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Frases de Fabrício Hundou

63 frases

⁠EM SI QUEM porquê descabe à mensuração quilograma ou légua
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⁠EM SI QUEM porquê descabe à mensuração quilograma ou légua equivale à nada comparado A nada comprado dado mangueado financiado honestamente no cartão de mérito princípio do movimento unidade pertencente: amor perde-se em si quem não amar o próprio amor perde-se em si quem não ama o próprio amor perde-se em si quem não ama o amor sei nadar

VOA QUEM PODE CA(IR) apesar das razões do teu ímpio tenha fé
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VOA QUEM PODE CA(IR) apesar das razões do teu ímpio tenha fé nade mais perdoe o escafandro respire se gritar sol deduz teu sorriso morne a lágrima faça um chá cafuné lhe faz tão bem golpeie o dedo / chupe o sangue havendo outra dor: enfrente e estanque a quarar bandeira branca Òsàlá paz em abundância vivamos + unidos voa quem pode ca(ir) sambar

MURIÇOCA ZUMBIDEIRA arranha o ar na fuga das minhas palmas (estaladas)
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MURIÇOCA ZUMBIDEIRA arranha o ar na fuga das minhas palmas (estaladas) esquivamos juntas vai me picar? como se quisesse me dizer alguma coisa a muriçoca zumbideira grita metálica um eco sem estribeira eu pouco hábil a concentração disperso em vão mas logo desperto sob à coceira foi injeção? bicha picadeira! como que com raiva de não conseguir minha atenção se iguala miudamente à comparação entre ser predadora y viver de sangue a vida inteira

AFRICALGIA eu tinha na carteira os cinquenta centavos que ela me pediu e eu não dei
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AFRICALGIA eu tinha na carteira os cinquenta centavos que ela me pediu e eu não dei menti espontaneamente disse "não" nem costumo guardar moeda na carteira um "não" congênito - este, como se estivesse ali sempre guardado porra! logo aqueles cinquenta centavos eu neguei à nega preta como eu não somos do mesmo Ilê panafricanismo que eu forço a fórceps(?) esse tanto de "não" que muito me disseram seria agora a fartura pra eu distribuir entre os meus white face xô de mim y mesmo assim ela começou a dançar pagodão baiano um swing que jorrava na rua e ela dançava mesmo sem minha moeda que não vale a arte a liberdade nem vai pagar meu poema perdido (ou perdão)

CANDIEIRO entra espada sai espada
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CANDIEIRO entra espada sai espada corta o pão cortando a raiva sopra sopra abra abra abra abra abra os caminhos mastigue pra viver mastigue pra viver tua luz-contorno vagalume candieiro nenhum nenhum dinheiro paga o custo do teu amar tua luz-contorno vagalume candieiro nenhum nenhum dinheiro paga o custo do teu amar cheiro tua alfazema butique de todo o mar bem faz falta mais um tanto de desejo cuide das tuas asas pássaro d'água: nome de plexo solar

⁠S A L V E A D O R o sal em iodo temper'a carne negra-fosca
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⁠S A L V E A D O R o sal em iodo temper'a carne negra-fosca pele crioula exala sabor arde - não mais 1 grito de dor em dendê, faz cor e coral pro fogo que flamba o domingo febril suor descendo em queda pela testa tempestade em corpos de água c/ Anil Bahia, quem foi, volta em ti: tudo orna na Baía de Todxs xs Santxs sob a Pemba tudo se transforma y nesta cidade (todo mundo é dEla) sombra de vento é guiança pupilas de mães/pais filhxs órfãos são minhas estrelas - ou herança sotaque é hino nacional bandeira só de Oxalá o farol acende o teu riso salvaguarde minha esperança O Ilê há de tocar mais uma vez

⁠R(ASPA) aos primeiros pêlos renascidos apenas a "oportunidade irrecusável"
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⁠R(ASPA) aos primeiros pêlos renascidos apenas a "oportunidade irrecusável" de outra poda repetidamente o tempo provisório corpo-cronômetro pubianos, faciais, superficiais mas não teria a palavra 'depilação' nenhum teor poético/romântico/filosófico no contexto de renascimento/superação y é por isso a importância de trazer a fênix como a metáfora da pulsão vida / morte por isso o título de "guerreirx" é empurrado aos corpos matáveis nem erva daninha chora ao ser tirada do próprio dharma-kharma das proximidades com as dores quero a diplomacia aparada macia

UÁÁÁÁ d⁠o dedo "mindinho" do pé batido no pé do sofá
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UÁÁÁÁ d⁠o dedo "mindinho" do pé batido no pé do sofá aquela dor de faltar o ar aquele choro silencioso que grita 'uáááá' mesmo assim o ouro tá mais embaixo as bauxitas, ametistas, bulgaris e gemas de rubi ainda assim estão mais fundas / não se esconderam por vontade própria não nascem nas vesículas e rins por acaso a ressequidão do tubo orotráqueo pálpebras dos olhos c/ lodo na água y pedras no caminho pedras presas no sapato saltos quânticos andar na vida de salto alto

⁠AUTO CARINHO zelam-me como quem não sabe tocar violão
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⁠AUTO CARINHO zelam-me como quem não sabe tocar violão fazer feijão ou assobiar usando quatro dedos à boca em suprassumos de cuidado tranquilizam-se porquê observam que observo os tapetes enrugados / desemborco chinelos / enxugo panelas / selo bem as tampas se tenho desleixo então, tenho desleixos inofensivos mágoas hibernadas graus de competência pra lidar com infinitos beijam-me porquê antecede à apneia qualquer medo nunca ensaiam as formas impessoais pra perguntar aonde vou com essa carapuça servida acho que eles têm astúcia quando me prometem futuros pleiteiam em mim a passibilidade da loucura estrambelham-se com essa minha arrogância y liberdade sinto que cresço hígido em atitudes de auto carinho

C(ASA) o repique da libélula tamborilando o cácere
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C(ASA) o repique da libélula tamborilando o cácere desse teto-imenso-céu do meu quarto, sala e cozinha um pé direito alto um passo de cada vez as roupas já usadas ontem se espraiam nas encostas de cuatro cadeiras vazias y a mesa é a mesma cheia: orna fartura quando você está um bule no escorredor volta sempre pro mesmo lugar esperado um fogão ainda apagado um coração sempre tão aceso eu sou a casa você a asa desabrocham as flores de íris qu'eu pensei serem tulipas desabrocham as dores de saudade que eu pensei serem infinitas pero passa nas distais das'mnhas falanges o brim do jeans que esquecestes em meu balde meu oceano familiar ao teu tráfego meu dorso fértil eriçado ao teu beijo-occiptal dessa rede fiz teus braços quis um traço treco y trapo não vai ser o mal do abismo / espaço que teu amor vai me afastar

OCOS sentado equidistante vi no chão
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OCOS sentado equidistante vi no chão dois pequenos buracos furados equivocadamente podiam ser, hoje, parafusos fincados - ali estariam por ora, ali, apenas buracos trazem dimensão y lastro pr'eu ficar instigado seria 'o Equívoco' uma modalidade estética de errar? seriam os buracos a representação da espera de alguém que vai se importar? dois pequenos buracos que certamente caberiam os tantos parafusos de chave Phillips que saem dos meus cenhos y ouvidos fossos oculares ocultos: até o chão pode me olhar mesmo qu'eu não mais declame aos buracos o vazio desses espaços fizeram-me pular