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Frase de Filipe Feros

⁠AMORFA Hoje o papel me perguntou: — Você novamente? O que queres agora de mim? Reclamando através de minhas letras Tendo nojo da tinta com que escrevo Rasgando-me a mão Gritando VINGANÇA Aos meus pecados O pesadelo bate na minha porta Senta-se ao meu lado Acompanha-me no café da tarde E me conta seus sonhos... O papel conjuga isso a traição Sente ciúmes dos meus piores traumas Humilha-me e me guarda em seus rabiscos Não tenho escolhas, para que eu coma Preciso dividir o pão com Satanás A fumaça do meu cigarro perfura a ferida que contém no meu sangue Meus sentimentos sofrem diariamente hemorragias Onde ardem minhas paixões Amo a mim mesmo... E qualquer dor que há na minha carcaça Os abutres se deliciarão comendo minhas visões Quem dera eu comer meus próprios restos E queimar meus próprios poemas Sinto o nada O vazio é a única moradia que recebe meu remorso Preciso encarar o papel com os mesmos olhos Que mato o espelho Devido às calúnias que contei a alma Se deita comigo o adeus

Filipe Feros

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Pensador.com

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Outras frases de Filipe Feros

⁠OUTREM Observando o local onde moro, percebi que não tenho casa, não tenho paredes para sustentar meus delírios
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⁠OUTREM Observando o local onde moro, percebi que não tenho casa, não tenho paredes para sustentar meus delírios não tenho chão para deitar minhas mágoas, não tenho teto para proteger meus problemas, o que me resta é a bagunça interna. Sou um verdadeiro mendigo de sentimentos. Escondo-me atrás de dívidas, essas que nem minha vida paga, não há ouro na terra para quitar minhas ilusões, tenho fugido das ameças de agiotas, esses que me cobram amor. Sou um rapaz alto, o suficiente para ser notado por uma legião de ignorantes, sou também franzino, desnutrido de esperanças, tenho sobrevivido me alimentando apenas de desejos, disso não tenho o que reclamar, sou dono de volúpias fartas, de carnes magras e de boas plantações que não dão frutos. Realmente, não tenho o que reclamar dos meus desejos por tragédias... Tenho uma rotina preguiçosa, ao acordar entrelaço meus punhos aos calcanhares, no café da manhã, a refeição mais importante do dia, recebo chicotadas de meus atos, preciso me alimentar do remorso de minhas decisões, pra ter forças para me torturar. Minha única obrigação, é ser vítima de mim mesmo, fazer o meu próprio drama, ofício que não reconheço. Para ser sincero, tenho outras obrigações, mas fujo delas, para que no fim do dia, eu possa me arrepender por não realiza-las. Não tomo banho, a conta de água está atrasada, não vejo necessidade em paga-la, para quê água se tenho saliva em minha boca? Os humanos são muito tolos, só sabem viver e negam a importância da sobrevivência, são infelizes com seus falsos amores, refletindo em mim, suas frustrações excessivas, depressões e problemas mentais. Não...Eu não me responsabilizo por suas lágrimas derramadas, desconheço a culpa de tuas tristezas. Meu único dono é a noite, sentimento lúgubre sinto por tal momento, nos lugares mais altos da cidade canto em tua louvação. Solto de minha garganta, toda aflição e agonia que sinto por está vivo. Rasgo o descanso das almas cansadas com minha voz aguda, timbre que recebi da morte. Me atiram paus e pedras, por seguir o meu instinto, tenho que me diminuir para caber em espaços vazios, não desvio dos arremessos, continuo em sua mira, e mesmo assim, essas pessoas arrogantes, insistem em errarem minha existência. Não há leis que me cabem e nem regras que preciso seguir, brinco com a minha liberdade antes de engoli-la, nunca estou satisfeito, tenho fome de novos horizontes, para eu poder me deitar, independente de onde esteja o caos.

