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Frases de Ivo Terra Mattos

90 frases

⁠se eu pudesse ler seu silêncio.. entenderia seu sofrimento. abraçaria você com tanta força que ficaríamos um só. aí, então, eu poderia amenizar as suas dores e se fosse necessário, eu ficaria com elas para mim. /i
⁠com o tempo a gente vai esquecendo nem se lembra mais daqueles que tinha ascensão sobre nós, até porque, muitos, com o tempo, caíram. eram tão incipientes que não tinham o discernimento da maldade
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⁠com o tempo a gente vai esquecendo nem se lembra mais daqueles que tinha ascensão sobre nós, até porque, muitos, com o tempo, caíram. eram tão incipientes que não tinham o discernimento da maldade que praticavam. não eram seres diferentes, somente achavam que eram, talvez culpa do meio que viviam. não tínhamos acesso ao meio que eles julgavam serem os donos, se mais quiséssemos, nada mais era nos dado. como nada tínhamos, éramos cobiçadores do pouco que eles tinham. com o tempo, vimos que aquilo não era nada perto do tudo que podíamos conseguir e conseguimos. pobres separatistas que se multiplicavam entre si. pobre seres ignorantes, desprezíveis, se vocês soubessem o mal que fizeram para muitos, teriam vergonha de serem chamados de seres humanos.

⁠queria ter te amado ter ganho um abraço sentir orgulho de ser seu
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⁠queria ter te amado ter ganho um abraço sentir orgulho de ser seu mas você não me ensinou seus olhos não me buscavam, mas sua indiferença, sim queria ter te beijado, ter te abraçado, mas você nunca estava queria ter te amado sem ser imitação amar com o coração mas você não me ensinou nem sabia o que de fato eu era seu. tudo teria sido diferente não teria que ir me desfazendo de você pelos caminhos. não teria tido tantos pesadelos e tantos medos. tantas perguntas e tantas angustias. você poderia ter sido meu amigo de fato. /i Ivo Terra Mattos

⁠Um sábado de sol. Trajeto na parte da manhã: -Passar da casa do Dr, Cleon engraxar os sapatos dele. e saborear um doce de banana feito pela esposa dele. Sempre tinha.
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⁠Um sábado de sol. Trajeto na parte da manhã: -Passar da casa do Dr, Cleon engraxar os sapatos dele. e saborear um doce de banana feito pela esposa dele. Sempre tinha. -Grande Hotel. O professor Antônio deixava os sapatos do lado de fora para ser engraxados. Sempre pagava no próximo sábado. -Vez ou outras engraxava as botas o seo Otávio, no açougue do seo Júlio. -Um giro pela rodoviária olhando os ônibus imaginado um dia viajar num daqueles. ´-Uma passagem na farmácia do ikeda para me pesar e medir a altura. -Uma olhada na camioneta que vendia mexerica ponkan, sempre sobrava alguma doação. -Uma entrada sorrateira na sorveteria, na esquina, e esperar que o dono desse uma "colherada" tipo, assim: vaza. -Ficar ouvindo musicas na sapataria Paraiso, -Ver os painéis de filme do cine Rios. -Chegar no ponto e esperar os "clientes" com suas botinas incrustada de barro. -Na hora do almoço, esconder a caixa e a cadeira na prefeitura e descer para casa, Na parte da tarde ia direto até as 18 h. Haja botinas e botas. -Acho que eu era feliz assim. Gostava daquela felicidade, não conhecia outra

