"MORRER VELHO OU NOVO"
Meu amor(marido)Meus amores(filhos)
Escrevo de mim antes de envelhecer
Tudo o que sai de mim voa, para o papel.
Tudo vai-se, tudo esvai-se, permanece talvez só meu.
Nada em mim fica, do que vocês já não amem
Meus amores, um sorriso cultiva tantas vezes
O silêncio gentilmente disfarçado
Num poema triste de palavras minhas
Do teu silêncio ou silêncio nosso
Por isso quando o meu corpo estiver cansado
Talvez já cansado de mim, meus amores
Na minha modesta velhice
Deixa-me ser criança ainda que não aches graça
Deixa-me falar, ficar rabugenta
Zangada comigo e com a vida, tenho esse direito
Quando não quiser falar
Deixa-me com o meu silêncio, com os meus botões
Respeitem a minha vontade
Pois apesar da velhice
Talvez a minha memória esteja boa, ou não
Eu nunca me importei com o que as pessoas pensam
Não é agora que me vou importar
Não tenham vergonha de andarem comigo
Deixem-me ser criança
Apesar de ser velha devo ter uma alma irrequieta
Não me deixem sozinha
Mas gosto de observar-vos
Sempre gostei de vos ver à minha maneira, tão minha
Observar-vos era e é para mim uma bênção dos céus
Sejam amorosos comigo, quando eu começar a dar mais trabalho
Pacientes como eu fui com vocês, meus amores
Todos vamos chegar a ser velhos
Se não chegarmos é porque morreremos novos
Será melhor morrer novo ou velho?
Espero que Deus seja bom na minha escolha
Se não mais uns anos nos espera, nesta velhice já anunciada.
"PEDAÇOS DE MIM"
Pedaços de mim, pedaços da vida
Caídos no mais profundo de mim
Enluto-me de preto aveludado
Num tributo à lua visto-me de noite
Como a lua, tem fases, oculto a minha dor
Sob a cicatriz repousa em silêncio a ferida
Vestida de vermelho porque me deleito
Com o teu olhar inibido, os teus olhos me despem.
Rabiscos como repousa a dor da árvore cortada.
Traços vincados diante do espelho
O olhar dela sempre se desviava para as rugas
Nunca olhava nos seus olhos tinha medo
De ver a sua pobre alma enrugada
Um dia a sua alma teria menos rugas que seu rosto.
E as rugas do rosto teriam menos importância
Pedaços da vida caídos no mais profundo de mim
Poço de dor, de memórias, lembranças delicadas
De uma vida repleta de felicidade feita de pedaços
Da vida e talvez pedaços de mim.
MOLDURA
Moldura da manhã
Fria como o gelo
Imerso em mim mesma
Cravo a dor de um amor perdido
Estrada infinita
Cheia de noite sem luz
Remoendo os pensamentos mais cruéis
Inverno sem cor louco de amor
Simplesmente branco como a neve
Ilusões passageiras do abismo da poesia
Sorte delirante de um poeta
Perdido com um grão de areia
Decadência em cada verso escrito
Sonhos que morrem nos becos das esquinas
Nas sarjetas imundas, abandonado à sua pouca sorte.!
TEMPO DE AMAR
Ser mulher
Entre as linhas e os suspiros
Entre o silêncio, entre ferro e fogo
Piano de teclas vibrantes, abafadas
Mergulho de palavras, secas na boca
Cheios da noite, rasgadas no sentimento
Ama as estrelas, as dores, lágrimas comuns
Escreve na sua imperfeita, a perfeita melodia
Vícios de palavras despidas, rasgadas de tinta
Inventa um poema de letras mudas, sentidas
Mulher de coragem suspira de saudade
De amor, eternizando os sonhos, os sorrisos
Entre outros momentos.
"GRITO"
Este grito preso na garganta.
