"LER EM TI"
Meu amor se queres saber onde estou
Procura-me por entre as páginas
Do último livro que lemos juntos
Procura-me nas cartas que recebeste
Das palavras de amor que me escreveste
Eu só quero apenas encontrar-te
Em cada porto que eu atracar
Em cada montanha que eu escalar
Em cada oceano que eu navegar
Em cada sonho que eu tiver
Em cada olhar fixo para o mar
Em cada esquina que eu andar
Em cada rua que eu caminhar
Em cada pensamento meu
Em cada momento só nosso
Se queres saber de mim meu amor
Procura entre as páginas do último livro
Ou no meio das cartas que me escreves.
"TUDO EM MIM"
Tudo, tudo em mim
É um abismo solitário que amedronta-me
São dias, horas, minutos de tempestades
Só me resta nestas alturas ou nesta madrugada
Entregar minha alma à poesia
Para embriagar, os meus dias a escrever
Levo os meus pensamentos
Para as águas intermináveis dos mares
Onde os marinheiros tomam conta do navio fantasma
De um caderno manchado de vinho
Rasgo e meto os poemas nas velhas garrafas de porto
Atiro-as ao mar, para que ele leve para longe toda a minha dor.
"EU TU, TU EU"
As palavras escritas
São deixadas no papel
A dizer muitas vezes
O inverso de uma mudança
Entre uma aparência
Com intenção implícita
De um encontro mútuo
Que corre de um gesto.
Amor hipnotizante entre
Dois seres apaixonados
Espero amor meu
O tempo do tempo
Por um amor intenso
E por instantes, nós
Estaremos entrelaçados
Ligados às palavras escritas
Que são deixadas no papel.
LUGAR NO CORAÇÃO
Eu quero levar-te para um lugar
Um lugar onde está o meu coração
Assim tu saberás como eu te amo
Quero beijar-te
E dividir as minhas noites
Eu não quero chorar
Mas se algum dia chorar
Que as minhas lágrimas
sejam sempre de alegria
Quero amar-te sempre com carinho
Na nudez das nossas almas, eternamente.
"DESCULPA"
Desculpa por ser tão imperfeita
Desculpa por desejar tudo de ti
Desculpa por não viver o que tenho
Desculpa por o meu medo ser maior
Desculpa pelas lágrimas que se perdem
Desculpa pelo silêncio ser mais forte
Desculpa por não saber esperar
Desculpa todas as palavras não ditas
Desculpa não conseguir ser mais do que sou
Desculpa por desesperar por não te ter
Desculpa por querer-te da forma que quero
Desculpa por não parar o nosso tempo
Desculpa por amar-te tanto, tanto que dói
Desculpa por pensar com o coração
Desculpa por ser tão incompleta como sou.
PASSEIO NO INVERNO
Passeio pelos quintais do nosso inverno
Procuro os sinais do último outono
Pegadas de uma quimera tola
Guardada a sete chaves no peito
Talvez esquecida na primavera
Folhas caídas, raios de luz guardados
No tão nosso esquecimento, chão seco
De tempos idos, nas desilusões desfeitas
Passos fracos, tímidos pelo vento frio
Doce inverno, destes passeios pelos quintais
Momentos tão nossos, vagam as lembranças
Foram tantas luas de felicidade, desenhadas de cores
Foram tantos dias de alegria, noites quentes
Longas de calor, amam-se com um simples olhar
Amavam-se nos quintais do longo inverno
Onde ficavam à espera que a primavera
Voltasse a florir outra vez, no recomeço do passeio.
"HAJA O QUE HOUVER"
Haja o que houver eu serei tua
Haja o que houver eu ficarei em ti
Haja o que houver, eu não vou desistir.
Haja o que houver, tu és o meu porto de abrigo
Tenho certeza, que vou amar-te até o fim.
