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Frases de Gil Pinna

162 frases

⁠Amar é andar na beirada.
⁠Desesperança Chega de esperar, preciso fazer algo!
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⁠Desesperança Chega de esperar, preciso fazer algo! Mas, pera aí, eu já esperei tanto sem saber o que fazer. Será que não vale esperar mais um tanto, para que algo possa acontecer? Não! O mundo segue esperando algo de mim. Mas por que ninguém no mundo espera por mim? E como eles alcançaram, se não esperaram? Será que se cansaram de esperar e venceram pelo cansaço? Eu não, não sou de aço! A minha espera é só um passo que eu desdou. Permanecer onde estou é esperar em desespero. Durmo esperando acordar. Trabalho esperando o final de semana chegar. E amo esperando o fim. Esse, sim espera por mim. Não é porque eu não sei o que fazer que eu não deva fazer nada. é preciso pegar uma rua para poder chegar na estrada. É isso! Sentado eu não fico. Mais vale a desesperança de ser pobre do que a esperança de ser rico. Não sei para onde, mas vou. Não sei por que, mas sou. Não espero mais a esperança que me faltava. Se nada acontecer amanhã, tudo bem: por essa eu já esperava.

A Gruta Sempre que a noite vem, eu me lembro da escuridão daquela maldita gruta. E dos gritos ecoantes de meu melhor amigo, Victor. A ideia foi dele: fazer a Trilha da Morte. A trilha mais perigosa da Chapada dos Guimarães. 5km exaustivos por cima da terra e 9km infernais por de…
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A Gruta Sempre que a noite vem, eu me lembro da escuridão daquela maldita gruta. E dos gritos ecoantes de meu melhor amigo, Victor. A ideia foi dele: fazer a Trilha da Morte. A trilha mais perigosa da Chapada dos Guimarães. 5km exaustivos por cima da terra e 9km infernais por debaixo dela. Os poucos profissionais, que já se arriscaram, tiveram incidentes tão graves que a trilha acabou sendo proibida. Mas meu amigo Victor viu, tanto no grau de dificuldade quanto na ilegalidade dessa expedição, um desafio à altura de sua audácia. Quando atravessamos a guarita da Polícia Florestal, disfarçados de ambientalistas, tive a sensação de que aquela aventura poderia ser divertida. Mas eu estava enganado. Depois de 6 horas subindo, descendo, escalando, desviando, caindo e levantando, chegamos ao Trevo. Um local exatamente como descrito por nossos antecessores. E, segundo eles, onde realmente começava a Trilha da Morte. Após uma revitalizante pausa de 25 minutos, goladas de água e algumas barrinhas de cereais, ligamos as lanternas de nossos capacetes e entramos na Gruta. Apesar de ser caminho único, ele era cheio de dificuldades. Algumas quase intransponíveis. Mas Victor, determinado, foi vencendo os obstáculos, um a um, enquanto eu o seguia. Quanto mais andentrávamos a imensidão da Gruta, mais a escuridão e o silêncio nos envolviam. O lugar tinha uma atmosfera densa, quase fantasmagórica. Respirações, passos, reflexões. Essa era a dinâmica de nossa caminhada. Interrompida, de repente, por um grito forte de dor que ecoou feito um trovão pela caverna. Imediatamente vi Victor no chão, abraçando suas pernas, enquanto gemia. “O desgraçado me picou! O desgraçado do escorpião me piscou!”. Corri ao seu encontro e tentei ajudar, mas fiquei atônito diante dos efeitos imediatos provocados pela ferroada. Parte da perna de Victor estava preta. Rapidamente lavei o local ferido e, com os itens que tinha na mochila, desinfetei-o. Mas Victor continuava se contorcendo no chão, enquanto o hematoma preto em sua perna aumentava. Apoiei-o sobre o meu ombro, tentando carregá-lo, mas ele não suportou a dor e se atirou no chão novamente. Eu não conseguia raciocinar com os gritos contínuos e cada vez mais agonizantes de Victor. Analisei sua perna mais uma vez, e ela já estava inteira tomada pela podridão preta. Ele também olhou e entrou em pânico. “Corta! Corta!”. Relutante, peguei o canivete e o cravei em sua perna. Victor gritou ainda mais alto, enquanto seu sangue escorria, empretecido. Contendo a ânsia de vômito, cortei a perna do meu amigo. Depois o arrastei por uma distância além de minha capacidade física. Ele gritava, gritava e gritava. Sob a luz de meu capacete, reparei que as veias de seu corpo estavam escuras. “Dói muito!”. E, dizendo isso, começou a morder sua própria mão, dilacerando seus dedos. Tentei o conter, mas ele estava ensandecido com a dor. Bati forte com o canivete em sua cabeça, e ele desmaiou. Segui arrastando-o por todo o caminho de volta da Gruta, parando apenas três vezes: para amputar seu pé, inteiramente preto, depois, suas orelhas, e, depois, uma de suas mãos. Ao alcançarmos a saída da Gruta, fui impactado pela luz do dia, e minhas pupilas tiveram que se readaptar. Passando o clarão, fui surpreendido por um Victor absolutamente saudável. Ele me olhou assustado e disse: “Ufa! Ainda bem que você acordou. O escorpião que te picou era dos mais venenosos”.

⁠Ecos do Meu Ego Ouço vozes, não nego Mas não são vozes do além
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⁠Ecos do Meu Ego Ouço vozes, não nego Mas não são vozes do além São ecos do meu ego Do meu id, superego E de toda alquimia Que existe em meu corpo Viu? Não estou louco Estou ciente de que existe Não só um pouco Mas muita gente Falando dentro de mim Segundo a ciência Toda gente é assim Mas ó: A alma não é uma só? Então por que este nó cego No meu ego? Por que o que sinto no peito Embaralha na mente E o que penso a respeito O peito mente que sente? É muita informação São muitos dados Máquina nenhuma Tem algoritmo tão sofisticado É tristeza ou é só sono? Liberdade ou abandono? Exercício, meditação Qual remédio pra depressão? E a felicidade: É saciedade? Vem com a idade? Tem validade? Como realizar meu desejo Se quero tudo que vejo? Como morder a maçã Sem que a serpente se torne vilã? Hã?! Alguém disse meu nome? Ou é só o estômago Incomodado com a fome? Difícil saber o que sentir Mas é melhor que sentir nada A sensação do todo É o objetivo da jornada Observo, absorvo E quando encontro não me apego Ouço vozes, não nego Pior cego é aquele Que não quer ouvir o ego