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Frases de Idenir Ramos

209 frases

Penso repenso refuto repasso resmungo, logo existo.
Estar solteiro Estar solteiro pode significar muitas coisas. Existem aqueles que estão amando e não estão sendo correspondidos, aqueles que estão fugindo de uma paixão por algum motivo particular, aqueles que estão se dedicando a alguma atividade ou trabalho que demanda muita de…
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Estar solteiro Estar solteiro pode significar muitas coisas. Existem aqueles que estão amando e não estão sendo correspondidos, aqueles que estão fugindo de uma paixão por algum motivo particular, aqueles que estão se dedicando a alguma atividade ou trabalho que demanda muita dedicação e por isso deixam de lado a procura por companhia... E existem aqueles que estão solteiros porque simplesmente não estão gostando de ninguém no momento e isso também é bom, é algo como dar férias ao coração (porém se esse momento perdurar pode se tornar um estilo de vida aí sim à coisa pode ficar séria, nesse estágio o sujeito não se contenta em fazer apologia à solteirice sempre que tem oportunidade como também tenta convencer os amigos que este estado civil é o melhor e mais vantajoso, começa a organizar passeatas para divulgar o orgulho solteiro, cria adesivos para carros com frases tipo “Penso, logo sou solteiro” e por aí vai), mas para os que não simpatizam com essas seitas extremas criadas por eufóricos, estar solteiro é tão natural com estar namorando ou casado, tão humano, tão simples que nada mais precisa ser dito.

Promessa quebrada Eu tinha prometido a mim mesmo que iria parar de procurar respostas para enigmas absurdos. Paradoxo de Zenão, aposta de Pascal, teoria da evolução, psicanálise freudiana, enfim eu não agüentava mais tantas questões fervilhando na minha cabeça. Entretanto cada d…
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Promessa quebrada Eu tinha prometido a mim mesmo que iria parar de procurar respostas para enigmas absurdos. Paradoxo de Zenão, aposta de Pascal, teoria da evolução, psicanálise freudiana, enfim eu não agüentava mais tantas questões fervilhando na minha cabeça. Entretanto cada dia que passava meu cérebro queria descobrir mais e mais coisas e assim eu me sentia cansado demais, às vezes até deprimido. Eu era metafísico demais, ontológico demais, tudo tinha que ter um porque, tudo precisava ser investigado e decifrado. Até que um belo dia resolvi de uma vez por todas não me incomodar mais com nada. Eu me tornaria apático, indolente, indiferente. Não iria mais consultar o dicionário cada vez que ouvisse uma palavra desconhecida, não iria sair correndo para a internet ou para a enciclopédia cada vez que me deparasse com uma nova idéia filosófica ou cientifica. Não iria mais fazer palavras cruzadas nem assistir a filmes cults. Nada, absolutamente nada, me faria mudar de idéia. Mesmo que descobrissem vida fora da terra eu me limitaria a dizer um simples: - hum bom pra eles. Não investigaria nenhum assunto nem a fundo nem superficialmente. Depois que tomei essa resolução e os dias foram passando comecei a me sentir melhor. Era muito boa a sensação de não ter noticia nenhuma do mundo. Sentia-me como Robinson Crusoé na sua ilha deserta, porém sem a preocupação de fazer fortuna e voltar para casa. Contudo, numa insossa tarde de terça feira um documentário na televisão me tiraria daquela resignação. O documentário era inverossímil e escandalosamente sensacionalista. Começava falando de fantasmas e criaturas bizarras e terminava falando do “Monstro do lago Ness” e nesse momento fui obrigado a abdicar da minha ataraxia. Era óbvio que algum maluco de mente delirante tinha visto um peixe qualquer e fantasiado o resto da história. A mente enxerga o que ela quer enxergar. É assim com os vultos, com os ruídos estranhos e com muitas coisas. As primeiras civilizações já tinham criado um vasto catálogo de animais fantásticos, de criaturas que desafiavam a lógica e esses produtos supersticiosos obviamente não acabariam no homem moderno, contemporâneo. Seres irreais existirão sempre, pelo menos até o ultimo dia de vida do homem nesse mundo misterioso. O estranho é que essas pessoas além de acreditarem em tais criaturas ainda tentam encontrar argumentos e até falsificam provas para embasarem seus delírios. Elas não se contentam com a ficção de Lovecraft, é preciso mais, é preciso transformar a superfície em um lugar maravilhoso. O homem não aceita o tédio e a mesmice, é mórbido demais para ele – a realidade quando muito árida pode levar o homem ao abismo e dali ao suicídio. Por isso o homem cria literatura, passatempos, enigmas. É preciso revestir a matéria de sonhos para que um lago não simbolize apenas um lago e um peixe não traduza outro peixe, mas um monstro, uma criatura de outro mundo com tentáculos horripilantes e pele inexplicavelmente verde esmeralda. Aqui eu parei de divagar lembrei-me da promessa, guardei a imagem do Mostro do lago Ness na memória e disse: Provavelmente ele existe, sim existe, sem dúvida ele existe, foi então que passei a mão em uma cadeira, com fúria, e a lancei sobre a televisão e em poucos instantes um terrível incêndio começou. Mais tarde minha casa se tornaria cinzas e dali alguém ainda veria uma fênix surgir. Uma não uma revoada porque segundo essa pessoa as fênix andam sempre em bando.