Este olhar de tristeza
Faz transparecer a dor
Todo o sofrimento e lamento
Caminhas sempre nos meus pensamentos
A noite é sempre a melhor companhia
Procuras entender
A dor que cessa no meu peito
Olhas o céu escuro
Com as lágrimas a cair do meu rosto
Pedindo respostas a tantas perguntas
Na esperança de encontrar a paz remendada
Cansada de esperar a cada decepção
Vida sofrida de um coração doente, que clama por ti
As palavras são espinhos que ferem a alma
Escritas faladas de milhares de formas
Que nunca se pondera expressar
De amor, de dor, de lamento, de pranto.
"SINFONIA"
Passeiam os escritos da minha poesia
Pensamentos tão meus em versos
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Que vestem-se de letras, com as palavras
Amo-te, sonhei contigo a noite inteira
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No expoente de todo o meu sentimento
Onde o meu beijo desaguou na tua boca
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O teu olhar me fez viajar, ao ir além dum sonho
Sonho lentamente, numa tarde com palavras
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Que suporta qualquer destino, sem horizonte
Outono gracioso, apaixonado, quente tão nosso
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Que marchariam a nu, todos os poemas ousados
Num futuro que será sempre nosso, muito mais do que
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Posso explicar a escrever com a cumplicidade
Desde o meu respirar ao bater do meu coração
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Sabendo que sou só tua em cada acorde dum violão
Nas notas que toca uma sinfonia linda, uma sinfonia antiga.
"SÍLABAS"
Espelho meu
Este espelho que é a nossa alma.
Que tantas vezes nos fascina.
Somos como peças perdidas.
Vendavais; tempestades...
Somos o que deixamos de ser.
O nosso próprio reflexo.
Árvore esquecida, sofrida.
Na sofreguidão do ter.
Esquecemos, não amamos.
Sonhamos sem viver.
Vivemos sem nunca sonharmos!
Por mais que tentem...
Nunca acabarão com o amor e o ódio.
Nem todos os cremes do mundo acabarão
Com as rugas do nosso rosto.
Nem com a dor da distância
Nem com a saudade em cada sílaba que escrevo.
"ENQUANTO"
Enquanto lês, escrevo em silêncio
Enquanto fomos um do outro
Enquanto o terço for meu no teu
Enquanto o beijo tenha o gosto meu
Enquanto fizeres o meu abraço teu
Enquanto fores um berço meu
Enquanto eu for um sorriso teu
Enquanto fores um caminho meu
Enquanto eu for um abrigo teu
Serás amor e vida, bem vindo em mim
"ESPINHO"
Nunca imaginei que um dia
Me encontraria tão vazia
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Tão triste
Como me encontro hoje.
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A solidão isola-me
Como as ondas do mar.
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Na cama onde me deitava
Havia rosas perfumadas
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Agora só há espinhos
Que me cortam a alma.
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Sufoca-me a emoção
A saudade, da minha solidão.!
Gosto dos dias chuvosos
Da sua simplicidade, do café, chá quente
A chuva é uma melodia agridoce, uma sinfonia
Tocada pela melhor orquestra do nosso mundo
São momentos melancólicos de palavras doces
Que a chuva que cai destes dias ou noites
Inundem os nossos corações de fé, de amor
E transbordem de felicidade e alegria
"AMA-ME"
Ama-me e eu amar-te-ei
Até ao meu último respirar
Vem abraça-me, fica no meu peito
No meu pensamento, no meu coração
Na carne que te sente ardentemente.
Ama-me e eu amar-te-ei, até ao meu último respirar.
SUSPIRO
Com a luz dos teus olhos
Sobre o brilho das estrelas
A praia é iluminada
Sente-se os reflexos da lua sobre o mar
Dançamos a música do mar, sobre as suas ondas
Passeamos com as nossas mãos entrelaçadas
Sentimos as nossas almas ligadas
Viajamos entre os nossos sonhos
Entre os nossos desejos
Suspiramos e beijamo-nos
Nas asas dos ventos, onde nós, nos amamos loucamente
Onde a nossa boca queima os nossos anseios !!
