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Frases de Filipe Feros

18 frases

⁠NECRÓPOLE ECUMÊNICA Fui ao campo esses dias, tenho ido para ocupar através da visão,
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⁠NECRÓPOLE ECUMÊNICA Fui ao campo esses dias, tenho ido para ocupar através da visão, aquilo que me esvazia. Ando sobre a grama cor de sangue e com a temperatura de meu inferno emocional, sem me preocupar com o modo que chegarei ao céu. Ouvir os pássaros cantando seus prantos, enquanto vejo as árvores balançarem contra o vento por teimosia do encanto, é um eterno espetáculo a ser visto de olhos fechados. Nesse campo, há flores mortas gritando um último suspiro de vida enfeitando toda a paisagem. Nas trilhas passeiam famílias, sempre com as mesmas roupas, mesmos rostos e mesmos sentimentos. Fui de forma contínua a três dias, tenho me sentado no mesmo banco, no mesmo horário, às três horas e trinta e três minutos da madrugada, para ser exato. Em cada dia, acendi um cigarro e sentou-se ao meu lado três senhoras, cada qual me dando um concelho... A primeira, vestida de todas suas mágoas e nós olhos talismãs, chegou como o vento batendo em meus cabelos. Pediu-me um cigarro e falou: "Guarda-te em teus olhos o alvorecer que está por vir, nele ira cantar os pássaros presos em sua garganta. A tempestade do seu oceano vai cessar, as tribulações se acalmarão no fim de teu choro. Não és hora de chuva, há uma primavera querendo teu nome, basta seguir a luz do farol que vem do consciente." Ela então se calou, acendeu o cigarro com a língua. No primeiro trago, sumiu com a fumaça, seguindo a ventania de seu vestido. A segunda senhora, essa no segundo dia, estava vestindo as lágrimas de sua culpa, tendo sangue nos lábios como batom. Chegou como a sombra de um pássaro pairando minha cabeça. Pediu-me um cigarro e falou: "Pare de golpear teu coração com o garfo que enche tua boca. O amor lhe nega, então aceite, já não és tempo de insistir. Quantas e quantas vezes tu recebeste um não ao convidar alguém para dançar!? Dança-te no salão de tuas frustrações, tendo como companhia teu reflexo. Quem te ama, não te entende. Assim, beije sua solidão e rasgue todos os convites." Ela então se calou e guardou o cigarro em sua bolsa, pediu para eu pensar na pessoa em que amo. E sumiu-se entre minhas ilusões. A terceira senhora, essa que vestia o desespero e usava como anel sentimentos, chegou como o calor de um dia sob minha pele. Pediu-me um cigarro e falou: "Onde nasce teus delírios, é o mesmo lugar onde jaz tua razão, então, cultive apenas o que cresce em tua terra. Não deseje a semente que estraga teu solo, saiba escolher o fruto. A colheita farta é aquela que enche teu peito, não a mesa de teu banquete, todos nós temos fome daquilo que não cresce em nossa plantação. Desse modo, aprenda a se satisfazer com o que tem em teu quintal." Ela então se calou e me devolveu o cigarro, como se não fosse digna de um. Então, sumiu com a lua quando viu o sol nascer. Nesse campo que se chama "Cemitério das Almas Perdidas", encontro o ar de meus pulmões e o sangue de minhas veias. Passeando calmamente por cada lápide de um ente indesejado, sinto-me completo de virtudes e conhecimento, assim, me reconhecendo. Continuarei indo, com o intuito de abrandar minha existência. Meu lugar é entre os mortos, aqueles que vivem de sua dor.

