Amigo, palavra cara Feliz quem pode achar um O nome é muito comum
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Amigo, palavra cara Feliz quem pode achar um O nome é muito comum Mas a coisa é muito rara…
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Amigo, palavra cara Feliz quem pode achar um O nome é muito comum
Amigo, palavra cara Feliz quem pode achar um O nome é muito comum Mas a coisa é muito rara…
Meu amor, lhe espero eternamente corcovado Lá no céu petrificado, braços abertos pra você Minha flor, meus desejos São Conrado
Meu amor, lhe espero eternamente corcovado Lá no céu petrificado, braços abertos pra você Minha flor, meus desejos São Conrado De um caminho apaixonado que o Joá me faz viver Quero beber sua garoa e lhe aquecer com meu verão Fazer de nós uma lagoa na Avenida São João Mas a dor de pensar em quem se ama Quase sempre nos engana ou então nos faz sofrer O sabor do sal de Copacabana Escorrendo dos meus olhos quando penso em você Ah, que esse amor só me machuca E esse sal me faz penar Eu vou lhe dar meu pão de açúcar Só pra você se lambuzar!
E lá se vai o último e cabível trago No estômago cheio de um homem vazio Que chora o que bebe porque bebe o que chora
E lá se vai o último e cabível trago No estômago cheio de um homem vazio Que chora o que bebe porque bebe o que chora Então vai- se embora nas águas de um rio E ginga com o vento Tropeça na sombra E o mundo se assombra Com sua ousadia E vira poeta Faz alegorias Sambando na rua Soluça poesias E driblando a sorte Atravessa a avenida E morre com o samba Que então ganha vida E lá se vai, e lá se vai O último e cabível bêbado Num copo cheio de um ar sombrio Que chora o que bebe porque bebe o que chora Então vai- se embora sem choro, vazio
Eu jamais desejei você Nem sonhei com seus beijos Sua voz me traz bocejos
Eu jamais desejei você Nem sonhei com seus beijos Sua voz me traz bocejos Meus olhos não querem lhe ver Eu jamais me lembrei do seu perfume Nem ainda sinto ciúmes Se alguém olha pra você Inclusive, eu nem tenho por costume Ao ouvir o telefone Ir correndo pra atender Eu jamais desejei voltar Nem tampouco lhe falar O quanto eu gosto de você
O céu está tão lindo A lua sorrindo Estrelas caindo
O céu está tão lindo A lua sorrindo Estrelas caindo E ela dormindo Seu sono é tão profundo que entorpece o ar Embalada nas voltas do mundo Ela nem sonha acordar A noite vai passando sem ela sentir O silêncio é o acalanto Que faz Ana Letícia dormir
O que é? O que é? Uma coisa que só no Brasil se faz? Quem pensou em samba, não é
O que é? O que é? Uma coisa que só no Brasil se faz? Quem pensou em samba, não é Nem futebol, nem café… Responda-me quem for capaz Agora vou dar uma resposta sagaz Ora, o que só no Brasil se faz É claro que são os brasileiros Pois em nenhum lugar do estrangeiro Mesmo com muito dinheiro Um brasileiro se faz Mas como se faz um brasileiro? Mais uma pergunta tenaz Alguém tem alguma receita Ou uma vaga suspeita de, enfim, como se faz? Vou tentar dar o meu pitaco: Cuíca, sanfona, cavaco Um pouco de balacobaco Inda assim não se faz É preciso misturar as cores: Branco, preto, amarelo Todo tipo de cabelo E uma teimosia pertinaz Mesmo assim um brasileiro Não é só assim que se faz Tem que ter algo além Um pouco de pimenta cai bem Ou um tempero mais audaz Um “mexe- mexe” demais Aí não tem pra ninguém Boa dose de alegria, bom humor, simpatia Mas, todavia, porém Inda assim não se faz Creio que pra se fazer um brasileiro O verdadeiro, daqueles que só no Brasil se faz Nem precisa ser cozinheiro É só misturar o mundo inteiro Numa grande receita de paz
