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Frases de Isabel Morais Ribeiro Fonseca

3.189 frases

RUDE DE AFETOS Óculos escuros, caligrafia ao luar Tento escrever para não ter medo
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RUDE DE AFETOS Óculos escuros, caligrafia ao luar Tento escrever para não ter medo De sofrer, de pensar, de amar Partir as correntes, que prendem o silêncio Grito ao vento, para não viver um inferno O sofrimento que dura momentos Dança noturna feita em desenho Na areia da praia, estratégia da alma Ferida, magoada, saciada de desejo salgado Ocultos sentidos de esguios instantes Promessas alimentadas numa fogueira de cinzas Rochas plantadas no coração rude infeliz Sobre os pés de um pobre coitado, abandonado Braços abertos, loucos de poesia Sobre o regaço da imensidão Mente fria, fechada, alheia a tudo Luz que procria, que prevalece, na lucidez Chama refletida nas profundidades Dos olhos cegos, doentes, disfarçados, massacrados Nas ventanias do desassossego, arrancadas de dor Solitária escuridão de um caminho perdido No tempo esquecido de afetos sentidos de flores De amores, de emoções, rude talvez de afetos.

FIGUEIRA DA VIDA Eu nada sou, para lá desta dor Recolho os pedaços, fio das lembranças
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FIGUEIRA DA VIDA Eu nada sou, para lá desta dor Recolho os pedaços, fio das lembranças Gritos na alma dos meus contos Que são quadras de amor, de dor Recomeço na figueira da vida Já não tenho tempo para ilusões Sei que a figueira que plantei Olha-me entre as ramagens das suas folhas Observa-me nesta minha quietude Quietude onde agradeço todas as decepções Em cada dificuldade e nos tombos dados Que tive ao longo da minha vida Sei que a figueira que plantei Alberga agora um ninho de pássaros Que as folhas veem-me entre os livros Desfolham-se nas asas em lágrimas de pedra Resguardo sem destino de sol e chuva Envolto de nevoeiro nas palavras Orvalho nos lábios das folhas da figueira Que plantei com o recomeço sem ilusões.

O MEU NOME É MARIA O meu nome é Maria A quem chamam e chamavam
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O MEU NOME É MARIA O meu nome é Maria A quem chamam e chamavam De retornada na escola Quando cheguei à Metrópole Eu já vivi uma guerra, uma guerra sem nome Eu já vi pessoas a morrer e a matar sem piedade Tinham dor e sofrimento no rosto e gritos na alma Recolhi todos os pedaços, com um fio as lembranças O meu nome é simplesmente Maria Eu já vi fome, a morte, a dor e o sofrimento Eu já vi crianças como eu a chorarem de fome Eu própria já passei e vivi com ela Eu já vi a morte mesmo ao meu lado Eu já vi homens armados com tanques a descer a minha rua Eu já vi pessoas a fugir, só com a roupa do corpo Eu já vi a dor nos olhos das crianças como eu Eu já vi o sofrimento de quem perdeu tudo e nada tem Eu já vi as crianças da minha escola a fugir Dos soldados inimigos, onde eu própria fugi Eu já vivi uma guerra, uma guerra tão estúpida A quem chamavam e chamam liberdade. Eu apenas chamo simplesmente de saudade.

LIBERDADE POÉTICA A poesia não tem partido Não é da esquerda, nem da direita
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LIBERDADE POÉTICA A poesia não tem partido Não é da esquerda, nem da direita A poesia não tem cheiro, ela é perfumada A poesia não tem cor, é multicultural A poesia tem a liberdade escrita na mente A poesia é amada falada e recitada A poesia vive no presente, no passado, no futuro A poesia está agarrada à carne ao corpo A poesia corre no sangue, fervendo nas veias ............De quem escreve ou escreveu De quem leu ou lê, de quem sofreu, de quem amou.

"SOU OU TALVEZ NÃO SOU" Sou como sou mais nada Sou ou talvez não sou
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"SOU OU TALVEZ NÃO SOU" Sou como sou mais nada Sou ou talvez não sou Sou endiabradamente sossegada Não sei ser conformada Sou exigente comigo Não sei calar-me Sou calmamente apressada Não sei ficar quieta Sou efusivamente tímida Não sou possessiva Sou terrivelmente doce Não sou amargurada Sou duramente sensível Não consigo deixar os outros sofrer Sou o que sou, feliz mais nada Sou ou não sou, como sou mais nada.

