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Frases de Geraldo Neto

382 frases

⁠⁠Fazer-se-á caminhos, de nuvens cinzentas e sinuosas, aos ventos que sopram o mar, no feitio à goela dos ofendidos. Fazer-se-ei infinitos, assobiados por aves impetuosas, que gorgeiam as primeiras horas de manhãs mal nascidas, louquejando as desnudas noites indormidas, ao seren…
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⁠⁠Fazer-se-á caminhos, de nuvens cinzentas e sinuosas, aos ventos que sopram o mar, no feitio à goela dos ofendidos. Fazer-se-ei infinitos, assobiados por aves impetuosas, que gorgeiam as primeiras horas de manhãs mal nascidas, louquejando as desnudas noites indormidas, ao sereno lacrimejante do universo, em volúpias despedidas.

⁠È tudo tão banal e simples, pensei que as coisas fossem complexas, mas tudo é questão de sentir-se,
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⁠È tudo tão banal e simples, pensei que as coisas fossem complexas, mas tudo é questão de sentir-se, é mais fácil sentir o outro, tudo se concentra no outro, pois numa sociedade moderna, da elegância e do fascínio dourado da vida, inventaram essa coisa de modéstia, e nos deixamos para uma hora que nunca chega, e os dias passam, só nos sentimentos no calor e no frio, nunca numa declaração de amor, pois mesmo que tudo pareça mentira, é algo simples que nos faz feliz, esta coisa que felicidade se experimenta, mas se tudo devemos passar pela dor, pelo declínio inexorável, somos doce ao menos nas palavras, e palavras é coisa de despossuídos, pois tudo é simples, não é tão banal assim!

⁠E o sabor de café da manhã é um estupefaciente de coisas indormidas e mal nascidas. Meus cadernos envelheceram nos meus arquivos que param o tempo ao acaso, com informações estúpidas nascidas de minha caligrafia torta. E os dias se abreviam em opióides para aliviar dores não l…
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⁠E o sabor de café da manhã é um estupefaciente de coisas indormidas e mal nascidas. Meus cadernos envelheceram nos meus arquivos que param o tempo ao acaso, com informações estúpidas nascidas de minha caligrafia torta. E os dias se abreviam em opióides para aliviar dores não lembradas mas conhecidas, comprados na farmácia de velho comerciante que me vende medicamentos sem receitas coloridas enquanto o resto são cinzas. E tudo fica normal ou é normal - o sol nasce, as estrelas brilham - e a noite, a noite chega à revelia de meu relógio descomunal. E mais uma vez o sol me ilumina todo dia e o dia todo, silenciosamente, e tudo se embranquece e todos são vistos como não são e a igreja toca mais uma vez o repicar de sinos anunciando mais uma morte de um senhor gentil que preferiu para de respirar e esquecer os próprios pulmões congestionado. Pobres pulmões, o ajudou a respirar profundamente a cada passo rumo ao não sei pra onde. E tudo isso é normal, e enfurece o que inconscientemente nos conserva por igual em um conjunto de normais que não mais choram. Nada muda, é tudo parado, mas, estamos andando, correndo, atrás do ônibus que se vai e de amores que não existe e que se desfaz. Ainda dá pra sentir saudades, de meu avô, de meu pai, de Dona Vera, onde estão? onde estão? e dos dias já idos, adormecidos. Sinto saudade de minha mãe mesmo estando ao meu lado, saudade do nunca mais querendo ser futuro e do por vir serenando o presente em um sábado a tarde. Existimos e ainda estamos vivos, sonhamos e ainda desistimos, e chegamos em casa e dormimos, e se houver outro dia? se houver outro dia? Não sei, talvez pra nunca mais.

⁠Comentando a frase de Charles Bukowski - "Há pessoas inesquecíveis e para isso não há cura". De fato, não há cura, pois é um sentimento solitário daquilo que naturalmente não se pode esquecer, o impossível não é tão utópico. No final das contas, a culpa é nossa. Por isso, exage…
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⁠Comentando a frase de Charles Bukowski - "Há pessoas inesquecíveis e para isso não há cura". De fato, não há cura, pois é um sentimento solitário daquilo que naturalmente não se pode esquecer, o impossível não é tão utópico. No final das contas, a culpa é nossa. Por isso, exagerar-se-á sempre da mesma coisa: poesias, álcool, filosofia e saudades. Para essas coisas loucas, uma boa filosofia com uma bebida qualquer.