⁠DIVINA DIABRURA Quando a noite deita ao meu lado Brinca na minha aura um menino travesso,
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⁠DIVINA DIABRURA Quando a noite deita ao meu lado Brinca na minha aura um menino travesso, Órfão de ilusões Desconhece sua origem E suas únicas palavras... São piadas sobre meus sentimentos Mergulha no vasto vão que guardo a sete bocas Espiona as Inocências de minhas dores Tomando banho em minhas lágrimas Não respeita nenhum tempo exigido Pelo meu espírito Age como se não fosse ninguém, Como se não houvesse vida dentro de si É tão egoísta quanto seus atos Não se cansa até ouvir um não A repressão é bálsamo para suas perversidades Recusa a própria imagem E assim espera ser tratado pelos outros Mas dentro de mim, além do vazio Existe apenas ele Sendo a negligência de si próprio Não o amo, muito menos o odeio Guardo em mim somente por pena Apesar de tamanha desordem causada por essa peste Não sinto incômodo Ele me ajuda Ocupa o tempo em que a escuridão domina minha mente Meu sono a chama para brincar de ciranda Ele é resultado de uma emoção inexistente Esse menino sente medo da realidade Assim, fugindo da noite solitária Que lhe mostra seu reflexo, Perdoo sem ele me pedir desculpas Tenho compaixão por cada ferida que contém em sua alma Pois, esse menino, Sou eu

⁠PRIMEIRA EPÍSTOLA: APOTEOSE AO DESESPERO LÚCIDO No estandarte da noite bizarra, corto os pulsos de minha quimera,
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⁠PRIMEIRA EPÍSTOLA: APOTEOSE AO DESESPERO LÚCIDO No estandarte da noite bizarra, corto os pulsos de minha quimera, com a mesma lâmina que tiro os pelos do meu rosto. O dia despertou de meus sonhos, somente para bater em minha cara. Senti a volúpia do seu desespero, enquanto me perfurava com seus olhos de flechas, tendo fogo em suas pontas, me fizeste queimar minha última carta de amor, meu último poema e meu último repulso. Remotas gritarias em meu interior, são silêncios para quem tem esperança, um surdo compreende melhor o que digo, do que um versado. Tenho andando por um deserto, tendo que beber o veneno de minha saliva, para matar a sede por vingança. O único direito que possuo, é o de segurar as lágrimas, para não fertilizar o solo com minha tragédia. Faca enferrujada gravada em minha garganta, golpeando lentamente minha respiração, solto em segundos, a sensação de um animal sendo sacrificado. O desespero é axiomático até se olhar no espelho, não há dúvida maior que ele, quem escuta o grito do meu reflexo do outro do espelho? Qual dos meus cantos irá quebrar o espelho? Que vida levo em frente ao espelho? Maldito vidro quebrado em meus olhos, a dúvida é o axioma absoluto. Prisão perpétua significa poeta, no dicionário de dores. Fui crucificado em uma cruz de papel, tendo as mãos e os pés presos e perfurados por canetas, furos que me mostram o outro lado do sofrimento. Através dos vazios que preenchem minha carcaça, constato o infortúnio de está vivo. Arrasto os meus sentimentos, sobre uma tábua com pregos, está que sustenta o arcabouço do meu caos. Estou a cada poema, com a língua mais áspera, o gosto amargo está cada vez mais intenso e a agonia roubando minha visão. A noite me deixou viúvo, suicidou-se em meus pesadelos, deixando-me sem ilusões de adormecer. A guerra não cessa no meu sono, há um novo ápice a cada piscada de olhos. O dia continua bofetando minha cara, ela já está tão deformada, que nem minha mágoa me reconhece! Destino inexorável, impiedoso, imperfeito. Nem aspirina supre meus problemas, pelo contrário, ela os desperta como feras esfomeadas, se alimentando de meu descanso.

⁠LUCIDEZ Se vivo um sonho, que angústia me pôs a dormir? Em que martírio descansei minha cabeça?
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⁠LUCIDEZ Se vivo um sonho, que angústia me pôs a dormir? Em que martírio descansei minha cabeça? Qual desamparo me tirou a realidade? Essas respostas, vejo em teus olhos, ó Morte súbita. Morte que rasga a carne da presa, e come os ossos. Minhas lágrimas, já não me queima o rosto, a tristeza não é mais um fato, o desastre está por vir, e o espero bater em minha porta, sentado sobre meus próprios desejos. Enterrei meu passado debaixo da língua, o cobri com as pedras da minha saliva, não há quem ache o corpo. Na minha casa só há culpa nas encanações, com ela mato a sede, com ela escovo os dentes, com ela lavo o rosto com ela me banho. Sinto frio, e neste quarto, só há mentiras para me cobrir de razão. Meus olhos fendam a aurora da alegria, minha última felicidade, foi quando me vi sofrer, já não sofro, pois, eu sou o sofrimento. Contém um espelho gritando meus medos, já não consigo me encarar como antes, perdi-me nas minhas faces. Meus sonhos são baratas, e neles, piso, pois, não os quero em minha companhia. Sou o mesmo de ontem, o hoje é uma farsa e o amanhã uma mentira. A vida é cômica, e eu sou dramático, por isso ela ri da minha cara, usa-me como piada, consegue me transformar em um palhaço, para que todos os valores possam me humilhar. Detenho as vontades dos meus sentimentos, minhas ações contradizem o que falo, as palavras se molharam nas minhas lágrimas. A rotina me acorda dos sonhos com uma arma na cabeça. Despertei. Já não aceito presentes de um futuro que não ira existir, pertence ao passado qualquer dor que sinto. Desordem acumulada em minhas vísceras, não consigo arrumar a bagunça do meu coração, o pensar se faz hóspede onde mora minha negligência. Acordado vejo, escuto, bebo da minha morte cotidiana, que me faz refém do mesmo sentir.