⁠(Já postado algumas vezes) ...e ⁠eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia.. Em frente a pracinha, havia um cinema; Cine Rios.
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⁠(Já postado algumas vezes) ...e ⁠eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia.. Em frente a pracinha, havia um cinema; Cine Rios. Nos intervalos das "engraxadas' (eu era engraxate. Iniciante) eu ficava na porta no cinema e viajava naqueles painéis de fotos de "mocinhos e bandidos". Depois ficava esperando a matine de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do "bom contra o mau". O "mocinho bom" sempre vencia. No fim do filme sempre tinha a continuação dos seriados intermináveis, que deixavam um suspense no final. Acho que era para a gente voltar no próximo domingo. Perto do cinema havia uma sorveteria . A mais linda do mundo. (Eu só conhecia aquela) Os sabores dos sorvetes eram homenageados nos painéis(desenhos) que ficavam expostos nas paredes. Eu viajava naqueles sabores. O meu preferido era o banana splits, mesmo não conhecendo o sabor. Gostava da imagem. O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto, lógico, pela aparência. Como eu era um dos que não podiam entrar, o negocio era ficar olhando pelo lado de fora e imaginando. E foi ali, naquela sorveteria, que um dia, um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, mandou que o homem ruim, servisse o melhor sorvete (aquele da foto que eu estava admirando banana split) para aquele menino que não podia entrar na sorveteria. O que foi feito sem relutar. Do outro lado da pracinha, tinha um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogador de futebol, com direito a ganhar uma bicicleta, desde que você preenchesse um álbum imenso. Ganhar aquela bicicleta era quase impossível. Mas foi assim, que um dia, com 8 anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas, mesmo ele não tendo álbum de figurinhas e nem ter ganhado a bicicleta. /i Ivo Terra Mattos

⁠era para ser somente um sonho. era tudo uma brincadeira, uma mentira qualquer...
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⁠era para ser somente um sonho. era tudo uma brincadeira, uma mentira qualquer... onde mais e com quem mais a não ser com você? mas a mente valente, dominou o coração inocente, calou a saudade, soltou as correntes e nem olhou para trás; partiu! quem ficou, ficou esperando sem acreditar que fosse de verdade, mas era quase tudo verdade, mesmo brincando de "brincadeira". /i

⁠tivesse o mesmo tudo de você, quem sabe, voltasse. aquele cheiro da chuva misturada com a terra
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⁠tivesse o mesmo tudo de você, quem sabe, voltasse. aquele cheiro da chuva misturada com a terra vermelha. talvez, quem sabe fosse mais. aqueles abraços desejados, quase inexplicáveis por excesso de tantos abraços para abraçar. talvez nem fazia falta. tivesse os mesmos excessos de tudo que era necessário, talvez nem precisasse de tanto. de tanto tempo, esquecendo como era comum ser rico sem ter nada.. tive tudo de você, mas...fiquei sem tempo para voltar. /i

⁠Ninguém perguntava: "Onde mora essa tal de felicidade?" Nosso aquecedor, no inverno, era a taipa do fogão à lenha. Nossa banheira era a bacia coletiva. Os primeiros, por ordem de idade, aproveitavam a quentura e a limpeza da água, os mais jovens ficavam com o que sobrava na ba…
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⁠Ninguém perguntava: "Onde mora essa tal de felicidade?" Nosso aquecedor, no inverno, era a taipa do fogão à lenha. Nossa banheira era a bacia coletiva. Os primeiros, por ordem de idade, aproveitavam a quentura e a limpeza da água, os mais jovens ficavam com o que sobrava na bacia. Nossa manteiga era banha de porco com sal. Nossas roupas de inverno, era constituída de: calção de elástico e camisa de flanela. No verão era só calção e camiseta "uma qualquer" de "qualquer tamanho e fosse de quem fosse sempre servia." Sapatos: Não, não existia. Cabelos penteados? Não a maioria tinha o corte "bodinho". Bom para pegar piolhos. Mochila para a escola: Uma sacola de pano de saco de açúcar com alça. O guarda pó sempre manchado de azul, só ia, na volta vinha dentro da sacola. Os cadernos e a cartilha "caminho suave", dormiam juntos., Os lápis, na sua maioria com a borracha já mastigadas, eram apontados à faca mesmo. O Hino Nacional, "..das terras mais queridas".. o perfilhamento com distanciamento, as brincadeiras nas classes, as perguntas difíceis que as professoras faziam, principalmente as de matemática , cobriam a manhã. Na saída, sempre havia um "acerto de contas, claro, sem armas, somente no máximo com um: _quem for mais homem, cuspa aqui. e, vez ou outra, uma que dizia: fdp é leque leque se sua mãe......." mas no outro dia estava tudo bem, novamente. A vida desviou os "caminhos suaves" da gente. Uns foram ficando por aí, outros pegaram outros caminhos, não tão suaves e se perderam, mas uma parte grande foi embora. Foi em busca de um "futuro melhor" e se esqueceram da infância, onde a felicidade, que não da bola para o futuro, permanecia sempre com as portas abertas, pedindo que aproveitássemos o tempo curto que temos. i/