⁠Algo para o natal, Mais um natal, remete-nos ao nascimento do Cristo, portanto, que cada um de nós possa renascer para Deus para morrer o homem velho em que nos achamos, e que pelos olhos de nossa existência possamos enxergar os novos horizontes que deve enlaçar toda a nossa vi…
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⁠Algo para o natal, Mais um natal, remete-nos ao nascimento do Cristo, portanto, que cada um de nós possa renascer para Deus para morrer o homem velho em que nos achamos, e que pelos olhos de nossa existência possamos enxergar os novos horizontes que deve enlaçar toda a nossa vida. Um feliz Natal!

⁠A vida é bela, à escória d⁠e dores indivisas. Ainda existe flores e outras coisas sem nomes,
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⁠A vida é bela, à escória d⁠e dores indivisas. Ainda existe flores e outras coisas sem nomes, e o sol nasce e se põe todos os dias, sob montanhas nunca antes amanhecidas. Os cotidianos são reiterados, reiterados, a vida talvez seja enternecida, e esconde eternas coincidências, sobre as montanhas que somos, desoladas e indormidas.

⁠⁠Mate-me aos poucos, a poesia é uma apologética densa, desprezível e execrável.
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⁠⁠Mate-me aos poucos, a poesia é uma apologética densa, desprezível e execrável. Mas é a nostalgia inquieta de um desgraçado, o êxtase de uma loucura equivocada, pois, somos, somos equivocados. Somos, pois. Poetizaram as próprias incorreções, que covardia para com a língua bandeiriana, os sinônimos são covardes desde sempre. dede sempre. São equivocados mesmos, pois a poesia que tenho é uma voz, o sangue coalhado dos revolucionários de Princesa. A minha voz não se equivoca, os equivocados se equivocaram pois tinham verdades, apenas verdades que as tinham. Enobreço-me, pois, a minha mentira, e o meu sangue, é da cor de todos, mas que se alva, e se? se alva! Na comelança dos dias ocos, dias de talvezez e dias já diários que se doutrina: — a farsa zuadenta de minha alma, a poesia surda da duvidada esquina

⁠O às do tempo passou. Ecoa-se, levemente, o futuro presagiando o passado. As eras rabiscadas por nossas vidas esvaziaram-se,
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⁠O às do tempo passou. Ecoa-se, levemente, o futuro presagiando o passado. As eras rabiscadas por nossas vidas esvaziaram-se, ficou um pouco de nós, um pocuo de nós e de tudo isso. Ao acaso o pôr do sol não corrompe o Universo? O sol carameliza o horizonte de um falso ouro. E nossos olhares fatigados de nada. Vãs são seus desejos dentre seus caninos, as ruas são cinzas de velhas madrugadas. Mas depois vem o sol e tudo fica amarelado, Apenas amarelado nos mesmos dias, novamente. Há um espanto inevitável, E um ódio não pago e desencarnado. As flores são flrores nas dores desoladas, E um grito se houve e que ecoa dos fiapos de mim. E o meu insípido se torna um protesto, E a vida se encanta diante de mim, E o amor se vai, sem início e sem fim.

⁠Tudo se vai. Eis, pois, um óbvio poetizado. As pessoas inesgotáveis,
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⁠Tudo se vai. Eis, pois, um óbvio poetizado. As pessoas inesgotáveis, são finitas. Os momentos eternos, se acabam, seja com o ocaso do sol ou um novo dia que se insinua, mas tudo de vai. As mais belas palavras desaparecem e quem está de seu lado? O nosso lado são ilusões, que se torna um passado e mais nada. A nostalgia é um lapso de tempo, é o reflexo do desconhecido de nós mesmos, e a coisa boa que nos escraviza se termina com um adeus, terminável. E a nossa teimosia de ser eternos, o beijo, intenções e mais intenções, tudo se vai, tudo. Mas se um dia o distante se estreitar, brindarei elegantemente. Mas nada será como se foi! Você será um estranho e uma triste lembrança Lembrança que já passou!