Viagem ao centro de mim mesmo O desbravar de minha dor lancinante grito agudo e profundo
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Viagem ao centro de mim mesmo O desbravar de minha dor lancinante grito agudo e profundo intempestiva derrota lágrima que voa e a mim regressa novamente loucura, simpática loucura coberta de cores de primavera ó como estou só – que solidão errante nesse desconforto de me resumir alheio a filosofias, ao céu, ao mundo – a tudo.

Percorro os labirintos da minha alma, corro em círculos, paro, reflito, estudo as bifurcações, hesito ante os abismos, retorno, sigo, etc. A sombra da morte inevitável empalidece a luz do meu futuro;
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Percorro os labirintos da minha alma, corro em círculos, paro, reflito, estudo as bifurcações, hesito ante os abismos, retorno, sigo, etc. A sombra da morte inevitável empalidece a luz do meu futuro; Não conheço a soma dos meus dias; Mesmo assim, não percebo minha finitude nem minha insignificância como se eu fosse... (Céus! me desculpem por isso)- imortal!

A semana de oito dias Num estranho vilarejo ao sul de uma grande cidade brasileira a população era totalmente analfabeta, erravam até a impressão digital, e logicamente o prefeito da cidade tirava vantagem de todos. Ah, o nome do vilarejo era Toscascaras, o do prefeito Epaminond…
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A semana de oito dias Num estranho vilarejo ao sul de uma grande cidade brasileira a população era totalmente analfabeta, erravam até a impressão digital, e logicamente o prefeito da cidade tirava vantagem de todos. Ah, o nome do vilarejo era Toscascaras, o do prefeito Epaminondas. Um belo dia o canastrão teve a diabólica idéia de criar uma semana com “oito” dias para se aproveitar da mão de obra dos pobres coitados toscascarianos. Ele imaginou que um dia a mais de trabalho na semana, ao longo de um ano, lhe renderia um lucro muito satisfatório e com o passar dos anos, se ninguém percebesse, poderia até aumentar a semana para nove ou até dez dias. Claro, esqueci de dizer que a pequena cidade subsistia somente com a agricultura. Dessa forma o prefeito assumia um papel de xamã-climatólogo-agrônomo e era o único capaz de coordenar as diretrizes do programa de enriquecimento de hortaliças, leguminosas e afins e, agora pasmem, o único que sabia a resposta para a clássica pergunta: Que dia é hoje? Quando Epaminondas era jovem surpreendentemente pediu aos pais para embarcar na misteriosa máquina que passava pelos arredores do vilarejo (ônibus escolar) e foi assim que ele chegou à capital e descobriu, por mérito próprio - já que era extremamente curioso, o que era uma escola. O futuro prefeito acabou ficando viciado naquela aventura toda de viajar assistindo as curvas, o horizonte, as árvores e as casas aproximarem-se e sumirem rapidamente como por mágica, e decidiu que embarcaria todos os dias naquela máquina, e foi assim que consegui a proeza inédita de ser o primeiro toscascariano a ser alfabetizado e ainda por cima galgou o diploma do primário completo. Dali para frente percebeu que o mundo se dobraria ante sua esperteza. O posto de prefeito foi uma idéia que surgiu naturalmente e como ninguém se opôs, voilá: auto-intitulou-se a si mesmo sozinho “Supremo comandante da comarca de toscascaras do distrito de sei lá onde”, isso feito, reorganizou a agricultura familiar de subsistência em uma grande cooperativa a “Cia Toscascaras de Alimentos com Agrotóxicos e outras Drogas mais, mas fica frio, Ltda”. E tratou de administrá-la com mão de ferro tornando-se logo de cara acionista majoritário com noventa e nove por cento das ações. A diabólica idéia dos oito dias na semana veio logo em seguidinha a fundação da companhia de alimentos... No começo eles nem perceberam já que sempre trabalharam todos os dias. Porém com o passar dos meses alguém quase descobriu, mas era alarme falso. A semana de Epaminondas era assim elaborada: Segunda, Terça, Quarta, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado, Domingo. Como o dia ficava ali camuflado bem no meio da semana ninguém percebia. Passados alguns anos Epaminondas começou a perceber que sua artimanha não estava funcionando muito bem, já que os lucros anuais não variavam nunca. – Será que minha semana de oito dias não está funcionando? - pensava ele. E assim num arroubo repentino de desespero Epaminondas rasga a maior invenção de sua vida o desconcertante calendário semanal de oito dias.