⁠OUTREM Observando o local onde moro, percebi que não tenho casa, não tenho paredes para sustentar meus delírios
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⁠OUTREM Observando o local onde moro, percebi que não tenho casa, não tenho paredes para sustentar meus delírios não tenho chão para deitar minhas mágoas, não tenho teto para proteger meus problemas, o que me resta é a bagunça interna. Sou um verdadeiro mendigo de sentimentos. Escondo-me atrás de dívidas, essas que nem minha vida paga, não há ouro na terra para quitar minhas ilusões, tenho fugido das ameças de agiotas, esses que me cobram amor. Sou um rapaz alto, o suficiente para ser notado por uma legião de ignorantes, sou também franzino, desnutrido de esperanças, tenho sobrevivido me alimentando apenas de desejos, disso não tenho o que reclamar, sou dono de volúpias fartas, de carnes magras e de boas plantações que não dão frutos. Realmente, não tenho o que reclamar dos meus desejos por tragédias... Tenho uma rotina preguiçosa, ao acordar entrelaço meus punhos aos calcanhares, no café da manhã, a refeição mais importante do dia, recebo chicotadas de meus atos, preciso me alimentar do remorso de minhas decisões, pra ter forças para me torturar. Minha única obrigação, é ser vítima de mim mesmo, fazer o meu próprio drama, ofício que não reconheço. Para ser sincero, tenho outras obrigações, mas fujo delas, para que no fim do dia, eu possa me arrepender por não realiza-las. Não tomo banho, a conta de água está atrasada, não vejo necessidade em paga-la, para quê água se tenho saliva em minha boca? Os humanos são muito tolos, só sabem viver e negam a importância da sobrevivência, são infelizes com seus falsos amores, refletindo em mim, suas frustrações excessivas, depressões e problemas mentais. Não...Eu não me responsabilizo por suas lágrimas derramadas, desconheço a culpa de tuas tristezas. Meu único dono é a noite, sentimento lúgubre sinto por tal momento, nos lugares mais altos da cidade canto em tua louvação. Solto de minha garganta, toda aflição e agonia que sinto por está vivo. Rasgo o descanso das almas cansadas com minha voz aguda, timbre que recebi da morte. Me atiram paus e pedras, por seguir o meu instinto, tenho que me diminuir para caber em espaços vazios, não desvio dos arremessos, continuo em sua mira, e mesmo assim, essas pessoas arrogantes, insistem em errarem minha existência. Não há leis que me cabem e nem regras que preciso seguir, brinco com a minha liberdade antes de engoli-la, nunca estou satisfeito, tenho fome de novos horizontes, para eu poder me deitar, independente de onde esteja o caos.

⁠AMORFA Hoje o papel me perguntou: — Você novamente? O que queres agora de mim?
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⁠AMORFA Hoje o papel me perguntou: — Você novamente? O que queres agora de mim? Reclamando através de minhas letras Tendo nojo da tinta com que escrevo Rasgando-me a mão Gritando VINGANÇA Aos meus pecados O pesadelo bate na minha porta Senta-se ao meu lado Acompanha-me no café da tarde E me conta seus sonhos... O papel conjuga isso a traição Sente ciúmes dos meus piores traumas Humilha-me e me guarda em seus rabiscos Não tenho escolhas, para que eu coma Preciso dividir o pão com Satanás A fumaça do meu cigarro perfura a ferida que contém no meu sangue Meus sentimentos sofrem diariamente hemorragias Onde ardem minhas paixões Amo a mim mesmo... E qualquer dor que há na minha carcaça Os abutres se deliciarão comendo minhas visões Quem dera eu comer meus próprios restos E queimar meus próprios poemas Sinto o nada O vazio é a única moradia que recebe meu remorso Preciso encarar o papel com os mesmos olhos Que mato o espelho Devido às calúnias que contei a alma Se deita comigo o adeus

