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Frases de Florbela Espanca

180 frases

"É uma resposta aos que chamam ao suicídio um fim de cobardes e de fracos, quando são unicamente os fortes que se matam! Sabem lá esses pseudo-fortes o que é preciso de coragem para friamente, simplesmente, dizer um adeus à vida, à vida que é um instinto de todos nós, à vida tão…
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"É uma resposta aos que chamam ao suicídio um fim de cobardes e de fracos, quando são unicamente os fortes que se matam! Sabem lá esses pseudo-fortes o que é preciso de coragem para friamente, simplesmente, dizer um adeus à vida, à vida que é um instinto de todos nós, à vida tão amada e desejada a despeito de tudo, embora esta vida seja apenas um pântano infecto e imundo!"

Em tudo eu vejo sempre os antecedentes, as consequências, as razões e as causas: sou como as crianças que desmancham o brinquedo que as entretém só pelo prazer de saber o que está dentro. Apesar do meu tradicional horror às ciências positivas, eu tenho uma grande dose de positivi…
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Em tudo eu vejo sempre os antecedentes, as consequências, as razões e as causas: sou como as crianças que desmancham o brinquedo que as entretém só pelo prazer de saber o que está dentro. Apesar do meu tradicional horror às ciências positivas, eu tenho uma grande dose de positivismo e a ciência a que na vida ligo maior importância é a matemática. Paradoxos. Por Florbela Espanca

Não ser Ah! arrancar às carnes laceradas Seu mísero segredo de consciência!
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Não ser Ah! arrancar às carnes laceradas Seu mísero segredo de consciência! Ah! poder ser apenas florescência De astros em puras noites deslumbradas! Ser nostálgico choupo ao entardecer, De ramos graves, plácidos, absortos Na mágica tarefa de viver! … Quem nos deu asas para andar de rastos? Quem nos deu olhos para ver os astros – Sem nos dar braços para os alcançar?!…

Na vida nada tenho e nada sou; Eu ando a mendigar pelas estradas... No silêncio das noites estreladas
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Na vida nada tenho e nada sou; Eu ando a mendigar pelas estradas... No silêncio das noites estreladas Caminho, sem saber para onde vou! Tinha o manto do sol...quem mo roubou?! Quem pisou minhas rosas desfolhadas?! Quem foi que sobre as ondas revoltadas A minha taça de ouro espedaçou? Agora vou andando e mendigando, Sem que um olhar dos mundos infinitos Veja passar o verme, rastejando... Ah! quem me dera ser como os chacais Uivando os brados, rouquejando os gritos Na solidão dos ermos matagais!...

Os versos que te fiz Deixe dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem pra te dizer !
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Os versos que te fiz Deixe dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem pra te dizer ! São talhados em mármore de Paros Cinzelados por mim pra te oferecer. Tem dolencia de veludo caros, São como sedas pálidas a arder… Deixa dizer-te os lindos versos raros Que foram feitos pra te endoidecer ! Mas, meu Amor, eu não te digo ainda… Que a boca da mulher é sempre linda Se dentro guarda um verso que não diz ! Amo-te tanto ! E nunca te beijei… E nesse beijo, Amor, que eu te não dei Guardo os versos mais lindos que te fiz.

Mentiras Ai quem me dera uma feliz mentira que fosse uma verdade para mim!
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Mentiras Ai quem me dera uma feliz mentira que fosse uma verdade para mim! J. DANTAS Tu julgas que eu não sei que tu me mentes Quando o teu doce olhar pousa no meu? Pois julgas que eu não sei o que tu sentes? Qual a imagem que alberga o peito meu? Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo O bom sonho da feroz realidade... Não palpita d´amor, um coração Que anda vogando em ondas de saudade! Embora mintas bem, não te acredito; Perpassa nos teus olhos desleais O gelo do teu peito de granito... Mas finjo-me enganada, meu encanto, Que um engano feliz vale bem mais Que um desengano que nos custa tanto! Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

IMPOSSÍVEL Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste: "Parece Sexta-Feira de Paixão.
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IMPOSSÍVEL Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste: "Parece Sexta-Feira de Paixão. Sempre a cismar, cismar de olhos no chão, Sempre a pensar na dor que não existe... O que é que tem?! Tão nova e sempre triste! Faça por estar contente! Pois então?!..." Quando se sofre, o que se diz é vão... Meu coração, tudo, calado, ouviste... Os meus males ninguém mos adivinha... A minha Dor não fala, anda sozinha... Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!... Os males de Anto toda a gente os sabe! Os meus... ninguém... A minha Dor não cabe Nos cem milhões de versos que eu fizera!... In Livro de Mágoas, 1919

O nosso amor morreu... Quem o diria! (...) Bem estava a sentir que ele morria... (...) Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
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O nosso amor morreu... Quem o diria! (...) Bem estava a sentir que ele morria... (...) Eu bem sei, meu Amor, que pra viver São precisos amores, pra morrer, E são precisos sonhos pra partir E bem sei, meu Amor, que era preciso Fazer do maor que parte o claro riso De outro amor impossível que há de vir!