Frase de Fernando Paixão
De manhã: gosto de amora na boca o vermelho selado na ponta dos dedos. Das cores saem os pensamentos.
No pensador.ai desde
De manhã: gosto de amora na boca o vermelho selado na ponta dos dedos. Das cores saem os pensamentos.
No pensador.ai desde
Sentado junto ao fogão cúmplice da lenha que arde assisto ao pé do fogo
Sentado junto ao fogão cúmplice da lenha que arde assisto ao pé do fogo os brotos infindáveis. Observo chamas saltadas. Sorvo delas um líquido boreal derramado para cima. As brasas me contam histórias que logo esqueço. Envelope em bolhas de silêncio.
Adultos e crianças vão guiados por um andor branco e comovente. Formam
Adultos e crianças vão guiados por um andor branco e comovente. Formam duas fileiras de mãos atenciosas. A céu aberto arremessam as vozes contra a linha dos montes. A lentidão dos passos imita o arco dos antepassados. Até que o vente apaga o dedo em luz. Soluço. Desamparo. Como um segredo a avó me repassa o fogo.
Quintal de quatro bicos: meu segredo habita as pedras cada uma com sua voz
Quintal de quatro bicos: meu segredo habita as pedras cada uma com sua voz no bater as coisas. Posso dividir em quadrados os barulhos do mundo. Sentado na soleira de casa (sombras suicidas sob os pés) os dedos pensam em nada: desenho fresco na terra.
Um resto de hora varre os telhados em despedida.
Um resto de hora varre os telhados em despedida. Como outros calendários sucumbiram em outros quartos de hotel. Idêntica mentira: a noite alonga o corpo da fera no escuro das velhas ruas. A viagem termina. O dia fecha os olhos á própria água. Devagar: sem protocolo.