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Frases de Hilda Gomes Dutra Magalhães

83 frases

Nada existe e tudo existe, a música cada vez mais forte, cada vez mais forte, abafando a morte e me distraindo da minha leitura." (O último verão em Paris, crônicas, 2000)
Essas ondas que batem no casco, com seu riso encantatório, anulam, machucando os ouvidos, as franjas do tempo e dos dias. Esfrego os olhos para ver além do Tejo, para lá o que que há? Ah, que quero espichar o mapa para avistar a direção, mas a bússola é dificil e o mar, árido". (…
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Essas ondas que batem no casco, com seu riso encantatório, anulam, machucando os ouvidos, as franjas do tempo e dos dias. Esfrego os olhos para ver além do Tejo, para lá o que que há? Ah, que quero espichar o mapa para avistar a direção, mas a bússola é dificil e o mar, árido". (O último verão em Paris, crônicas, 2000)

No metrô escuto ainda os últimos acordes de Notre Dame de Paris, ao longe os debates da Comunidade Européia se intensificam, os programas para o réveillon 2000 estão agora francamente em todos os affiches, todos os souvenirs, todos os cinemas, todos os horários da tevê, apocalips…
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No metrô escuto ainda os últimos acordes de Notre Dame de Paris, ao longe os debates da Comunidade Européia se intensificam, os programas para o réveillon 2000 estão agora francamente em todos os affiches, todos os souvenirs, todos os cinemas, todos os horários da tevê, apocalipses para todos os gostos e crenças, dentro dos metrôs desenvolve-se, pouco a pouco, uma cultura de quarto mundo, une petite pièce, juste pour vivre, merci, merci... E a cada giro que o mundo dá, caem francos, caem, caem pesetas, caem, caem marcos, caem, caem liras, caem, caem florins, caem, oi, oi, balão, cai, cai aqui bem na minha mão, ai, ai." (O último verão em Paris, crônicas, 2000)

A bandeira da nova Europa tremula nos campos de Bruxelas e na Champs Elysées, e de giro e de sustos é o nosso globo de cada dia, ah se esta rua, se esta rua fosse minha... o globo gira, gira, e nesse rodopio já não sei mais para onde escorre o Rio, se para o sul ou para o norte,…
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A bandeira da nova Europa tremula nos campos de Bruxelas e na Champs Elysées, e de giro e de sustos é o nosso globo de cada dia, ah se esta rua, se esta rua fosse minha... o globo gira, gira, e nesse rodopio já não sei mais para onde escorre o Rio, se para o sul ou para o norte, cadê a Sorbonne que estava aqui, e a Amazônia, onde foi parar?" O último verão em Paris, crônicas, 2000

Que mistérios podem existir na planitude que sustenta essa imagem, que, de tão ordinária, é síntese de todas as mandalas, essa simetria líquida transparente de leque e luz? Que segredos teria essa ave, tão de novo e de velho nascida, de louvre e lavra tecida numa primavera parisi…
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Que mistérios podem existir na planitude que sustenta essa imagem, que, de tão ordinária, é síntese de todas as mandalas, essa simetria líquida transparente de leque e luz? Que segredos teria essa ave, tão de novo e de velho nascida, de louvre e lavra tecida numa primavera parisiense? Que filigranas de inéditas emoções e sensações escondem essas penas que tingem o voo e nos ofuscam a dor?" O último verão em Paris, 2000

Se o poeta também vacila, a culpa será mesmo dele ou do arquiteto que empilhou a primeira pedra de demônios e góticos escondida, de infinitos umbrais e vácuos, e mistérios, e preces, para lá e para cá do Sena, esse souvenir de mares, ilíadas e odisséias de mil deuses, de mil dias…
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Se o poeta também vacila, a culpa será mesmo dele ou do arquiteto que empilhou a primeira pedra de demônios e góticos escondida, de infinitos umbrais e vácuos, e mistérios, e preces, para lá e para cá do Sena, esse souvenir de mares, ilíadas e odisséias de mil deuses, de mil dias, de mil anos?" O último verão em Paris, crônicas, 2000

Saio do metrô e me deparo com a coreana contemplativa diante de um 'affiche' do Rio de Janeiro, também me aproximo, outras pessoas se interessam, somos agora um pequeno grupo de curiosos reparando, da Gare de Montparnasse, o enorme Cristo redentor de braços abertos para a cidade…
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Saio do metrô e me deparo com a coreana contemplativa diante de um 'affiche' do Rio de Janeiro, também me aproximo, outras pessoas se interessam, somos agora um pequeno grupo de curiosos reparando, da Gare de Montparnasse, o enorme Cristo redentor de braços abertos para a cidade maravilhosa, o mar muito azul e quente soprando na nossa cara, um cheirinho bom de maresia, cadê as favelas que estavam aqui?, o rio levou, a nuvem apagou." O último verão em Paris, 2000