SOL DA MANHÃ
Faz de mim meu amor a tua metade
Faz do meu peito
Do meu corpo, o teu lar
Faz da saudade
Uma recordação que habita em mim
Desnuda os meus medos
Por uns simples momentos
Por momentos ama-me
Tanto como eu te amo.
Procuro-te em sonhos calada
Nas horas tardias da madrugada.
Deixa-me padecer no teu beijo
Como no escárnio do amor que sinto.
Por uns simples segundos
Almanejo abraçar-te com o meu corpo.
Roubaste-me o coração
Onde vagueias pelas noites
Tristes do fado calado.
Peço-te meu amor, que me bombeies
O coração já tão fatigado
Que me desnudes o corpo
Que me dispas a alma
Que desvendas o coração
Nas juras provadas
Nas palavras caladas
Nas promessas de amor.
Dá-me um abraço para eternidade
Um beijo para calar os meus desejos.
Fica comigo esta noite
Esta noite quero acordar contigo
Para ver o sol pela manhã.
SOLIDÃO
Eco das fragas
Grito de dor
..........
Giesta queimada
solidão na serra
........
Uivo do lobo
fome no caminho
........
Grutas no monte
sombras escuras
..........
Semeamos a terra
fértil seara
........
Estevas perfumadas
dormir ao relento
...........
Corriça vazia
pastor só
.......
Escola vazia
tempo perdido
..........
Aldeia perdida
morte certa.!
Todas as noites
Abro a porta a minha alma com o fogo
Deixo que no silêncio da noite
O meu corpo seja um regaço de pétalas
Que o meu olhar entre nos livros da minha solidão.
"CARRIL DE EMOÇÕES"
Escrevo as palavras que atravessam a alma
Como um carril de emoções nos atalhos da vida
As letras viajam na escuridão dos túneis
Onde resvalam nos pedragulhos dos carris
Das vertigens do nosso silêncio.
As sílabas escoam os gritos descarrilhados
O poema nasce da dor do poeta que morre de amor
Ventre sofrido ao parir as letras
De um amado sentido poema
Palavras escritas na alma num carril enferrujado
Sem gestos nas mãos evasivas de um doce silêncio
Estação velha sem viajantes
Onde as palavras tem um travo amargo
O vinho em cima da mesinha de cabeceira esta azedo
As salivas fogem do poeta no bolso das calças
Historia inventada de palavras
Nos carris numa passagem de nível
Ferindo os pensamentos de gestos estranhos
Desperdiçando as palavras escritas numa folha em branco
Na memória de um poema nos tuneis
Dos atalhos da vida sem tortura.
"AMO-TE"
Amo-te, porque eu sei
Sinto-o meu amor no meu peito
Como o vento que bate na minha face
Como a chuva que cai pelos meus cabelos
Como o sol que ilumina o meu rosto
Como um dia que nasce de novo
Como a noite traz a lua ou a escuridão
Como as estrelas brilham no céu
Eu sei porque eu amo-te simplesmente
Dos meus, dos teus olhos que falam
Dos meus, dos teus lábios que beijam
Dos nossos abraços que o coração sente
Dos gestos sentidos, das frias tardes de inverno
Das quentes manhãs do verão
Das frescas noites de Primavera.
Amo-te, porque eu sei, sinto-o no meu peito.
AME E SEJA FELIZ
"BEIJO"
O nosso beijo perdeu o sabor.
O nosso corpo perdeu a cor
Os olhos choram de um abraço
O mundo esta vazio sem ti
Quero-te de volta a minha vida
Para me ensinares a amar outra vez
O corpo morre no meio da noite
Para que nasça a alma no amor
O nosso beijo ganhou a cor
O nosso corpo ganhou o sabor
O nossa alma renasce no amor
O nossos olhos ardem de paixão
"MALDADE"
Esta sede de escrever
Que cresce dentro de mim.