Tem poesia na moça da cidade e na moça da favela Num clássico de Beethoven e num samba da Portela No sangue que corre pelas veias dos valentes generais
Tem poesia na moça da cidade e na moça da favela Num clássico de Beethoven e num samba da Portela No sangue que corre pelas veias dos valentes generais E no sangue que escorre das tão cheias notícias de jornais Tem poesia em uma criança que nasce e em seu comemorativo porre Em uma pessoa que esvai-se e lentamente morre No operário que luta pelo seu pão No pobre salafrário que acaba na prisão Nas águas que inundam o sul e se esquecem do sertão Nos batuques, nas cachaças que rolam pelos botequins Nos preconceitos sem graça dos cabelos pixains É poeta quem aprecia e solta Não fica mudo Quem vê a poesia Em todos e em tudo
Toc, toc,toc Faz o som no assoalho em altas horas Confiro a porta, vou pra cama
Toc, toc,toc Faz o som no assoalho em altas horas Confiro a porta, vou pra cama Confiro a porta, vou pra cama Confiro a porta, confiro a porta Vou pra cama Toque, toque, toque Diz a voz na minha mente completamente matemática São quatro numa e quatro noutra São quatro numa e quatro noutra São quatro numa e quatro noutra São quatro numa e noutra “-Toque, toque, toque” Dizem as pessoas à minha volta claramente transtornadas Não posso se não me contamino, não posso se não me contamino Não posso se não me contamino, não posso… Pensamentos mágicos, invasivos Desgastantes, opressivos Todos riem, acham graça Não entende quem não passa Pelo transtorno obsessivo compulsivo
É madrugada Silêncio me faz acordar Breu dando forma ao lugar
É madrugada Silêncio me faz acordar Breu dando forma ao lugar Chego à janela, olho o luar E as estrelas ao léu Cheiro salgado no ar Como é bonito o céu à beira mar…
Estreou numa manhã de Maio Nunca fui o mesmo depois dela Penetrou em minh’alma como um raio
Estreou numa manhã de Maio Nunca fui o mesmo depois dela Penetrou em minh’alma como um raio O seu nome? Ana Rafaela
Toda manhã ela passa Trotando formosamente Exibindo sua raça:
Toda manhã ela passa Trotando formosamente Exibindo sua raça: Seus lindos e afiados dentes Bela potranca eu vejo passar Com sua anca pra lá e pra cá Quem dera eu me agarrar à sua crina E galopar nesse belo animal Animal selvagem que empina Se assustada ou se lhe fizerem mal E em rumo ao destino Entre pingos de calor Cavaleiro e eqüino Num galope de amor
Saudade é ler Os poemas de um poeta morto Saudade é um barco que sai do porto
Saudade é ler Os poemas de um poeta morto Saudade é um barco que sai do porto Saudade é sentir a dor da despedida Saudade é chorar na partida Saudade é voltar sozinho A um inesquecível lugar Saudade é ir pra nunca mais voltar Saudade é cantar uma antiga canção Que faz lembrar uma linda paixão Saudade é sofrer Saudade é padecer Enfim, saudade é o que eu sinto de você
O poema é como um filho Você não cria pra você É preciso soltá-lo no mundo
O poema é como um filho Você não cria pra você É preciso soltá-lo no mundo Tem nome, identidade, registro E de repente você vê Que ele existe sem você Corta os laços oriundos “- Vai meu filho, voa alto! Mergulha fundo! Corre os trilhos! Come asfalto!Ganha o mundo!"
