava vagaroso e sonolento ao passar viu me e apertou os passos com a filha que mal sabia andar
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andava vagaroso e sonolento ao passar viu me e apertou os passos com a filha que mal sabia andar sendo arrastada, procurava não me olhar nos olhos mas não os tirava de mim eu o estereótipo do mal que assola a terra ela o arquétipo da princesa em apuros entrava no carro tal qual um demônio corre da cruz e eu já morto por dentro aceitei a última facada que a vida tinha para me dar. Seria de causar estranheza que me olhasse e desse um sorriso baseado nas premissas as quais me julgou receio que nunca lerá nada quanto mais um autor negro porém antes analise e pense o perigo que a minha pele representa não é nada comparado ao que meu intelecto pode fazer com você

Cabaré da minha alma Seja bem vindo ao cabaré da minha alma sente-se, beba alguma coisa
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Cabaré da minha alma Seja bem vindo ao cabaré da minha alma sente-se, beba alguma coisa aproveite que o show é de graça só não tem graça é um eterno romance que sempre acaba mal me desculpe o final os atores não são bons ninguém sabe suas falas e todos gritam demais o lugar é escuro, a bebida é quente e as garçonetes mal educadas seja bem vindo ao cabaré da minha alma.

Pecado Que todo o nosso pecado se transponha da sala pro quarto
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Pecado Que todo o nosso pecado se transponha da sala pro quarto porque meu peito de aço não tem mais espaço pra levar bala Só peço ao seu juiz que a minha sentença seja de morte e que você não tenha a mesma sorte porque todo pecado tem julgamento mas o fundo poço não nada sobrevive à própria vida que leva.