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Frases de Fernando Pessoa

953 frases

⁠Quando te vi, amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo.
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⁠Quando te vi, amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo. Não há coisa feliz ou hora alegre Que eu tenha tido pela vida fora, Que não o fosse porque te previa, Porque dormias nela tu futuro, E com essas alegrias e esse prazer Eu viria depois a amar-te.

⁠Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado.
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⁠Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

⁠Eu sou o disfarçado, a máscara insuspeita. Entre o trivial e o vil m[inha] alma insatisfeita Indescoberta passa, e para eles tem
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⁠Eu sou o disfarçado, a máscara insuspeita. Entre o trivial e o vil m[inha] alma insatisfeita Indescoberta passa, e para eles tem Um outro aspecto, porque, vendo-o, não a vêem, Porque adopto o seu gesto, afim que […] Julga o vil que sou vil, e, porque não me No meandro interior por onde é vil quem é Julga-me o inábil na vileza que me vê. Assim postiço igual dos inferiores meus, Passo, príncipe oculto, alheio aos próprios véus, Porque os véus que me impõe a urgência de viver, São outro modo, e outra (...), e outro ser: Porque não tenho a veste e a púrpura visível Como régio meu ser não é aceite ou crível; Mas como qualquer em meu gesto se trai Da grandeza nativa que irreprimível sai Um momento de si e assoma ao meu ser falso, Isso, porque desmancha a inferioridade a que me alço, Em vez de grande, surge aos outros inferior. E aí no que me cerca o desconhecedor Que me sente diferente e não me pode ver Superior, julga-me abaixo do seu ser. Mas eu guardo secreto e indiferente o vulto Do meu régio futuro, o meu destino oculto Aos olhos do Presente, o Futuro o escreveu No Destino Essencial que fez meu ser ser eu. Por isso indiferente entre os triviais e os vis Passo, guardado em mim. Os olhares subtis Apenas decompõem em postiças verdades O que de mim se vê nas exterioridades. Os que mais me conhecem ignoram-me de todo.

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro. Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado. Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
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Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro. Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado. Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente. Quando muito, nem penso... Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora, Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento. Olhámos indiferentemente um para o outro. E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol. E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Somos todos mortais, com uma duração justa. Nunca maior ou menor. Alguns morrem logo que morrem, outros vivem um pouco, na memória dos que os viram e amaram; outros, ficam na memória da nação que os teve; alguns alcançam a memória da civilização que os possuiu; raros abrangem, de…
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Somos todos mortais, com uma duração justa. Nunca maior ou menor. Alguns morrem logo que morrem, outros vivem um pouco, na memória dos que os viram e amaram; outros, ficam na memória da nação que os teve; alguns alcançam a memória da civilização que os possuiu; raros abrangem, de lado a lado, o lapso contrário de civilizações diferentes. Mas a todos cerca o abismo do tempo, que por fim os some, a todos come a fome do abismo, que o perene é um Desejo, e o eterno uma ilusão.