Frase de Fernando Pessoa
Eu sou o disfarçado, a máscara insuspeita. Entre o trivial e o vil m[inha] alma insatisfeita Indescoberta passa, e para eles tem Um outro aspecto, porque, vendo-o, não a vêem, Porque adopto o seu gesto, afim que […] Julga o vil que sou vil, e, porque não me No meandro interior por onde é vil quem é Julga-me o inábil na vileza que me vê. Assim postiço igual dos inferiores meus, Passo, príncipe oculto, alheio aos próprios véus, Porque os véus que me impõe a urgência de viver, São outro modo, e outra (...), e outro ser: Porque não tenho a veste e a púrpura visível Como régio meu ser não é aceite ou crível; Mas como qualquer em meu gesto se trai Da grandeza nativa que irreprimível sai Um momento de si e assoma ao meu ser falso, Isso, porque desmancha a inferioridade a que me alço, Em vez de grande, surge aos outros inferior. E aí no que me cerca o desconhecedor Que me sente diferente e não me pode ver Superior, julga-me abaixo do seu ser. Mas eu guardo secreto e indiferente o vulto Do meu régio futuro, o meu destino oculto Aos olhos do Presente, o Futuro o escreveu No Destino Essencial que fez meu ser ser eu. Por isso indiferente entre os triviais e os vis Passo, guardado em mim. Os olhares subtis Apenas decompõem em postiças verdades O que de mim se vê nas exterioridades. Os que mais me conhecem ignoram-me de todo.
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Fonte e informações de autoria
Pensador.com | Fonte: LOPES, Teresa R. Pessoa por Conhecer – Textos para um Novo Mapa. Lisboa: Estampa, 1990. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.
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