RUDE DE AFETOS Óculos escuros, caligrafia ao luar Tento escrever para não ter medo
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RUDE DE AFETOS Óculos escuros, caligrafia ao luar Tento escrever para não ter medo De sofrer, de pensar, de amar Partir as correntes, que prendem o silêncio Grito ao vento, para não viver um inferno O sofrimento que dura momentos Dança noturna feita em desenho Na areia da praia, estratégia da alma Ferida, magoada, saciada de desejo salgado Ocultos sentidos de esguios instantes Promessas alimentadas numa fogueira de cinzas Rochas plantadas no coração rude infeliz Sobre os pés de um pobre coitado, abandonado Braços abertos, loucos de poesia Sobre o regaço da imensidão Mente fria, fechada, alheia a tudo Luz que procria, que prevalece, na lucidez Chama refletida nas profundidades Dos olhos cegos, doentes, disfarçados, massacrados Nas ventanias do desassossego, arrancadas de dor Solitária escuridão de um caminho perdido No tempo esquecido de afetos sentidos de flores De amores, de emoções, rude talvez de afetos.