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Frases de Fernando Luiz de Souza Silva

13 frases

Sentado à beira-mar Sentado à beira-mar, Com o corpo levemente curvado
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Sentado à beira-mar Sentado à beira-mar, Com o corpo levemente curvado Braços apoiados em suas pernas Com o livro da vida nas mãos Olhar perdido por trás das lentes Alheio ao vai e vem dos pedestres Que vez ou outra param para fitá-lo. Sentado à beira-mar, Alheio ao vai e vem das ondas em sua retaguarda, A aurora e o arrebol, A noite enluarada acendendo as estrelas, O orvalho e a chuva, A brisa suave e a ventania. Sentado à beira-mar, Inerte, dia após dia, integrado ao seu silêncio Divagando em sua própria quietude Sem preocupação com o tempo Seu tempo agora é eterno. E agora Carlos? Que não há mais pedra em teu caminho... Drummond e agora? E agora que você se foi Poesia não escreve mais... Carlos... E agora? E agora você? (homenagem póstuma ao grande poeta Carlos Drummond de Andrade)

Mundo sofrido Quase jaz... O mundo está por um fio. Sendo destruído por bombas de intolerância, minas de covardia,
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Mundo sofrido Quase jaz... O mundo está por um fio. Sendo destruído por bombas de intolerância, minas de covardia, mísseis anti – amor, tiros de discórdia e outras desgraças produzidas pelo homem. Agonizando... Continua girando, girando Esperando ansioso pelo retorno da pomba da paz.

O entardecer Cai a tarde, sinto a brisa suave
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O entardecer Cai a tarde, sinto a brisa suave que emana dela. Acompanho com o olhar atento, O balé ingênuo das borboletas sobrevoando as flores no jardim. Distraio-me, ouvindo a orquestra dos pássaros no alto das palmeiras ao meu redor. Sentado na areia, contemplo o mar apagando o sol lentamente no horizonte e o céu acendendo as estrelas azuis iluminadas pela lua cheia.

Sem inspiração Passei horas, perdi tempo tentando escrever coisas significantes.
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Sem inspiração Passei horas, perdi tempo tentando escrever coisas significantes. Algo que toque fundo os corações daqueles que não sabem de mim e surpreenda aqueles que me conhecem. Mas nada sai, não consigo fazer com que a mão obedeça as ordens geradas pelo cérebro. Já rasguei papéis, rabisquei palavras mudei a posição das frases. E nada. O início virou meio, o fim virou o início e o meio quase virou o fim. Mas nunca chega o tal ponto final. Confundi-me todo, perdi o sentido do que estava escrevendo. Então parei um momento... Guardei o papel e a caneta. Talvez amanhã, eu consiga alguma inspiração para continuar escrevendo o que nem comecei.

Da janela Jesus vem 1, do alto da colina Observava atenta e imóvel
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Da janela Jesus vem 1, do alto da colina Observava atenta e imóvel Com sua face cega da neblina No seu silêncio imemoriável Um grande lençol branco gaivota Que Cobria a mata virgem 2 Com sua proteção devota. Bem cedo, o sol penetra seu sossego selvagem Espalhando seu calor Secando o orvalho da folhagem Iluminando e aquecendo seu interior. É o nascimento do dia, As borboletas bailam ao sabor do vento Os pássaros cantam de alegria A cigarra e seu sinal barulhento Abelhas fazendo mel com amor Formigas trabalhando sem parar Colibris de flor em flor Que dia lindo! Todos a saudar. Eu contemplo essa linda geografia Da casa dos meus pais, da janela, Talvez a perpetue numa fotografia Ou pinte numa grande tela. Fernando Luiz Silva 14/03/2005 *1- Pedra situada no morro do Barata em Realengo. *2- Mata situada no morro do Barata em Realengo.( que não é tão virgem assim.)

Sem palavras E eu que não sou de falar muito, resolvi escrever aquilo que penso e não falo,
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Sem palavras E eu que não sou de falar muito, resolvi escrever aquilo que penso e não falo, porém não sei se aquilo que penso e não falo, seja algo relevante a ponto de ser escrito. Vou deixar minha mudez falar mais alto. Vou ficar escondido atrás da cortina invisível do anonimato, com a minha visível quietude, sem infringir a lei do silêncio. Porque se fosse para eu falar mais e ouvir menos, Deus me daria duas bocas e um ouvido. E para não deixar o dito pelo não dito, vou recorrer a um velho dito popular: “Quem diz o que quer, ouve o que não quer” Ou como diria um poeta amigo meu: “É melhor ficar quieto, para não falar nada” Tem certas coisas que não sei dizer e como não sou de falar muito, fiquei... Sem palavras. 02/04/2013

Há dias não escrevo Há dias não escrevo uma linha sequer, para contar estória.
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Há dias não escrevo Há dias não escrevo uma linha sequer, para contar estória. parece que fui tomado por um surto repentino de amnésia. Até aquele ”eu” invisível que me confiava seus segredos, seus delírios absurdos sumiu, literalmente sumiu. E o eu, eu, neste momento emocionado, coração acelerado, com a mão trêmula tatuando essas palavras em forma de desabafo, num pedaço de papel amarelado. Com os olhos úmidos parecendo uma janela de vidro exposta à chuva, vendo tudo embaçado. Já imaginando o dia em que minhas poesias sem nexo, mal escritas e sem rimas ganharão o mundo. Ganharão o mundo, como um filho fugindo de casa para habitar, as estantes distantes de bibliotecas famosas ou de sebos empoeirados das cidades. É... talvez seja esse o motivo pelo qual, há dias não escrevo uma linha sequer pra contar estória.