⁠hoje fico espreitando meus sonhos que ainda sorriem junto a você brincando de heróis imortais, pulando pedaços de memorias tristes,, fingindo esquecimento. nem percebi,
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⁠hoje fico espreitando meus sonhos que ainda sorriem junto a você brincando de heróis imortais, pulando pedaços de memorias tristes,, fingindo esquecimento. nem percebi, foi muito rápido ainda ontem chovia nos verões e perfumava sua terra vermelha, no inverno havia aquela fumaça branca que saia das suas entranhas e molhava nosso rosto de criança.

⁠O velho Agenor. Conheci o a Agenor há uns dez anos. Na verdade ele foi adotado, tipo assim, amor a primeira vista. Ele era de um casal de amigos; Selma e Zanotti.
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⁠O velho Agenor. Conheci o a Agenor há uns dez anos. Na verdade ele foi adotado, tipo assim, amor a primeira vista. Ele era de um casal de amigos; Selma e Zanotti. Quando o conheci ele estava morando numa garagem com outros elementos, de estirpe diferente, ele era o único de sua raça. A primeira coisa que fiz foi comprar umas roupas novas e também novos sapatos. Tanto as roupas como os sapatos, esses ortopédicos, foram substituídos por modelos mais condizentes com a idade dele. Por falar em idade tive que fazer algumas intervenções cirúrgicas. Seus joelhos foram operados e receberam novas cartilagens. Os olhos, já apresentavam sinais de cataratas e foi necessários a colocação de lentes corretivas. Por ter ficado muito tempo se alimentando mal, foi necessária uma lavagem estomacal completa. Com essas atitudes o Agenor remoçou alguns anos. Seus dias passaram a ser mais tranquilos, agora com um lugar somente para ele e com alguns passeios à tarde e finais de semanas. Mas como nada é eterno ocorreu uma mudança de destino novamente, o Igor, meu filho, adotou o Agenor como se dele fosse o que acabou se concretizando. Dado o carinho e cuidados que ele tinha passei a guarda do Agenor para ele. Eu tenho um sobrinho, Fernando, que mora em Belém. Num de seus passeios por Santa Catarina ele conheceu o Agenor, já o conhecia de fotos e de ouvir falar, mas ainda não tinha visto ele pessoalmente. O Fernando se apaixonou pelo Agenor e tanto insistiu que o Igor passou a posse para ele, mas logo se arrependeu e o Agenor voltou para ele. Mas a saga continuou e houve uma segunda tentativa, aí não deu retorno e lá se foi o Agenor morar em Balneário Camboriú. Coube a mim leva-lo. Numa manhã pegamos a estrada, eu ele e o chicão. Quando o Agenor sentiu que estava numa estrada, se transformou. Rejuvenesceu uns quarentas anos. Parecia um foguete alado. Passava todos aqueles pangarés. Buzinava, dava sinal de luz pedindo passagem, ultrapassava pela esquerda, pela direita, uma festa só, mas depois de uns 80 quilômetros veio a canseira, acho que falta de ar e tivemos que parar. Tomou água, descansou e continuamos a marcha. Chegando em Balneário deixei ele na sua garagem, bem moderna por sinal, e ali ele ficou descansando da viagem, afinal foram oitenta quilômetros de aventuras. Mudanças de planos: por acumulo de bagagens e de passageiros o Agenor teve que retornar para Joinville para ajudar no transporte,, a mais ou menos cinco quilômetros da minha casa, outro incidente: por falta de alimento o Agenor não aguentou chegar até o destino. Depois de alimentado, concluímos o percurso. Um mês depois voltei para Balneário, agora definitivo. A viagem igual as outras. Quando ele se via na estrada se transformava. A velocidade tinha que ser controlada se não era multas e mais multas por excesso. Dessa vez havia, no prédio, mais uma moradora junto à sua garagem: uma mercedinha (paquitinha) linda. Claro que o Agenor, por ser um senhor, teve todo o respeito em dar à ela a parte frontal da garagem, ficando ele, com o fundo. A semana retrasada eu estive com ele. Levamos os dois no salão de beleza para fazer uma limpeza de pele e dar um passeio na nova orla de Balneário, diga se de passagem; linda.No lugar que ficava a paquitinha havia uma marca de sujeira no piso. Liguei para o meu sobrinho e disse que a paquita estava fazendo xixi no piso, Sabe o que ele me falou? Que era do Agenor; O Agenor, mesmo sendo um senhor, jamais faria aquilo, e outra coisa, ele não tem incontinência urinária. Eu disse a ele, mas ele não acreditou. Na despedida do Agenor, senti uma tristeza no seu olhar, agora não mais opacos, pois foi operado da catarata. Tive a impressão que ele sabe que vai passar por umas interversões traumáticas. Meu sobrinho vai trocar o coração dele, Vai colocar um mais potente, fazer um transplante de pulmões e colocar sapatos esportes. Ah, e novas lentes de contatos para enxergar mais longe. Infelizmente não posso interceder. Só posso desejar boa sorte e que tudo corra bem. Ivo Terra Mattos

