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Frases de Fernando Paixão

9 frases

⁠Quintal de quatro bicos: meu segredo habita as pedras cada uma com sua voz
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⁠Quintal de quatro bicos: meu segredo habita as pedras cada uma com sua voz no bater as coisas. Posso dividir em quadrados os barulhos do mundo. Sentado na soleira de casa (sombras suicidas sob os pés) os dedos pensam em nada: desenho fresco na terra.

⁠Adultos e crianças vão guiados por um andor branco e comovente. Formam
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⁠Adultos e crianças vão guiados por um andor branco e comovente. Formam duas fileiras de mãos atenciosas. A céu aberto arremessam as vozes contra a linha dos montes. A lentidão dos passos imita o arco dos antepassados. Até que o vente apaga o dedo em luz. Soluço. Desamparo. Como um segredo a avó me repassa o fogo.

⁠Á mesa do jantar ele se cala. Que outros falem demasiado remoendo os chocalhos das próprias ideias
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⁠Á mesa do jantar ele se cala. Que outros falem demasiado remoendo os chocalhos das próprias ideias não o incomoda tanto. Conheceu muitas borras de palavras e teve de discernir a sós os afetos que lhe serviram de caminho ao lado de Dora, sempre. Tantos jantares gastos em torno a opiniões essa esgrima imaginativa a sentenciosa: ele já o sabia. Os outros falam e ele basta um aceno de cabeça.

⁠Tire-se o número e o mês e o ano a este clarão diário.
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⁠Tire-se o número e o mês e o ano a este clarão diário. Tire-se a manhã que o arremessa - parábola no olho, as horas fogem de si mesmas. Sem as paredes noturnas onde as tardes se acomodam vencidas. Sem o impulso de ontem e amanhã a girar-lhe o eixo: Tire-se o número e o mês e o ano ao que é vertente Sempre _________ agora.

⁠O mar secará um dia toda a sua sede. O mar perderá todo o sal
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⁠O mar secará um dia toda a sua sede. O mar perderá todo o sal num longo dia azul. Sem sabor e sem ímpeto o mar de ondas molengas ficará desativado de qualquer romantismo. Plebeu e plausível descortinará outro infinito que não este gelatinoso mistério-matriz. Á força da metamorfose o mar se desmarinhará desmaiando aos poucos sobre si mesmo. Não perca: Grande Teatro de marionetes! Amanhã. Na orla da praia.

⁠Um resto de hora varre os telhados em despedida.
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⁠Um resto de hora varre os telhados em despedida. Como outros calendários sucumbiram em outros quartos de hotel. Idêntica mentira: a noite alonga o corpo da fera no escuro das velhas ruas. A viagem termina. O dia fecha os olhos á própria água. Devagar: sem protocolo.