Neste coração que bate como as águas nas fragas
Seremos sempre desejo ardente, amor presente
Haja o que houver, o nosso amor renascerá das cinzas
Só no teu olhar é que eu me perco
Nesse corpo que é teu, onde descanso o meu peito
Haja o que houver, saberei que contigo sou completa.
"HÁ HÁ DIAS"
Há há dias que me apetece chorar
Dias que me apetece rir e gritar
Onde coso e remendo
Todos os pedacinhos do meu oração
Onde coso e remendo
Todos os trapos que me cobrem o corpo
Onde coso e remendo
A minha alma já tantas vezes remendada
Há há dias que me apetece chorar, rir, gritar.
TOCAR NA ALMA
No tocar dos teus lábios
Cresce inseguramente um verso
No tocar do teu olhar
Nasce a confusão da carne
No tocar dos teus dedos
Sobe a ferocidade e o gosto
No tocar da tua alma
Cresce seguramente um poema
No tocar do teu corpo
Nasce a uva esplêndida de bagos maduros
No tocar do teu coração
Cresce a grande paz exterior do nosso amor
No tocar do nosso amado silêncio
Nasce o regaço dos corpos genuínos e inalteráveis.
ALMA DE PRANTO
Quando a dor não cabe no peito
A alma transborda de solidão
Não conheço, não quero conhecer
Ou talvez conheça a minha escuridão
Como posso lidar com a dos outros
Nas lousas frias, chegam as aflições
Rasgam o sol da escuridão já tão longa
Palavras duras que transbordam
Excessivamente a luxúria na sua ausência.
Solidão morta habitada, reservada e fria
Resignação quando o medo se torna grande
E a liberdade é tantas vezes pequena
Onde se descansa o corpo na cama estreita
A roupa que se veste, na alma é apertada
Cumplicidade que cresce sem asas
Silêncios de deslumbramentos sombrios
Perpétuos olhos feitos, em ousadias comum
Dor transbordada sem contingência solta no peito
Como posso lidar com a escuridão dos outros
Se não conheço a minha própria escuridão.
"PROCURO-TE"
Procuro-te no silêncio das árvores
Procuro-te entre ramos dobrados
Procuro-te dentro de um lugar sem tempo
Procuro-te nas cinzas da lareira lá de casa
Procuro-te nos pedaços de lenha que sobraram
Procuro-te num sonho a arder numa tela.
Procuro-te e decifro-te na solidão do verso
Procuro-te no céu invisível do pôr do sol
Procuro-te na desilusão por detrás do espelho
Procuro-te no vazio de um tempo incompleto
Procuro-te no luar da noite, no nosso quarto.
EU NEGUEI-TE
Deste-me uma casa, um teto e eu neguei-Te
Deste-me o pão nosso de cada dia e eu neguei-Te
Deste-me a vida e eu neguei-Te
Deste-me os braços, as pernas e eu neguei-Te
Deste-me amor e eu neguei-Te
Deste-me alguém para amar e eu neguei-Te
Deste-me os meus amados filhos e eu neguei-Te
Deste-me as rosas perfumadas e eu neguei-Te
Deste-me os olhos para ver e eu neguei-Te
Deste-me o sol, a lua e eu neguei-Te
Deste-me a chuva, a tempestade e eu neguei-Te
Deste-me as coisas mais belas que eu podia ver
Sentir e amar e mesmo assim eu neguei-Te
HOJE TALVEZ HOJE
Hoje deixa-me apenas
Descansar a cabeça no teu peito
Vou adormecer
Aconchegar-me entre os teus braços
No silêncio da tua voz
Entre os lençóis da nossa cama
Onde percorro cada palavra
Cada letra, cada verso
Como se do teu corpo se tratasse
Para sentir o teu calor
Junto ao meu, perder-me contigo
Ao perder-me de mim
Abraça-me meu amor, com ternura,
Sente-me em cada manhã
Não é pela idade, nem pela distância
Que o nosso amor arrefece
É por não experimentarmos
O grito contra o nosso próprio silêncio
Tantas vezes quietos, sem pensarmos
Não sentimos o coração
Hoje talvez hoje, na certeza meu amor
Adormeça nos teus braços
No silêncio da tua voz
Entre os lençóis da nossa quente cama.