⁠REVÉS Minha existência é a maior opressão de minha vida Vem de mim o caos que rodeia meu ser
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⁠REVÉS Minha existência é a maior opressão de minha vida Vem de mim o caos que rodeia meu ser Cobro do espírito uma dívida que eu jamais pagaria Compreendo que não sei entender A prefação da carne é o proêmio do declínio pessoal Além de todo holocausto do provérbio não dito O sôfrego do sentir reflete a resolução do mal Fazendo o ábdito contradizer o mito Pêsames são cânticos para a minha cognição Tenho como castigo suportar o peso do tino Jamais senti o gosto da retidão Muito menos li as linhas do meu maldito destino Diante de tantos infortúnios, meu coração é lânguido Manifestando o feitio da desventura Vejo que tal descrença não merece as risadas do espanto Então fiz uma rebelião contra minhas próprias torturas

⁠CONTUSÃO Sacrifico o corpo valente com a força que o medo me dá Com pusilanimidade consigo ver, as vantagens de perder
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⁠CONTUSÃO Sacrifico o corpo valente com a força que o medo me dá Com pusilanimidade consigo ver, as vantagens de perder Ele me faz gritar um silêncio que se espalha na imensidão do vazio Com os traumas, curo as feridas que não feri Chagas que nunca existiram Mas sempre que nasço, sangram Eu poderia deixar de viver...Morrer Por um motivo menor que minha vida Todavia com toda ânsia, a angústia é maior que a crueldade do meu existir Além do que vejo Meus olhos fecho, a cada visão Escondo-me da realidade que não estou Mudo é meu coração Que escuta o que não digo a mente Sendo frequente, a queda do que me equilibrou

⁠ANACORETA Cometi a mim mesmo o maior pecado criado por uma imaginação Vendo o dinamismo da ilusão,
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⁠ANACORETA Cometi a mim mesmo o maior pecado criado por uma imaginação Vendo o dinamismo da ilusão, Suicidei qualquer esperança de mim completar Não há quem me diga uma mentira em que eu já não tenha me tornado Cego pelo escuro do passado, o devaneio de um futuro próspero É o maior medo que tenho Sozinho fiz o que ninguém faria ao meu ego (o Eu) Além de tudo, consegui cair sem desejo de levantar Devido ao meu corpo presente enquanto minha alma ausente Percebi a mândria do meu ruminar Sem o vazio não sobraria nada de minha existência Negando minha aparência, sou o reflexo do ermo Pensando bem... Sem a solidão eu não seria o mesmo

⁠SENTIDOS No estandarte da noite sem clarão, ouço uma voz que aparece nos meus sonhos Não a conheço, jamais me desejou um bom dia
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⁠SENTIDOS No estandarte da noite sem clarão, ouço uma voz que aparece nos meus sonhos Não a conheço, jamais me desejou um bom dia Apenas amaldiçoa meus ritos de sonos Batizando a miséria de minha retina com as lágrimas da agonia O sol entrelaçando meus pés, tropeçando nos infestos do vale Se faz feo diante do carniçal Ao alvorecer digo; MORTE | Ao crepúsculo me fiz males Desbrioso é o conflito contra a injúria espiritual A mão de um destino caótico perfura com a língua meu coração Chove no seco de meus sentimentos, mas não os molham Se cobre a relva do peito com as causas da destruição Que comove a mufina dos quais me olham Adoeci minh'alma diante dos cânticos do inferno Joguei-me no abismo do meu ego Procurando o amor que cura meus versos Aposentando da garganta todos os pregos