Enigmatizado Ismael nasceu no dia dezenove de dezembro de 1985. Teve uma infância comum e uma adolescência tumultuada. Depois morreu em um acidente de automóvel no dia primeiro de janeiro de 2008. Fora atropelado por um carro enquanto caminhava tranquilamente pela beira da estra…
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Enigmatizado Ismael nasceu no dia dezenove de dezembro de 1985. Teve uma infância comum e uma adolescência tumultuada. Depois morreu em um acidente de automóvel no dia primeiro de janeiro de 2008. Fora atropelado por um carro enquanto caminhava tranquilamente pela beira da estrada. Sua família, como é de praxe em todas as épocas com todas as famílias, providenciou um epitáfio com palavras absolutamente vagas e imprecisas. Nem uma vírgula daquele epitáfio seria aprovada por Ismael. O pobre coitado atravessou esse mundo como um homem igual a todos os outros, teve seus amores seus sonhos e suas frustrações. Dedicou-se a projetos triviais para ganhar seu pão, era de família simples e provinciana, e o resto, como diria Shakespeare, é silencio. Até aqui Ismael seria um homem genérico, sem nada de especial, digo nada de relevante que mereça ser contado em uma biografia. Não pensem que estou fazendo pouco caso dele – longe disso, todo ser humano merece respeito e todas as vidas têm suas particularidades que se bem exploradas podem tornar-se incomuns. Se estou criticando alguém é a família dele por não ter conhecido de fato Ismael. O certo, para falar a verdade, também seria culpar Ismael por sua invisibilidade histórica, porque ele não compartilhou sua vida com os outros? Porque fez questão de levar uma vida mecânica, vivendo o que tinha que ser vivido sem fazer grandes indagações, sem desafiar a ordem pré-estabelecida desse universo misterioso e complexo? Morreu como um carneirinho que seguia o rebanho sem olhar para os lados, sem identificar seu algoz. Claro que em se tratando de um individuo suas idiossincrasias apontam sinais, se, por exemplo, fosse feito um estudo freudiano de tudo que Ismael fez, se coletássemos depoimentos de quem conviveu com ele, provavelmente teríamos uma história mais profunda, adornada com episódios, frases e nuances que certamente desencadeariam uma possível empatia em nós estranhos. Ismael não era nenhum animal, tinha que ter algo de interessante. Mas a história tradicional é assim. A vida de cada indivíduo não tem grande importância. Interessa-nos a história das guerras, dos grandes movimentos sociais, dos reis, dos cientistas e filósofos, dos escritores e poetas, dos santos e mais alguns poucos privilegiados que viveram algo de inusitado e original. Depois disso tudo é a eterna mesmice do eclesiastes. Geração vai e geração vem... levanta-se o