"CARÍCIAS TUAS" Ensinaste-me a amar-te Mostraste-me o caminho de volta.
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"CARÍCIAS TUAS" Ensinaste-me a amar-te Mostraste-me o caminho de volta. O meu pensamento, o meu sentimento Esta voltado para ti, só para ti meu amor Ele pernoita nos meus dias e noites Já esqueci-me de quantas vezes morri Morri de tantas saudades tuas, meu amor Insisti em renascer no amor que nós temos Para voltarem a entrar no nosso quarto os carinhos Neste jogo de olhares, transposição de lugares E no teor dos nossos quentes sabores Voltei a encontrar um arrepio nas caricias que se sente No nosso amor, no momento, no pensamento Um sentimento que deixamos dentro um do outro

FADO DA SAUDADE Fado vadio, fado da saudade Nesta noite fria bebemos um vinho
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FADO DA SAUDADE Fado vadio, fado da saudade Nesta noite fria bebemos um vinho Um tinto maduro, amargo como a vida Com o travo a alecrim, a rosmaninho Ou talvez um bom vinho do porto Na sala toca-se, canta-se o martírio maior O fado de dor, da saudade meu amor Choram as nossas dores ao som dos passos Da vida feita em pedaços, melodia orvalhada Refeita de felicidade, do passado, presente Na sala o silêncio é total, nesta noite fria, já quente O coração fala mais alto, segredos sem voz Com o silêncio a tristeza cala-se, inibe-se de amor Na rua escura ausente de pranto, não passa ninguém Voz magoada, flor do deserto, de uma canção tão bela Que nem às paredes caiadas, nem a Deus me confesso Dos teus fixos olhos castanhos, já presos nos meus Fado de lágrimas cansadas de quem já muito ama e amou.

PÔR DO SOL Estou tão cansada de sonhar Das flores que eu amo, secaram
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PÔR DO SOL Estou tão cansada de sonhar Das flores que eu amo, secaram Morreram no jardim da saudade De sentir na alma uma tempestade Num abrir e piscar de olhos De uma obscuridade palpável Em duelos feitos de cúpulas na noite Refeitos em pérolas, diamantes Pôr do sol em fluxos turbulentos Há sempre um demônio que vive entre nós Mesmo quando o sol se põe no horizonte Cuja alma pertence ao inferno Estou cansada dos sonhos que desfalecem Amar as coisas que não são eternas De confiar e esperar por novos sonhos Estou cansada, tão cansada De todas as lágrimas perdidas, esquecidas.

"BILHETE" Sem tempo hoje escrevi um bilhete Um bilhete de um só fôlego
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"BILHETE" Sem tempo hoje escrevi um bilhete Um bilhete de um só fôlego Nesta manhã orvalhada, caminhei Caminhei pelos campos da memória Senti a minha alma solta, perdi-me em saudades Pedi oh alma, volta logo, não me deixes preocupada Altas horas, minutos silêncios, tantas vezes ruidosos Onde o tempo passa depressa e escorre pelos dedos Fôlego escrito que disfarça a sua ânsia ou talvez a nossa Pensamentos que suspiram, vagueiam e gemem Escrevi num bilhete, toda a minha dor Numa folha amarrotada, gasta e talvez devotada Meti-a numa garrafa, enterrei-a na areia da praia Vieram as ondas, do mar revoltado já muito zangado Levou para longe, toda a dor da minha alma.

" FLORES FILHOS" Os nossos filhos São as flores mais belas
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" FLORES FILHOS" Os nossos filhos São as flores mais belas Do nosso amado jardim Obrigado meu amado Jesus Pelas mais belas flores Que me deste, que eu tanto amo. .......Os nossos filhos São seres emprestados Para os amarmos com os maiores .........Ou menores defeitos Ser mãe é o maior ato de coragem É não ter medo de os amar e de os deixar voar.

SENHOR Senhor, todos os dias Temos novos desafios
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SENHOR Senhor, todos os dias Temos novos desafios Muitas vezes algumas surpresas Tristezas e alegrias A vida é feita muitas vezes assim Ás vezes deparamos-nos Com situações que nos afligem Que nos fazem sentir medo e solidão E tantas vezes choramos Mas saiba que cada momento Da nossa vida...cada lágrima caída Por cada sorriso que é dado Ele nunca esquece-se De anotar as nossas lutas Os nossos choros. Nunca desista dos seus sonhos. Pode ter certeza que o Senhor nos ama.

ESPELHO DA LUA Cabelos soltos, casa esquecida, perdida do monte Árvore de folhas mortas em pés descalços
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ESPELHO DA LUA Cabelos soltos, casa esquecida, perdida do monte Árvore de folhas mortas em pés descalços Corações partidos no espelho da lua Nevoeiro esquecido na mente estragada Rasteja nos corredores, nas escadas de ferro Casa escura húmida desabitada ou talvez habitada Medo do fumo das chaminés da nossa alma Tempestades de um velho conhecido em cinzas Casa vazia de sonhos, de pessoas, de palavras Vento do leste, camas solitárias de ferro vazias Ruminar no interior ou ainda a contar as sílabas Sobreviver onde morre a carne, amolece o coração Alimentam as sombras, sombras coalhadas Que ferem e machucam o corpo tantas e tantas vezes De joelhos em repouso reza o terço, num rosário velho Objeto da sua alma confidente de cada dia, de cada noite.