⁠Vivi num tempo certo. No tempo que me pertenceu Por muitas vezes estive à deriva
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⁠Vivi num tempo certo. No tempo que me pertenceu Por muitas vezes estive à deriva Levantei, aplumei e continuei Sei que em muitas quedas, me levantaram. Em algumas me feri, assoprei a ferida, mas não esmoreci. Fiquei longe de quase tudo do pouco que eu tinha e tive que deixar. Não negociei com o destino, aceitei e deixei o vento ir na frente, sempre me desviando dos retornos. Ainda não cheguei no fim, não tenho discernimento para questionar o mistério da vida se é que existe mistério para viver. Ivo Terra Mattos

⁠Receio ou medo? Ao toque das mãos, se comprime, se esconde. No olhar a aprovação do nada que fez.
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⁠Receio ou medo? Ao toque das mãos, se comprime, se esconde. No olhar a aprovação do nada que fez. Às vezes se pega desprotegida e fica natural, fica cândida, simplesmente uma menina. Sem perceber, busca nos alheios um abraço, um carinho, talvez .Mais; busca, ainda, um colo, quem sabe perdido na infância. Se soltasse as amarras, se o sorriso florescesse naturalmente, mais bela ficaria, se possível fosse ficar. Ivo Terra Mattos

⁠Te amo, menino. Botou a mala nas costas e se foi Nos bolsos, somente os bolsos
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⁠Te amo, menino. Botou a mala nas costas e se foi Nos bolsos, somente os bolsos Na mente os planos valentes Medo? Quantos! Ficar seria concordar Se acovardar, teria sido a morte Misturei as lágrimas, me soltei dos meus abraços, abri as asas e saltei. Não sei por quanto tempo Nem sei por onde andei, de tanto que andei Me ajudei e ajudei desconhecidos. Apaguei as memórias e arrebentei os conceitos do poder das indiferenças nas diferenças Onde e quando cheguei nem importa. as cicatrizes se moldaram na pele e as rudezas das palavras arrancaram pedaços, mas não detiveram a restauração do meu destino. Ivo Terra Mattos