E como hábil pianista Tocar tecla por tecla do seu corpo Deixando Fluir livremente
E como hábil pianista Tocar tecla por tecla do seu corpo Deixando Fluir livremente O som de uma antiga melodia Que só nós dois conhecemos…
Que posso dizer se sou assim? Quando começo uma coisa, vou até o fim E se quero uma outra
Que posso dizer se sou assim? Quando começo uma coisa, vou até o fim E se quero uma outra A tomo pra mim Que posso dizer se sou assim? O meu tempo é agora Não há não, só há sim E se não digo na hora Espere por mim Pois irei noite a fora Ruminando assim Como um boi que demora A engolir o capim Que posso dizer se sou assim? Compulsivo, dominador… Isso é bom ou ruim? Se a vingança então É saber que a obsessão Se alimenta de mim
Eu lhe recalco Você me forclui Me nega, me tira, me exclui
Eu lhe recalco Você me forclui Me nega, me tira, me exclui De tudo que sendo deixa de ser Prazer em desconhecer… Eu sonho Você delira Nem sei se é verdade ou mentira Se tudo é como se vê Prazer em desconhecer… Torturas, carinhos, vinganças Eu quebro nossa aliança E volto sem saber por que Prazer em desconhecer… Que tipo de amor é o nosso? Em que estrutura estará submerso? Neurótico? Psicótico? Perverso? Não sei o que dizer Prazer em desconhecer…
Aquele menino que driblava certo com as pernas tortas Tinha um olhar diferente Chave de todas as portas: Sua maneira inocente
Aquele menino que driblava certo com as pernas tortas Tinha um olhar diferente Chave de todas as portas: Sua maneira inocente Caçando passarinho No esplendor da natureza Garrincha voa, pobrezinho Exibindo sua beleza E num gramado iluminado Iluminadamente ele está Deixando muito “João” Sentado na grama pra descansar O mundo inteiro gritou e agora grita de novo “- Garrincha, Garrincha, a alegria do povo” Hoje Garrincha voou nas asas da solidão Mas a camisa que ele suou Não tem substituição Nossos corações pararam Na parada de seu coração Não tem mais bola no pé Ele já não pisa no chão Uma coisa eu grito com fé, garra e emoção “- Garrincha era Mané, mas nunca foi João”
Liduína Frederico Amitrano Teu nome, Liduina
Liduína Frederico Amitrano Teu nome, Liduina É um forte nome de mulher Um raro nome de menina Não nega a origem nordestina Daqueles que vieram te colher Doce flor de cajuina O teu nome me encanta Cada letra me fascina Que lindo nome de santa Fosse essa a tua sina Mas que doce nome de amante É o teu nome, Liduina
Ah, a angústia… Eu bem sei o que é Fogo que não se apaga
Ah, a angústia… Eu bem sei o que é Fogo que não se apaga Febre que não me deixa Dor que se propaga Buraco que nunca fecha.
Deus os chamou para a mesma caminhada Unidos nesse mistério Uma alma na outra embalsamada
Deus os chamou para a mesma caminhada Unidos nesse mistério Uma alma na outra embalsamada Um mistério no outro mistério Dentro de suas almas enluaradas Canta uma doce canção, o saltério Uma com a outra marcada Num compromisso solene e sério. Desfaçam-se canções como sonatas aos luares, Eternizem esse amor que não se mede E o depositem em Deus, em seus altares Acharam o amor, maior descoberta do que a de Arquimedes O amor de vocês seja como o de Cantares O amor entre Eline e Fred
O poeta é como um missionário Que prova dos sabores de sofrimentos de versos Como a madeira que se transforma em objeto direto
O poeta é como um missionário Que prova dos sabores de sofrimentos de versos Como a madeira que se transforma em objeto direto Das lixas das mãos de Deus, seu marceneiro Pois quando um poeta cria De simples palavras cruas Uma simples poesia Ele lixa cada frase Exclama, virgula, pontua e põe crase Nas mínimas lembranças suas De amores impossíveis são feitos os poemas Que germinam da mente desse asceta Que não reclama e nem blasfema De sua sina de ser poeta
Você com alguém e eu sem ninguém Você com alguém e eu também Você sem ninguém e eu, muito bem
Você com alguém e eu sem ninguém Você com alguém e eu também Você sem ninguém e eu, muito bem Eu sem ninguém, você com alguém Duas vidas paralelas como dois trilhos de trem Correm juntas e só se encontram No infinito ou mais além
Sem alívio, sem agrado Duro Muito rígido, excitado
Sem alívio, sem agrado Duro Muito rígido, excitado Duro Sem dinheiro, sem trocado Duro Insensível, calejado Duro Muito ríspido, indelicado Duro Impossível, impenetrável Duro
O que será que ele pensa Quando fica assim tão sério? Há um véu de mistério
O que será que ele pensa Quando fica assim tão sério? Há um véu de mistério Que me deixa um pouco tensa… Quem será que ele é? Será que é casado? Viúvo? Divorciado? Será que tem filhos? Mulher? Quem será que ele é? Ou melhor, quem será que ele é pra mim? Qual lugar lhe é devido? Se parece com meu pai Ou será com meu marido? Eta dúvida sem fim Meu analista é assim Às vezes penso nele Com raiva… Em outras, com carinho…