sol, põe-se o sol... o vento vai para o sul e faz seu giro para o norte... todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir, etecétera. Agora me deixem explicar um curtíssimo período de tempo na vida de Ismael, dois meses apenas, que podem dar sentido a sua existência e quem sabe até resumir todos os dias de sua vida aqui nesse mundo. O detalhe é que ninguém sabe que isso aconteceu com ele. O que vou contar se passou em agosto e setembro de 2005. Ismael estava com dezenove anos e resolvera sair da casa de seus pais para morar sozinho na capital. Tinha arrumado um emprego em um supermercado e decidira continuar seus estudos. Se não me engano, ele planejava estudar arquitetura assim que conseguisse ingressar na faculdade, mas começou fazendo um cursinho de inglês. O resto de seu tempo livre era gasto na biblioteca pública num desbravar eufórico e insano de livros de ocultismo, misticismo e religião. Como sou o bibliotecário e vez por outra eu ajudava-o a encontrar determinado livro posso dizer (e garantir) que algo de muito estranho estava acontecendo dentro daquela mente enigmática. Numa quinta feira a tarde ele aparece meio desorientado, com o rosto pálido e procurando livros sobre anjos. No outro dia pela manhã ele queria tudo que estivesse disponível sobre demônios. Ele olhava para os lados a todo o momento, passava a mão sobre o rosto e deixava transparecer uma sensação de desconforto. Depois daquela manhã ele nunca mais apareceu e algumas semanas depois eu soube, através de um conhecido que tínhamos em comum, que ele havia morrido. Não sei por que, mas aquela morte prematura, de um cara que eu pouco conhecia, me fez refletir sobre isso que chamamos vida. Logo que cheguei ao trabalho fui procurar os livros que Ismael tinha lido em seus últimos momentos nesse mundo. E para minha surpresa encontrei um bilhete dele no meio de um livro de capa esmaecida. O que segue são as próprias palavras de Ismael: “Encontrei a resposta. Agora tudo faz sentido. Só importa o mundo espiritual, anjos e demônios guerreiam entre si a todo instante. O embate nunca cessa a espada jamais descansa. Céus, eu quero fazer parte disso. Que venha o fim do mundo, que chegue a aniquilação. Que os elementos se desfaçam em fogo e o filho do homem retorne para fazer justiça”. Confesso que fiquei um pouco assustado no começo, porém logo me acalmei e deduzi que Ismael tinha surtado. O que sei é que ele sempre foi um cara sensato e normal segundo aqueles que o conheceram. Como um homem consegue esconder um furacão dentro da alma? Como uma tempestade bravia atravessa um espírito e ninguém percebe? Será que Ismael era maluco ou descobriu a sensação oceânica e misteriosa que a religião provoca - aquela que Freud ignorava?