SACRIFÍCIO ⁠Peço a quem não tem coração Que não fale, nem cante
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SACRIFÍCIO ⁠Peço a quem não tem coração Que não fale, nem cante Apenas escute o que não tenho a dizer Estou de luto, mataram-me Hauriram minhas ilusões Sorviram minhas surpresas Como se estivessem bebendo meus delírios com gelo de razão Tiraram de minha boca a deliciosa quimera Que preparei usando minhas mágoas Tendo como resultado de tal imolação, A miséria iludente incarna o gosto do aziúme Degustando assim, a índole de infesto Tenho fome do que não existe Sede do que não há de ser Peço que temperem meu corpo com o fel da mentira Fazendo da minha carne, comida para os cachorros da rua Mas que nunca comam ela crua

⁠CISMA Minhas letras são livres enquanto as palavras morrem presa em sua liberdade E junto ao verbo, a ação contradiz o ato
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⁠CISMA Minhas letras são livres enquanto as palavras morrem presa em sua liberdade E junto ao verbo, a ação contradiz o ato Não conheço o sabor do inteiro, apenas o desconhecimento da metade Crio atalhos para percorrer mais rápido, as entrelinhas do passado A única justificativa para o esquecimento, é o repúdio das memórias não vividas O ganho de uma guerra causa desglória aos mortos estando em vida Antes de qualquer perca, janta em minha mesa O ciúme e comemos juntos as vontades da ironia Sou testemunha do divórcio do meu sentir com o meu pensar Porém, não consigo carregar o peso de tal tragédia No contrato, um ficou com a humilhação e o outro com a índole de não falar Entre as benévolas da maldade, não há quem faça ter-me com a paz trégua A matéria implanta no espírito o que não pode ser contido no corpo Assim não posso negar as razões cordiais do tormento Quando se envelhece um desejo, matamos os motivos para ter um novo Pois, breve são as desvantagens do triunfo de um momento

⁠(DES)NASCIMENTO Temi a chegada do hoje, e agora ele me encara como se houvesse fome em suas mãos Deseja tudo que há em mim, para alimentar um sonho que não me pertence
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⁠(DES)NASCIMENTO Temi a chegada do hoje, e agora ele me encara como se houvesse fome em suas mãos Deseja tudo que há em mim, para alimentar um sonho que não me pertence Diante de tantas guerras interpessoais, o ego é o único que vence Alimentando as enfermidades da alma com míseros grãos A fera que devora meu interior se soltou, vagando despida de qualquer culpa pela minha liberdade Golpeia com seus dentes qualquer sentimento existente que movimenta meus campos Seu único propósito é cortar qualquer veia que me liga aos planos Me fazendo à qualquer custo vomitar na face da verdade A muralha que erigi todos esses anos entre o Eu e o Ser desabou Caiu sobre mim os destroços da minha existência Mesmo ferido pela própria personalidade, tive que recolher cada peso que esmaga minha consciência E para erguê-la terei que gastar o tempo que já se esgotou Infelizmente o hoje chegou, precisarei lhe receber com o sorriso mais falso que contenho por inútil simpatia Já me sinto cansado apenas de imaginar as consequências dos meus novos comportamentos Não tenho mais vida, apenas momentos Que precisarei desfrutar sem temer a agonia

⁠OMINOSO Hoje me fiz refém do ontem e exitem olhos fechados olhando meu corpo nu sobre a cama Sinto por dentro a morte com um gosto familiar jamais provado
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⁠OMINOSO Hoje me fiz refém do ontem e exitem olhos fechados olhando meu corpo nu sobre a cama Sinto por dentro a morte com um gosto familiar jamais provado Nefando mais uma vez, importuno a solidão que tanto me difama A execração da alma é o início de um novo passado O dia dorme em meus sonhos, vagando pelo meu vazio, implorando um prato de comida A miséria agoniza uma dor que pertence a mim, dizendo que tem empatia por meus pêsames Pretendia acreditar que isso é um aviso, mas tenho recebido sinais mais fortes da vida Agora observo meus passos tropeçando em meus pés, implorando para que o caos beija-me A felicidade é uma visita ilustre, insensata e principalmente...Indesejada Não quero que venha a mim o que não é de mim Soltei minhas veias de meus braços, dando a liberdade que sempre quis ter ao sangue em uma facada Devolvo na mesma face à angústia demolindo o ruim Novamente estou perdido, não por falta de caminhos, mas por desânimo de continuar andando sobre minhas lágrimas Há um peso no toque dos sentimentos que carrego Minhas vontades não suprem a necessidade de dá migalhas para as lástimas Alimentando apenas as piores partes do ego