Se existe amor, a vida se reinventaria, E a dor seria apenas o olor
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Se existe amor, a vida se reinventaria, E a dor seria apenas o olor Do próprio amor em nostalgia. Mas se existe amor, O sol seria a dois, amarelando o universo, E o vinho entorpeceria a razão, Em um mundo duplicado, lado a lado, Onde o amor poetizaria as tolices do coração A ordem seria o inverso De um horizonte sem imensidão Coroando os nossos às de luz, Nos estilhaços apagáveis da ilusão. E se existe amor, o meu amor cantaria. E viveria de canção, seja lá onde for, Mas canção também se canta na dor, Porém, de amor morreria, Se existe amor?

Vai o vento de meio dia, soprando os restos de gentes, jogados ao sol a fio.
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Vai o vento de meio dia, soprando os restos de gentes, jogados ao sol a fio. E cada qual o seu lamento vai soprando lentamente a vida de lá pra cá. Apanho as estrelas entre as mãos, e apago o meu sol no meu olhar. É tudo vil e distante, mas tua alma são diamantes, que ainda não brilhou. Se deitas assim tão levemente, feito o sol, feito o vento, que do horizonte se esquivou. E assim, tão pouco e livremente, voastes para o céu sem ver-te voar. Mas sei que para longe já voou, pois em minhas mãos o ocaso chorou, As lágrimas pequenas de dor.

⁠Há o dia, a retina fita a luz, Mas os raios solares são transparentes, O calor de meio dia é o alvorecer,
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⁠Há o dia, a retina fita a luz, Mas os raios solares são transparentes, O calor de meio dia é o alvorecer, De horas irreguladas e descrentes. Há noites estreladas e de lua, Mas nada alumeia os becos escurecidos, As pessoas nas ruas estão nuas, E nenhum rumor serve de lenitivo. Há amor sob corações insanos, Sem o torpor dos sonhos esquecidos, Mas em tudo há vigor e acalantado, Mas o "eu" queda-se, adormecido!

⁠Eu estudo e não consigo os méritos. Não consigo passar no mínimo, e o pior, não posso oferecer a minha família o que merecem, apesar que nunca reclamam nada de mim, amam-me, e muito, mas qual a minha missão, o que faço na terra, eu não sei mais, o que sonho não dá frutos, vira o…
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⁠Eu estudo e não consigo os méritos. Não consigo passar no mínimo, e o pior, não posso oferecer a minha família o que merecem, apesar que nunca reclamam nada de mim, amam-me, e muito, mas qual a minha missão, o que faço na terra, eu não sei mais, o que sonho não dá frutos, vira outros sonhos, outros sonhos, outros sonhos, outros sonhos... Não estou reclamando, é a inutilidade contida no peito.

⁠Todos nós vamos morrer, É a única luz que ocultamos da vista, Pois morrer-nos-emos, tão de repentemente.
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⁠Todos nós vamos morrer, É a única luz que ocultamos da vista, Pois morrer-nos-emos, tão de repentemente. Pensei por muito tempo que as estrelas invejava a lua, Mesmo com tanto brilho demasiado, Pois a lua tão solitariamente, é vista na terra dentre luzes, Luzes exuberantes. O sol haveria de tomar todo os instantes, Mas aceitou a noite tão silenciosamente, Mas tão modestamente, que o poente virou seu funeral, Mesmo todos sabendo que poucos instantes depois, o sol viria a brilhar novamente. Ás vezes olhamos para quem amamos, E dentro de nós o coração é pela primeira vez sentido, Pois não sabemos até quando contemplaremos, As pessoas que perguntávamos se estavámos bem. E os nossos sonhos, até os amores, voam ao léu. Mas em um dia qualquer, Arrumaremos a mesa com apenas pão e café, E as fíascas de luzes a nossa volta nos cobrirão, Em um dendo véu...