Esboço de um epitáfio O canto do quero-quero, a xícara de café no meio da tarde Ah, que alegria!
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Esboço de um epitáfio O canto do quero-quero, a xícara de café no meio da tarde Ah, que alegria! Lembranças que deixo. Sonhos que desvanecem Vocês – família, amigos, vizinhos, conhecidos, estranhos Não estou mais aí, aliás, não estou nem aqui Jazo invisivelmente, sou um símbolo a partir de agora Nada levo, mas depois de mim – o mundo – belo e áspero, miserável e sublime ainda será o mesmo. O céu azulado, os desenhos que fiz, as mulheres que beijei e levei para cama, a ânsia de dar sentido a minha vida... Meu romantismo, minha solidão, meu refúgio, os mundos que criei; as páginas da bíblia, os enigmas espirituais... Nada mais me toca nada mais me diz um ai Por quê? Porque não existo mais Sou pó, ao pó retornei.

Ela é tão prestativa tão romântica tão encantadora Que é capaz de levar a brisa do mar para passear pelo deserto Ela tem asas invisíveis e funcionais como as de um beija-flor
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Ela é tão prestativa tão romântica tão encantadora Que é capaz de levar a brisa do mar para passear pelo deserto Ela tem asas invisíveis e funcionais como as de um beija-flor Ela é cheia de intimidade com o luar e as estrelas Ela canta canções de épocas imemoriais, do tempo dos sonhos Ela me diz que os cristais multicoloridos são pedaços de arco-íris que ficaram presos dentro das nuvens e caíram num dia de chuva Ela conhece a ciência do beijo e explica que “a química da boca dos amantes é proporcional aos sentimentos que estão em constante ebulição debaixo da pele” Ela conhece profundos mistérios da vida que escorrem dos oráculos sobrenaturais Ela conhece uma árvore de prata de frutos dourados que cresce sem parar em algum ponto das verdes montanhas do amanhã e que é capaz de curar o tédio e a dor Ela tem um par de brincos e os chama de primavera e outono, eu pergunto por que, e ela diz, porque foram eles que me deram seu tolinho Ela só usa um tipo de condicionador no cabelo, o orvalho da noite Ela não entende porque os flocos de neve perdem simetria e descongelam ao calor – como uma coisa tão bela não foi feita eterna? Ela adivinha meus pensamentos e seca minhas lágrimas antes mesmo de ganharem a superfície Ela escreve cartas de amor com os dedos na areia ou com o batom no asfalto Ela diz que a menina dos olhos dela é livre e às vezes sai para brincar com as borboletas Ela diz que Romeu e Julieta morreram cedo porque o castelo deles já estava construído no paraíso do amor Ela diz que o vinho é o sangue das uvas e as uvas sempre morrem felizes, pois poucas frutas têm o privilégio de brilhar dentro de um cálice Ela diz que tudo se resume a fazer o bem e a dizer a verdade e que a balança da justiça divina foi talhada com o primeiro pé de carvalho que vicejou na primeira cerração da terra Ela diz que o momento que passa pode ser retido num relicário mágico e guardado para sempre como o som do mar dentro de um caramujo Ela diz que as estrelas cadentes estão apenas escorregando no espaço curvo e espalhar luz é da natureza delas Ela diz que uma sinfonia de Beethoven não é única coisa capaz de estimular nossas emoções e fazer com que vislumbremos a realidade, como pensava Schopenhauer, mas que a música é um dos possíveis caminhos assim como as esculturas de Michelangelo, as telas de Monet, os livros de Kafka, Proust, Joyce e etc Ela diz que a escuridão é a luz virada do avesso Ela usa tantas metáforas sublimes como, por exemplo: Palavras são signos sagrados sobre os quais os espíritos se movem. Ela diz coisas tão filosoficamente simples como, quem precisa de guarda-chuva? Ou porque a TV não nos deixa levantar do sofá? Ou coisas absurdas como porque não inventam uma goma de mascar para as vacas? Ela diz que as tatuagens maoris foram criadas por aranhas extraterrestres Ela diz que o casco de uma tartaruga é tão interessante quanto um quadro de Salvador Dalí Ela ficou em pânico quando leu num conto de Borges que Jesus falava por parábolas para não se comprometer Ela diz que jamais devo desistir de tentar criar uma imagem poética duradoura e original.