SILÊNCIO Eu conheci o silêncio O silêncio da cidade
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SILÊNCIO Eu conheci o silêncio O silêncio da cidade O silêncio da nossa vida O silêncio da serra, do monte O silêncio do inferno O silêncio da escuridão O silêncio das profundezas O silêncio do mar e da sua brisa O silêncio das tempestades O silêncio dos raios de sol O silêncio dos teus olhos O silêncio do nosso quarto O silêncio da tua rouca voz O silêncio do nosso tempo O silêncio das folhas do vento Eu conheci o nosso amado silêncio.

"TU EU SÓ TU" Ser mulher é querer ler-te, reler-te Nas palavras que não podem calar
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"TU EU SÓ TU" Ser mulher é querer ler-te, reler-te Nas palavras que não podem calar Nas lágrimas que deixaram de cair Com os sentimentos da emoção Tu só tu, que provocas Provocas a minha insanidade Na minha louca paixão Que brincas com a minha loucura Na razão do meu viver Onde inquietas os meus medos Nas lágrimas que teimam em cair Tiras todos os meus receios Nas palavras que não podem calar Ser tua é querer ler-te, reler-te Nas lágrimas que deixaram de cair Com os sentimentos da emoção

POESIA SOLTA Com a minha doce poesia Posso embrulhar as fitas da liberdade
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POESIA SOLTA Com a minha doce poesia Posso embrulhar as fitas da liberdade Com as minhas ternurentas tranças A saudade de todas as minhas lembranças Memórias que derretem com o tempo Sopram assobiando em silêncio com o vento Derramam uma ou mais que uma lágrima Sem ser envergonhada, sem ser atrevida Apago todas as minhas pegadas deixadas por mim Sem nunca ter medo de dizer sim, mas também dizer não.

AMO-TE, TU SABES Tu sabes, que em cada palavra escrita, estás tu Tu sabes, que te amo, ontem, hoje e amanhã
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AMO-TE, TU SABES Tu sabes, que em cada palavra escrita, estás tu Tu sabes, que te amo, ontem, hoje e amanhã Tu sabes, que somos e fomos feitos um para o outro Tu sabes, que contigo tremo e desoriento-me Tu sabes, porque te deitas todas as noites comigo Tu sabes, porque te enrolas nos meus braços Tu sabes, mesmo ausente, em mim estás sempre presente Tu sabes, que partilhamos quase sempre o mesmo pensar Tu sabes, que somos e seremos um só, em corpos diferentes Tu sabes, que nascemos para amar, para amarmo-nos Tu sabes, porque eu sinto e respiro o teu amor Tu sabes, que em cada letra que escrevo, está atada a ti Tu sabes, que em cada frase que escrevo Há um pedaço da tua existência......Tu sabes e saberás Que no meu pensamento..............Estás e estarás presente Tu sabes, que em cada decisão que tenho de tomar .......................Tu estás sempre incluído. Tu sabes, tu sabes, que vou amar-te, ontem, hoje e amanhã. .........- Amar-te sabe bem........Tu sabes amor-

"VERMELHO" Vermelho é o meu desespero, coberto de nada O vermelho é meu desencantado, vestida de noite
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"VERMELHO" Vermelho é o meu desespero, coberto de nada O vermelho é meu desencantado, vestida de noite Fecho a janela, abraço-te no meu leito. Amo-te com toda a paixão do meu coração Beijo-te no vermelho dos teus lábios No vermelho corre forte nas minhas mãos Os teus abraços são mais fortes que os meus Doce era o vermelho que amei no teu corpo Suave quando o meu corpo começou a entardecer Desmaiei com os teus olhos, nos meus Quando os teus devolveram-me um vermelho de fogo De vermelho me visto nesta via sacra entre o ser e o nada Entre o viver e o não viver, o vermelho é e será A marca de amor que ficara para sempre, em ti, em nos.

"SOMOS ESCRAVOS" Resplandecente dor neste deserto de luz Paira no ar como a brisa do mar
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"SOMOS ESCRAVOS" Resplandecente dor neste deserto de luz Paira no ar como a brisa do mar Escravos condenados a trabalhos forçados Pagam a casa, o carro, a escola dos filhos Vivem muitas vezes em selvagens conflitos Sentam-se à frente da televisão Almas almejadas, egoístas e fracas A viver, sem viver. O ingrato sacrifício Vidas com espadas, choques em ferro armado.

"EMOÇÕES" É no amor que revela-se Ao olhar com o coração
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"EMOÇÕES" É no amor que revela-se Ao olhar com o coração Beleza calma das palavras Das escolhas e das emoções Caídas como folhas no outono Aos pés de quem mais amas Tu encontrarás sempre nas linhas Silenciosas dos meus versos A beleza calma das nossas manhãs Na ternura das flores do jardim Como se fosse sempre primavera Guardada numa caixinha dentro da alma Sentimentos apaixonados nos poemas Onde eu exalto-te o meu sensível amar Vou tecendo cada palavra amorosa em poesia Suaves murmúrios expostos nas minhas emoções.