2015
SENHOR
Senhor, estou vazia e carente do teu amor
Tudo o que quero é amar-te
Quero a minha alma pregada a ti.
Inunda o meu ser com o teu amor.
Preciso de encontrar um pouco de paz
Alguém por favor que diga-me, onde encontrar-te
Não tenho prazer no que faço e só sei chorar
Não quero morrer, só quero viver
E estar contigo no meu coração
Não me deixes sozinha neste momento de angústia e dúvida
Cuida de mim e mostra-me o caminho
Guia todos os meus passos
Acalma-me, tu sabes que eu fico sem sono
Estou triste e carente do teu amor.
"BRASA DE PRANTO"
Sinto-te como uma brasa
Que queima no meu corpo
De amor e paixão, do vento e da chuva
Desta tempestade que é o meu peito
Chora de amor e geme de pranto
Como é bom estar no teu peito
Deste teu corpo que arde de espanto
De mãos dadas, ficamos sozinhos a ver o luar
Desta noite quente, sentindo o teu mel
Sentindo o teu cheiro, deste teu perfume
Que me pões louca de amor e de pranto.
"CASTELO DE COR"
Sofro de amor e de solidão
Sou uma ilha deserta
Com um castelo sombrio
De um poço vazio cheio de escuridão
Sinto os meus cabelos brancos
Como o despertar de uma borboleta para vida
Um navio pirata que navega depressa
Que não deixo de ver o por o sol.
Porque sinto-me a envelhecer
Só envelheço se deixar de amar
Nesta ilha deserta tão escura desta solidão.
Não são os cabelos brancos
Que me impedem de voar
E o meu coração gelado que não sabe amar
Como as aguas desta ilha.
Deste castelo sombrio cheio de escuridão
Tem medo de sofrer nesta noite fria
Como o meu corpo gelado, desta longa solidão.
"MÃOS DADAS"
Passear na praia contigo
É como que só fôssemos um
Sentir a areia nos pés e as ondas do mar
É amar-te sem fim.
As nossas melhores conversas
São e serão sempre em frente ao mar
Andar de mão dada contigo
É como que se eu fosse tu e tu fosses eu
Olhar-te é ver o teu amor refletido
No teu olhar e sentir-me na lua.
"SER MULHER, A TUA"
Hoje desenhei a saudade no papel e vi que ela tinha olhos.
Lá fora faz sol, nesta primavera fresca da nossa vida.
E eu, em frente do computador, tento alinhar umas palavras
para me libertar por alguns momentos desta inquietação
Enquanto escrevo penso noutras coisas, penso em ti
Quero ser a mulher dos teus sonhos
Aquela que amas e mais admiras
Não quero ser aquela que nunca falha
Que é perfeita aquela que tu, colocas num pedestal
Tu sabes que sou povoada de imperfeições.
Não quero ser bajulada, mas sim muito mimada
Quero ser aquela com quem reclamas
E que reclama tantas, tantas vezes contigo.
Aquela que erra, mas que sabe pedir-te desculpa.
Que contigo adormece e te aquece quando a cama está fria.
Aquela a quem tu preparas tantas vezes com carinho
O pequeno almoço, o café pela manhã.
Quero ser aquela que te ama, e a quem tu amas
A que te dá um abraço num dia mau
E a que precisa de um carinho teu
Quero ser a mulher dos teus sonhos
Aquela que amas e mais admiras "SER MULHER, A TUA"
2015
"A TUA"
Quero ser a mulher dos teus sonhos
Aquela que amas e mais admiras
Não quero ser aquela que nunca falha
Que é perfeita aquela que tu, colocas num pedestal
Tu sabes que sou povoada de imperfeições.
Não quero ser bajulada, mas sim muito mimada
Quero ser aquela com quem reclamas
E que reclama tantas, tantas vezes contigo.