Existe um Jesus Cristo Existe um Jesus Cristo com todas as idiossincrasias desse ser complexo. Existe um Jesus Cristo histórico.
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Existe um Jesus Cristo Existe um Jesus Cristo com todas as idiossincrasias desse ser complexo. Existe um Jesus Cristo histórico. Existe um Jesus Cristo bíblico. Existe um Jesus Cristo judeu. Existe um Jesus Cristo gentio. Existe um Jesus Cristo diferente dentro de cada ramo do cristianismo. Existe um arquétipo Jesus Cristo na imaginação coletiva. Existe um Jesus Cristo pessoal. Existe um Jesus Cristo objeto/resultado de estudos teológicos. Resumindo existe um grande catálogo chamado Jesus Cristo que cada um escolhe de acordo com sua fé, inteligência, sentidos, etc.

Escreva sempre; escreva sobre tudo, depois guarde esses escritos numa gaveta e deixe que amadureçam, no futuro quando você for ler essas memórias sentirá algo estranho e surpreendente como se outra pessoa tivesse escrito. Isso é a mágica do tempo, a metamorfose de suas convicções…
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Escreva sempre; escreva sobre tudo, depois guarde esses escritos numa gaveta e deixe que amadureçam, no futuro quando você for ler essas memórias sentirá algo estranho e surpreendente como se outra pessoa tivesse escrito. Isso é a mágica do tempo, a metamorfose de suas convicções. A intenção mais nobre é apenas não reprimir - deixar a alma adejar pelo infinito criando sombras no papel.

Muito antes de existir Facebook, Orkut e Google eu já me deleitava com a escrita, e assim como muitos escritores eu escrevia para organizar meu pensamento e dialogar comigo mesmo, sem pretensão alguma, apenas um hobby e isso me proporcionava uma alegria tamanha que seguidamente a…
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Muito antes de existir Facebook, Orkut e Google eu já me deleitava com a escrita, e assim como muitos escritores eu escrevia para organizar meu pensamento e dialogar comigo mesmo, sem pretensão alguma, apenas um hobby e isso me proporcionava uma alegria tamanha que seguidamente a euforia dançava em minha mente. Não vou dizer que sei escrever bem, pois ainda tenho muitos atritos com a gramática e considero meu estilo demasiado árido e obtuso, ademais cometo muitos pecados que um bom escritor não pode se dar ao luxo de cometer, como por exemplo: o vicio de linguagem, esse infeliz me assedia em quase todas as linhas. E não é só isso, vários outros obstáculos surgem no meu caminho, outro exemplo: Quando leio um escritor clássico logo penso, Céus, estou a milhas de distância dele! Entretanto esse pensamento, conquanto difícil de silenciar, encobre um grande segredo que só quem se dedica a profissão de escriba pode aprender: exprimir-se provoca catarse. Nosso imortal do Bom Fim, Moacir Scliar, foi quem me ensinou isso numa crônica da Zero Hora a uns bons anos atrás, talvez perto de dois mil e oito. Quando li o texto e deparei-me com a palavra catarse logo percebi que aquilo falava diretamente a minha alma, aquele canal de comunicação havia feito um milagre e Moacir fora o sábio escolhido para me revelar tal mistério. Eu ainda não estava familiarizado com a palavra catarse, então avidamente abri o Aurélio e “voilà”; catarse - liberação de pensamentos e emoções que estavam reprimidos no inconsciente, seguindo-se alívio emocional. Subitamente pensei, então é isso o que sinto quando escrevo é esse o grande motivo pelo qual os escritores escrevem, aquela sensação de euforia que sinto é catarse. Depois daquele dia passei a escrever com mais vontade ainda, com mais paixão, com sangue, com verdade.