Quem me dera poder desfrutar dos desejos
Que perturbam minha mente, me acorrenta
Em forma de anseios, e castigam minha alma
Quem me dera poder apagar o convencionalismo
A razão implícita, a abrupta corrosão do ser humano
Em forma de cordeiros que semeiam lucidez
Deturpada de enlaces grotescos e falta de sagacidade
Quem me dera a destruição na tentativa de pleitear
Os contratos, as desilusões, as falsas razões
Posso correr e cair
Mas sempre tenho o pensamento ofegante
Que me faz respirar profundamente
E mergulhar em meias palavras
Transcender os fatos é decidir
Não ter receio de esperar
De carregar e vivenciar
O espetáculo é itinerante
Inesperado e árduo
A quem comete erros
É possível justificá-los, porém jamais apagá-los
Esmagado, seu sangue se funde ao de muitos
Meu corpo se esfacela em migalhas
A vida perdida em um segundo
Um corpo me comprime
Perco o ar, vejo a luz
É o fim, o fim de tudo
Poderia ser louca, se assim me apedrejassem
Deveria sofrer pela minha insanidade
Saberia que nada disso seria verdade
E que pouca seria, a vontade de me normalizar
Sinto a tristeza de estar feliz pateticamente
De uma forma absurda e desigual
Não pertenço aquilo que me atormenta
Apenas sorrio pelo que me faz triste
Hoje, me afogarei
Serei gélida, não sentirei,
Abdicarei, serei estátua
Sofrerei,
Sou fraca, estúpida
Falta coragem, astúcia
Normalidade me afeta
Aflige, assusta
Se pudesse arrancaria minhas asas
Para que não voasse tão longe
Não te encontraria no céu
E não poderíamos voar tão alto
Meu anjo
Que me vigia todas as noites
Vela meu sono
E me faz percorrer os céus
A doce ilusão de planar
Velejar pelos ares
Sem asas, cairei no abismo
E ao olhar para o céu
Verei-te flutuar