Aquela que erra, mas que sabe pedir-te desculpa.
Que contigo adormece e te aquece quando a cama está fria.
Aquela a quem tu preparas tantas vezes com carinho
O pequeno almoço, o café pela manhã.
Quero ser aquela que te ama, e a quem tu amas
A que te dá um abraço num dia mau
E a que precisa de um carinho teu
Quero ser a mulher dos teus sonhos
Aquela que amas e mais admiras "SER MULHER, A TUA"
"ESPERO POR TI"
O quarto está vazio e triste
A nossa cama está vazia
A chuva cai com muita força
O vento abana os ramos das arvores
E eu sozinha, nesta noite, neste quarto.
Quero pegar-te e fazer-te enlouquecer
Agarrar-te a noite inteira meu amor
Sentir a tua barba a picar no meu rosto
Com o teu doce cheiro a canela
O quarto está à tua espera e eu também.
SENHOR
Senhor, nesta noite de primavera.
Quero pedir-te
Por todos aqueles que estão abatidos
Que se sentem desanimados
Que se sentem sós e que estão doentes
Pelos pobres de pão e de espírito
Por todas as famílias que neste momento
passam por muitas necessidades
Pelos que não tem trabalho
Pelas nossas crianças
Que muitas vezes vão para a escola sem comer
E que são vitimas de violência
Por todas as mulheres que são obrigadas
Abortar os filhos que já amam
Ou por circunstâncias da vida
Ou ainda inconscientemente não sabem o que fazem.
Dá-lhes força e coragem para entregarem-se a Ti
Com Fé,esperança e o amor.
Eu amo-te e peço-te perdão pelos que não crêem.
Rezemos um Pai Nosso.
"DA MINHA JANELA"
Da minha janela ouço.
A chuva a bater no vidro
Vou ficar aqui para ver a chuva cair
Faz-me lembrar que o teu cheiro ficou em mim
Vou chorar, mas de saudades tuas
Que saudades tenho de ti
É como o cheiro da chuva e as lágrimas a cair
Amor tu que incendeias toda a minha alma
Pois não posso mais voar
Sai de mim amor cruel, és a tormenta
Dos meus pensamentos loucos
Tu és a minha fogueira onde arde o meu coração
Amar as estrelas é amar-te na luz
Sentir a brisa do mar na minha cara
São como beijos molhados a sal
Tens um sorriso tão belo e feiticeiro
Sai de mim porque a saudade faz-me chorar
Amar-te é paixão assolapada.
"SENHOR"
Senhor, hoje acordei triste
Não quero queixar-me apenas sinto-me triste
Quando as suas lágrimas caírem
Não faça delas amargura mas sim de esperança
O choro pode durar
Uma noite mas a alegria vem ao amanhecer
As lágrimas que até hoje nós derramamos
São os teus anjos que as recolhem
Para que Tu guardes cada uma delas no teu coração
Eu entrego-te todos os meus temores e necessidades.
Tu consolas-me com o teu amor
E dás-me a esperança da tua misericórdia para comigo.
As pessoas que eu achei que eram belas e inocentes
Afinal mostraram-me um mar de espinhos e solidão
Podem-me despojar-me de todos os bens e injuriar-me
Podem ofender a minha boa fama mas nunca privarem-me de ti.
PERFUME DE BEIJOS
Queria ser um perfume
Com o teu cheiro e os teus beijos.
Vivo a minha dor no meu sombrio castelo
Que é este meu triste coração
Choram lágrimas de sangue, pois vivo na solidão
Queria ser um jardim, para sair da escuridão
Deste meu mundo fechado, que é a minha razão
Queria colher as flores do campo, para viver com paixão
Seguir o leito do rio, deste meu frio coração
Tirar os espinhos das rosas, deste meu castelo sombrio
Deste meu sangue vertido, para derreter o gelo
Do meu coração sombrio, que é esta minha paixão.