Mais uma folha escrita, gravada no meu ser
Para quem a quiser ler
Não fica para os mortos, nem para os vivos
São muitas noites, muitos dias
Muitas mágoas, muitas alegrias
Os homens são como, os lobos famintos
Que descem à aldeia, onde espreitam
Um descuido só para atacar
O homem abre as portas à dor
A miséria a toda hora, o nosso mundo
Está sem trilho, sem tempo
Com medo de acender, de ter a luz acesa
Para que não fique esquecido
Fica escrito, gravado para todo o sempre
Para que no futuro possam ler, ouvir
Mesmo que o queiram destruir
Os homens são piores que os lobos famintos
Que espreitam, um só descuido para atacar
Abrem as portas a tudo que os fazem sofrer
A maldade, a luxúria, a avareza, ao materialismo puro.
"ESPELHO ENCANTADO"
Deste lado do espelho
Apenas eco de palavras.
Entre o silêncio que chama
Das minhas, das tuas incertezas
Assisto ao bailado dos dias que não entendo
Bebo este vinho entardecido numa garrafa
Que como eu não respirou.
Fogo em que me queimo, no silêncio espero
Vem-me à memória os dias em que o céu rasgou-se
Para trazer-me a embriaguez das palavras.
É como beber a incerteza
E decantá-la no odor das palavras
Capto-lhes o sabor, bebo-as de esperança
Engano-me, como me engano aqui deste lado do espelho
O perfume do teu olhar, do teu corpo oferecido
Feito de lenha, para arder, queimar.
Soam as badaladas de um relógio maluco
Que resolveu cantar as avé-marias ao meu ouvido.
Olhar suspenso de lágrimas cansadas
De um espelho numa casa vazia, abandonada
Por alguém que vos olha do outro lado do tempo sem sorrir!
"DESÇO NA ESPERANÇA"
Desço, a rua escura
Mal iluminada, empedrada
Desço-a ao sabor
Do vento de pés descalços
Lentamente
As noites douradas descem as serras
O rio passa pelas árvores
Olmos que balançam
Brincam com as folhas caídas, coloridas no outono
Alma incompreendida envolta numa esfera de sonhos
Chega à vila envolta de solidão
Na alta madrugada
Inegável capacidade
De sempre em permanecer sozinha
Compreensão incompreendida
Que procura por um navio
Que traga um tesouro
E que juntos naveguem por mares
Onde a noite na serra, seja iluminada
Com o brilho das estrelas.
Alegre como as águas do rio
Perfumada como as flores do campo.
Desço a rua escura, empedrada
Mal iluminada, ao sabor do vento
Entre as águas do rio de pés descalços
Desço na corrente da esperança.
02-01-2015
"CASA DAS PALAVRAS"
Contigo os meus olhos não te largam
Não te deixam, viajar para longe de mim
As minhas lágrimas, precipitam-se abruptamente
Dou-te um tempo, para reencontrar-te
Dou-te um beijo, um abraço na alma
Noite eterna que esqueceu-se de esperar
Como se não fosse fácil acreditar
Tal como o amor, o tempo
Pode não ser mais que um mercador de palavras.
Nada sente na sua loucura estilhaçada.
Nem as pedras dos distraídos
Onde alcançarão os vidros partidos das janelas
Sem vidros, sem portadas
Numa casa abandonada por todas as palavras
A minha mão cravou na tua, porque não quer que tu vás.
Tocou na tua alma
Onde perco-te nessa imensidão de felicidade.
NASCE O AMOR
Hoje o dia nasceu mais cedo
Tenho nas minhas mãos
Uma camélia linda e perfumada
Que apanhei para ti
Transporta nas suas pétalas o carinho
O amor que sinto por ti
Dias e noites de beijos roubados
Nas desalinhadas letras
Que se entrelaçam nos nossos corpos.
Deste amor que nasceu e nasce todos os dias.