⁠LUCIDEZ Se vivo um sonho, que angústia me pôs a dormir? Em que martírio descansei minha cabeça?
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⁠LUCIDEZ Se vivo um sonho, que angústia me pôs a dormir? Em que martírio descansei minha cabeça? Qual desamparo me tirou a realidade? Essas respostas, vejo em teus olhos, ó Morte súbita. Morte que rasga a carne da presa, e come os ossos. Minhas lágrimas, já não me queima o rosto, a tristeza não é mais um fato, o desastre está por vir, e o espero bater em minha porta, sentado sobre meus próprios desejos. Enterrei meu passado debaixo da língua, o cobri com as pedras da minha saliva, não há quem ache o corpo. Na minha casa só há culpa nas encanações, com ela mato a sede, com ela escovo os dentes, com ela lavo o rosto com ela me banho. Sinto frio, e neste quarto, só há mentiras para me cobrir de razão. Meus olhos fendam a aurora da alegria, minha última felicidade, foi quando me vi sofrer, já não sofro, pois, eu sou o sofrimento. Contém um espelho gritando meus medos, já não consigo me encarar como antes, perdi-me nas minhas faces. Meus sonhos são baratas, e neles, piso, pois, não os quero em minha companhia. Sou o mesmo de ontem, o hoje é uma farsa e o amanhã uma mentira. A vida é cômica, e eu sou dramático, por isso ela ri da minha cara, usa-me como piada, consegue me transformar em um palhaço, para que todos os valores possam me humilhar. Detenho as vontades dos meus sentimentos, minhas ações contradizem o que falo, as palavras se molharam nas minhas lágrimas. A rotina me acorda dos sonhos com uma arma na cabeça. Despertei. Já não aceito presentes de um futuro que não ira existir, pertence ao passado qualquer dor que sinto. Desordem acumulada em minhas vísceras, não consigo arrumar a bagunça do meu coração, o pensar se faz hóspede onde mora minha negligência. Acordado vejo, escuto, bebo da minha morte cotidiana, que me faz refém do mesmo sentir.

⁠PRIMEIRA EPÍSTOLA: APOTEOSE AO DESESPERO LÚCIDO No estandarte da noite bizarra, corto os pulsos de minha quimera,
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⁠PRIMEIRA EPÍSTOLA: APOTEOSE AO DESESPERO LÚCIDO No estandarte da noite bizarra, corto os pulsos de minha quimera, com a mesma lâmina que tiro os pelos do meu rosto. O dia despertou de meus sonhos, somente para bater em minha cara. Senti a volúpia do seu desespero, enquanto me perfurava com seus olhos de flechas, tendo fogo em suas pontas, me fizeste queimar minha última carta de amor, meu último poema e meu último repulso. Remotas gritarias em meu interior, são silêncios para quem tem esperança, um surdo compreende melhor o que digo, do que um versado. Tenho andando por um deserto, tendo que beber o veneno de minha saliva, para matar a sede por vingança. O único direito que possuo, é o de segurar as lágrimas, para não fertilizar o solo com minha tragédia. Faca enferrujada gravada em minha garganta, golpeando lentamente minha respiração, solto em segundos, a sensação de um animal sendo sacrificado. O desespero é axiomático até se olhar no espelho, não há dúvida maior que ele, quem escuta o grito do meu reflexo do outro do espelho? Qual dos meus cantos irá quebrar o espelho? Que vida levo em frente ao espelho? Maldito vidro quebrado em meus olhos, a dúvida é o axioma absoluto. Prisão perpétua significa poeta, no dicionário de dores. Fui crucificado em uma cruz de papel, tendo as mãos e os pés presos e perfurados por canetas, furos que me mostram o outro lado do sofrimento. Através dos vazios que preenchem minha carcaça, constato o infortúnio de está vivo. Arrasto os meus sentimentos, sobre uma tábua com pregos, está que sustenta o arcabouço do meu caos. Estou a cada poema, com a língua mais áspera, o gosto amargo está cada vez mais intenso e a agonia roubando minha visão. A noite me deixou viúvo, suicidou-se em meus pesadelos, deixando-me sem ilusões de adormecer. A guerra não cessa no meu sono, há um novo ápice a cada piscada de olhos. O dia continua bofetando minha cara, ela já está tão deformada, que nem minha mágoa me reconhece! Destino inexorável, impiedoso, imperfeito. Nem aspirina supre meus problemas, pelo contrário, ela os desperta como feras esfomeadas, se alimentando de meu descanso.

⁠DIVINA DIABRURA Quando a noite deita ao meu lado Brinca na minha aura um menino travesso,
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⁠DIVINA DIABRURA Quando a noite deita ao meu lado Brinca na minha aura um menino travesso, Órfão de ilusões Desconhece sua origem E suas únicas palavras... São piadas sobre meus sentimentos Mergulha no vasto vão que guardo a sete bocas Espiona as Inocências de minhas dores Tomando banho em minhas lágrimas Não respeita nenhum tempo exigido Pelo meu espírito Age como se não fosse ninguém, Como se não houvesse vida dentro de si É tão egoísta quanto seus atos Não se cansa até ouvir um não A repressão é bálsamo para suas perversidades Recusa a própria imagem E assim espera ser tratado pelos outros Mas dentro de mim, além do vazio Existe apenas ele Sendo a negligência de si próprio Não o amo, muito menos o odeio Guardo em mim somente por pena Apesar de tamanha desordem causada por essa peste Não sinto incômodo Ele me ajuda Ocupa o tempo em que a escuridão domina minha mente Meu sono a chama para brincar de ciranda Ele é resultado de uma emoção inexistente Esse menino sente medo da realidade Assim, fugindo da noite solitária Que lhe mostra seu reflexo, Perdoo sem ele me pedir desculpas Tenho compaixão por cada ferida que contém em sua alma Pois, esse menino, Sou eu