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Frases de Gióia Júnior

4 frases

Oração da maçaneta Não há mais bela música que o ruido da maçaneta da porta
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Oração da maçaneta Não há mais bela música que o ruido da maçaneta da porta quando meu filho volta para casa. Volta da rua, da vasta noite, da madrugada de estranhas vozes, e o ruido da maçaneta e o gemer do trinco, o bater da porta que novamente se fecha, o tilintar inconfundível do molho de chaves são um doce acalanto, uma suave cantiga de ninar. Só assim fecho os olhos, posso afinal dormir e descansar. Oh! a longa espera, a negra ausência, as histórias de acidentes e assaltos que só a noite como ninguém sabe contar! Oh! os presságios e os pesadelos, o eco dos passos nas calçadas, a voz dos bêbados na rua e o longo apito do guarda medindo a madrugada, e os cães uivando na distância e o grito lancinante da ambulância! E o coração descompassado a pressentir e a martelar na arritmia do relógio do meu quarto esquadrinhando a noite e seus mistérios Nisso, na sala que se cala, estala a gargalhada jovem da maçaneta que canta a festiva cantiga do retorno. E sua voz engole a noite imensa com todos os ruídos secundários. -Oh! os címbalos do trinco e os clarins da porta que se escancara e os guizos das muitas chaves que se abraçam e o festival dos passos que ganham a escada! Nem as vozes da orquestra e o tilintar de copos e a mansa canção da chuva no telhado podem sequer se comparar ao som da maçaneta que sorri quando meu filho volta. Que ele retorne sempre são e salvo, marinheiro depois da tempestade a sorrir e a cantar. E que na porta a maçaneta cante a festiva canção do seu retorno que soa para mim como suave cantiga de ninar. Só assim, só assim meu coração se aquieta, posso afinal dormir e descansar.

NOVOS ESCRAVOS VEDE O QUADRO DO PRESENTE NÃO É SOMENTE O GEMIDO DA RAÇA NEGRA
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NOVOS ESCRAVOS VEDE O QUADRO DO PRESENTE NÃO É SOMENTE O GEMIDO DA RAÇA NEGRA QUE VERGA SOB O TRONCO DA OPRESSÃO É O POVO INTEIRO QUE SOFRE PRESO AOS FERROS DA MISÉRIA SOLUÇANDO FOME E ANSEIO SEM ROUPA, SEM LAR, SEM PÃO! ONTEM, OS HOMENS DA NOITE VINHAM MOLHADOS DE SANGUE TRAZENDO DE OUTRAS PARAGENS REVOLTA E REVOLUÇÃO. HOJE, É A VOZ DA POPULAÇÃO QUE BRADA POR NOVAS LUZES TRAZENDO NOS OLHOS TRISTES O ESTIGMA DA ESCRAVIDÃO. NÃO SÃO MAIS BAIXOS FEITORES OS QUE VEM PARA O BANQUETE DO SUPLÍCIO DE UMA RAÇA TRAZENDO O CHICOTE À MÃO; SÃO OS VERDUGOS DO POVO OS SENHORES DO DINHEIRO E A MISÉRIA - É O CATIVEIRO E A MOLÉSTIA - É A ESCRAVIDÃO. ONDE AS SENZALAS DE OUTRORA? O BOJO DAS NAVES TORPES? ONDE A FOME, O FRIO, A LOUCURA NA MODERNA GERAÇÃO? IDE AOS BAIRROS OPERÁRIOS VEDE LÁ OS NOVOS MARTÍRIOS NO TUGÚRIO, NO CORTIÇO, NA MISÉRIA DE UM PORÃO!

Menino Pobre Menino pobre do meu bairro, triste, existe um verso em teu olhar profundo;
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Menino Pobre Menino pobre do meu bairro, triste, existe um verso em teu olhar profundo; é que em tua pessoa subsiste a miséria tristíssima do mundo... Menino pobre do meu bairro, existe em teu olhar um sentimento fundo: choras a dor de haver um mundo triste dentro do grande e colorido mundo. Menino pobre do meu bairro, grita, para que escutem tua voz tremente, amargurada, enfraquecida e aflita; pelos irmãos que dantes não gritaram, clama nas ruas angustiosamente, exige o pão que os homens te roubaram! Gióia Júnior