⁠Envolvido pela envolta carnal Fiz do conflito com o espírito A maior justiça falsificada com tinta da cor do delírio
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⁠Envolvido pela envolta carnal Fiz do conflito com o espírito A maior justiça falsificada com tinta da cor do delírio Aos muitos e os poucos que me seguem, digo-lhes que é inútil: Qualquer briga Qualquer guerra Qualquer luto movido pela morte da tolerância Afinal, isso não é um direito, é apenas uma tolerância E assim, dei continuidade ao sofrer Até mesmo o fato de sermos uma mentira válida, contradiz a maior certeza que temos, A que estamos mortos, e que um dia todos nós viveremos a verdade O Eu é a incógnita do existir em vida plácida Não existe bonança com a presença do que não somos O pseudo que aplicamos em nossas vontades, é tão vergonhoso quanto nosso sangue Seguimos uma linha de raciocínio multi paralelo, que nós faz duvidar até de si mesmo Fazendo assim, a maior burrice a busca pelo autoconhecimento

⁠FESTIM Suspiro a fantasia do perfeito Engasgo-me com as migalhas de axioma que recebo
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⁠FESTIM Suspiro a fantasia do perfeito Engasgo-me com as migalhas de axioma que recebo Exalo utopias vastas, deixadas pelo meu encerramento Grandiosa é a clausura que envolve meu padecimento Tenho segredos que escondo até de mim Verdades que guardo entre as endrôminas da alma Não respeito minhas cláusulas Janta comigo as mágoas, e o meu fim Engulo o que nem deveria mastigar Me dão de beber minhas próprias razões Limpo o prato que como com meu cuspe Preparo meu alimento com os espantos das ilusões Há de eu vomitar o que não contém em meu exterior Não suporto mais o que não me cabe Estou cheio de lástimas e vazio de rancor Salvo qualquer amparo antes que o Eu me mate Importuno minha fome a temperando com o feo de minha mente Não com o fel de minha existência Existem diversas diferenças, Que degusto sem sentir o prazer deprimente

⁠DESVENDAR Andei de olhos abertos por vales vazios Neles vi o que não devia
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⁠DESVENDAR Andei de olhos abertos por vales vazios Neles vi o que não devia E quando os olhos fechei Divisei os traumas de meu caminho A cada passo é um novo motivo para desistir Continuei sem o direito de ir A um metro de retroceder ao avanço Recorri ao último falhanço A causa do meu cair Antes que me levantasse, olhei tudo ao meu redor E quando me levantei, o caminho já estava cheio Repleto de motivos para prosseguir E eu não o segui Troquei de estrada Mudei a velocidade Vaguei pelo nada Guardei por medo minha mentalidade Revendo velhas dores, me senti hodierno Fiz das lágrimas adubo para o terreno E de tanto pensar, cai novamente Vi o sentimento latente Que de tanto lembrar, esqueço Nessa viagem, não me falta receios Falta coragem E nessa passagem Termino sem início e fim Apenas com meios

⁠RE/SINTO Quando vi que mundo estava perdido Encontrei em meus malogros um motivo
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⁠RE/SINTO Quando vi que mundo estava perdido Encontrei em meus malogros um motivo Para continuar desistindo de mim E outro para avançar ao desespero Se não fosse a minha loucura eu já teria enlouquecido Depois que escrevi um brado de socorro a Deus Tornei-me responsável pela sua depressão Quanto mais grito, percebo o silêncio que faço em meus versos Em comunhão com a solidão, vejo que meu tormento é polivalente Penumbre são minhas decisões Que me acedem e apagam o desejo da morte Desperto e adormeço no mesmo pesadelo O sonho se tornou meu inimigo Não existe tristeza mais triste do que eu Preencho-me com vazios e doses de veneno Que bebo enquanto beijo meus pecados Embriago minha mente com as mentiras que não acredito Nada sai como planejo, pois desisto antes mesmo de pensar Meu único erro é ser eu Fracasso diariamente tentando me enganar Não sei nem o que escrevo, não sei quem sou Mas tenho certeza que morto estou