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Frases de Gil Pinna

162 frases

⁠Sofra com as suas derrotas. Mas não se perca.
⁠Presença No momento em que você chegou, o tempo parou.
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⁠Presença No momento em que você chegou, o tempo parou. Não de passar, parou de pesar. E, apesar da bagagem que o tempo me deu, Deu tempo de abrir mão do excesso. Não foi fácil, confesso. Eu tenho essa noção. Despachei o que me atrasava do passado, Mas ainda trago uma malinha de mão. Um nécessaire com o necessário, para lembrar do fuso-horário que existe entre nós dois. Somos antes e depois vivendo o agora. Sem pressa, sem demora. Dentro do presente. Corpo e mente em comunhão. Oras, na sua presença, as horas passam, você não. Hoje, penso mais no tempo contigo do que no tempo futuro. Ainda que seja obscuro, ainda que haja perigo, Não sinto mais medo. Nem ansiedade. O que tiver que ser será, meu amigo, mais cedo ou mais tarde. Você me deu mais ocupação que preocupação. Mais ação que intenção. Fez eu me entregar sem postergar, E, no seu olhar, sinto-me eterno. Antigo e moderno. Atemporal. Um samurai digital, que segue a tradição do teu sorriso. E enfrenta o que for preciso para não dispersar. A não ser uma espiada rápida no celular. Que logo acaba em foto tua. Mais uma recordação. Pois é fato que a tua doce presença atrai a minha atenção. E eu me rendo ao teu pedido mudo, para que, no nosso mundo, não haja tempo perdido. Somente o momento em questão, Em que estamos juntos, Descontando as horas, espaçando o dia. Para a agonia do amanhã, que implora por nascer. Mas enquanto a gente mal engatinha, não adianta nada o tempo correr. Eu sei que ele vai passar. Não há como impedir. Mas e se eu pedir mais tempo ao tempo? Será que ele vai mais lento e para para me ouvir? Não. O tempo é contínuo e não pertence a ninguém. O destino do tempo é seguir em frente. E a gente bem use o tempo que tem. Eu paro em você e você para em mim, enquanto o tempo continua. A vida é assim. Hoje, aprendi o que é presença com a tua.

⁠Cordel Astral Fui perguntar aos astros O quão perfeito é o nosso amor.
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⁠Cordel Astral Fui perguntar aos astros O quão perfeito é o nosso amor. Marte falou primeiro, Num impulso verdadeiro, Que nosso amor é guerreiro Por não ter medo da dor. Saturno, mais oportuno, Não deixou de se impor. Disse, num tom maduro, Que o amor pode ser duro, Mas, mesmo sem crer no futuro, Crê no futuro do nosso amor. Mercúrio pediu a palavra E explicou com a razão: Que não existe amor perfeito. Porque amor que não tem defeito Não se define como amor, Considera-se paixão. A Lua foi nua e crua, E falou com sentimento, Que o amor nos olhos dela É igual ao amor aqui dentro. Dando luz ao nosso caso, Diz que não é por acaso Que isso vai dar casamento. Urano, pra variar, Não rotulou o amor da gente. Disse só que é diferente O nosso jeito de amar. Júpiter filosofou, Falando da nossa jornada. Disse que nosso amor é casa, Mesmo quando a casa é estranha. Netuno falou bem pouco, Pois preferia rezar. Pro nosso amor deste mundo, Continuar tão profundo Como já foi em um outro lugar. O Sol se agigantou E chamou a minha atenção. Sua frase foi uma só, Mas aqueceu meu coração: “Eu sou Ela”, disse ele. E eu não discordo, não. Plutão foi um pouquinho Mais difícil de entender. Ele afirmou que o amor perfeito Só nasceu no nosso peito Porque a gente soube morrer. E Vênus ficou por último, Porque de amor entende mais. Disse que um amor desse jeito É uma escolha dentro do peito, Que a gente até pensa a respeito, Mas é o amor da gente que faz.

⁠Pé de Caiçara Descalço, pulando de pedra em pedra, lá vai o Pé de Caiçara.
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⁠Pé de Caiçara Descalço, pulando de pedra em pedra, lá vai o Pé de Caiçara. Febril, repleto de espinhos do ouriço, lá vai o Pé de Caiçara. Cortado, das cracas nas pilastras, lá vai o Pé de Caiçara. Queimado, no soldado, da areia quente de um dia ensolarado, lá vai o Pé de Caiçara. Batendo na natação, saltando no pontão, girando na capoeira, marcado com os calos da chuteira. Lá vai o Pé de Caiçara com suas Havaianas nas mãos. Trepando na goiabeira, na mangueira, no coqueiro, no pé de jambolão, lá vai o Pé de Caiçara. Sujo, quebrado, torcido, com bicho geográfico, unha encravada e frieira, lá vai o Pé de Caiçara. Lá vai o Pé de Caiçara correndo. Lá vai o Pé de Caiçara tropeçando. Lá vai o Pé de Caiçara para mais um escorregão. Lá vai o Pé de Caiçara, de novo de pé, amigo do chão. Educado no sapato, livre tocando o mar. Lá vai o Pé de Caiçara, pisando em lugares que a Mente de Caiçara nunca pôde imaginar.