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Frase de Ivo Terra Mattos

⁠O velho Agenor. Conheci o a Agenor há uns dez anos. Na verdade ele foi adotado, tipo assim, amor a primeira vista. Ele era de um casal de amigos; Selma e Zanotti. Quando o conheci ele estava morando numa garagem com outros elementos, de estirpe diferente, ele era o único de sua raça. A primeira coisa que fiz foi comprar umas roupas novas e também novos sapatos. Tanto as roupas como os sapatos, esses ortopédicos, foram substituídos por modelos mais condizentes com a idade dele. Por falar em idade tive que fazer algumas intervenções cirúrgicas. Seus joelhos foram operados e receberam novas cartilagens. Os olhos, já apresentavam sinais de cataratas e foi necessários a colocação de lentes corretivas. Por ter ficado muito tempo se alimentando mal, foi necessária uma lavagem estomacal completa. Com essas atitudes o Agenor remoçou alguns anos. Seus dias passaram a ser mais tranquilos, agora com um lugar somente para ele e com alguns passeios à tarde e finais de semanas. Mas como nada é eterno ocorreu uma mudança de destino novamente, o Igor, meu filho, adotou o Agenor como se dele fosse o que acabou se concretizando. Dado o carinho e cuidados que ele tinha passei a guarda do Agenor para ele. Eu tenho um sobrinho, Fernando, que mora em Belém. Num de seus passeios por Santa Catarina ele conheceu o Agenor, já o conhecia de fotos e de ouvir falar, mas ainda não tinha visto ele pessoalmente. O Fernando se apaixonou pelo Agenor e tanto insistiu que o Igor passou a posse para ele, mas logo se arrependeu e o Agenor voltou para ele. Mas a saga continuou e houve uma segunda tentativa, aí não deu retorno e lá se foi o Agenor morar em Balneário Camboriú. Coube a mim leva-lo. Numa manhã pegamos a estrada, eu ele e o chicão. Quando o Agenor sentiu que estava numa estrada, se transformou. Rejuvenesceu uns quarentas anos. Parecia um foguete alado. Passava todos aqueles pangarés. Buzinava, dava sinal de luz pedindo passagem, ultrapassava pela esquerda, pela direita, uma festa só, mas depois de uns 80 quilômetros veio a canseira, acho que falta de ar e tivemos que parar. Tomou água, descansou e continuamos a marcha. Chegando em Balneário deixei ele na sua garagem, bem moderna por sinal, e ali ele ficou descansando da viagem, afinal foram oitenta quilômetros de aventuras. Mudanças de planos: por acumulo de bagagens e de passageiros o Agenor teve que retornar para Joinville para ajudar no transporte,, a mais ou menos cinco quilômetros da minha casa, outro incidente: por falta de alimento o Agenor não aguentou chegar até o destino. Depois de alimentado, concluímos o percurso. Um mês depois voltei para Balneário, agora definitivo. A viagem igual as outras. Quando ele se via na estrada se transformava. A velocidade tinha que ser controlada se não era multas e mais multas por excesso. Dessa vez havia, no prédio, mais uma moradora junto à sua garagem: uma mercedinha (paquitinha) linda. Claro que o Agenor, por ser um senhor, teve todo o respeito em dar à ela a parte frontal da garagem, ficando ele, com o fundo. A semana retrasada eu estive com ele. Levamos os dois no salão de beleza para fazer uma limpeza de pele e dar um passeio na nova orla de Balneário, diga se de passagem; linda.No lugar que ficava a paquitinha havia uma marca de sujeira no piso. Liguei para o meu sobrinho e disse que a paquita estava fazendo xixi no piso, Sabe o que ele me falou? Que era do Agenor; O Agenor, mesmo sendo um senhor, jamais faria aquilo, e outra coisa, ele não tem incontinência urinária. Eu disse a ele, mas ele não acreditou. Na despedida do Agenor, senti uma tristeza no seu olhar, agora não mais opacos, pois foi operado da catarata. Tive a impressão que ele sabe que vai passar por umas interversões traumáticas. Meu sobrinho vai trocar o coração dele, Vai colocar um mais potente, fazer um transplante de pulmões e colocar sapatos esportes. Ah, e novas lentes de contatos para enxergar mais longe. Infelizmente não posso interceder. Só posso desejar boa sorte e que tudo corra bem. Ivo Terra Mattos

Ivo Terra Mattos

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Ivo Terra Mattos

Um conto de outras primaveras passadas. Como era.... As moças de famílias com mais recursos financeiros, tinham que namorar os rapazes que fossem da mesma estirpe, ou que tivessem um bom emprego, de preferência em algum banco,. se fosse no banco do Brasil, melhor ainda. O preten…
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Um conto de outras primaveras passadas. Como era.... As moças de famílias com mais recursos financeiros, tinham que namorar os rapazes que fossem da mesma estirpe, ou que tivessem um bom emprego, de preferência em algum banco,. se fosse no banco do Brasil, melhor ainda. O pretendente que não se enquadrasse nos requisitos exigidos pela família da moça, só podia namorar "escondido." A moça que namorava "escondido", para ir ao cinema, tinha que sempre estar acompanhada com alguma amiga, ou com os pais, mas nunca sozinha.. O mancebo atrevido e sem os requisitos necessários, ficava por ali , na espera, na ante sala do cinema. Quando começava o filme, ele, na penumbra, saia procurando a moça. Vez ou outra,depois de estar sentado e curtindo a namorada, acontecia algum problema com o filme e as luzes se acendiam, era hora de se levantar e sair, deixando a moça sozinha. Assim que resolviam o problema com a fita, apagavam se as luzes, voltava o rapaz novamente a se sentar ao lado da namorada. Quando terminava o filme, aliás, antes do fim, o namorado já tinha que ir saindo, deixando a namorada sozinha. Normalmente alguns pais ficavam esperando a filha na saída do cinema, ou então, ela ia para casa acompanhada de alguma amiga, mas nunca com o mancebo. Os encontros extras, ou seja, fora da sala do cinema, eram sempre furtivos e rápidos. Quando os pais da moça descobriam aquele namoro, vinha o desfecho sempre com o argumento de que eles não haviam criado uma filha para aquele tipo de rapaz. Fim do idílio. Ivo

Sou dessa terra distante . Sou viajante errante. Não tenho raizes; germino pelo vento e
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Sou dessa terra distante . Sou viajante errante. Não tenho raizes; germino pelo vento e cresço pelo sol. Do tudo que sei, aprendi e ensinei Sou de idas e de muitas voltas, quantas forem necessárias As marcas das lutas travadas, silencio no meu coração. Morro e renasço nas minhas saudades, tantas vezes for preciso. Tudo que me sobrou, levo dentro da alma. Ivo