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Frases de Fabrício Hundou

63 frases

GAMBOA o mar da Gamboa faz nas pedras
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GAMBOA o mar da Gamboa faz nas pedras ijexá em 10bmp cortejo pra maré fanfarra pra quem vier as ondas se cacheiam saudade é terapia do soprar pra dentro y fora já me benzi muito naquelas águas já me benzi muito naquela calma

ESU PASSAGEIRO-PRIMEIRO O ônibus da prefeitura é novo, tem ar condicionado, as janelas não abrem, tem câmera no teto, luzes fluorescentes, chão de chapa de alumínio-xadrez y é amarelo/branco. Parando na Estação Campo da Pólvora, somente a porta da frente se abre para os novos pa…
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ESU PASSAGEIRO-PRIMEIRO O ônibus da prefeitura é novo, tem ar condicionado, as janelas não abrem, tem câmera no teto, luzes fluorescentes, chão de chapa de alumínio-xadrez y é amarelo/branco. Parando na Estação Campo da Pólvora, somente a porta da frente se abre para os novos passageiros. Quem tinha de saltar, saltou antes desse ponto. Alguns "tocs tocs" solicitam a abertura da porta traseira. O motorista não abre, talvez nem tenha escutado. As batidas continuam enquanto o ônibus permanece parado. Por fim, o motorista concede, a porta arreganha e sobe um homem negro-retinto, aproximadamente 1,83, cabelos crespos com traços de dreads, vestindo regata, short e blusa de frio amarrada na cintura, aparentemente embriagado, usando duas bengalas canadenses; tinha um coto de amputação no membro inferior esquerdo. Com voz estridente, berrou às "senhoras & senhoras" que era poeta. Recitou dois poemas, caminhando com dificuldades ao longo do corredor do ônibus em movimento. Esbarrava num e outro, não pedia desculpa, seguia declamando sua poesia autoral. Na segunda, fez pausa e disse que qualquer moeda lhe serveria para um café. Ninguém estendeu mãos, nenhum barulho de moeda. Parecia um estorvo artístico. A minha mediocridade participava paralisadamente daquele sarau de performance da sobrevivência sem sequer pronunciar uma misericórdia. Uma moeda seria mais útil que minha opinião rimada ou uma compaixão com menos auto julgamento. Não fiz absolutamente a ele. O ignorava em meu corpo; o captava com os ouvidos. Grande coisa...! A última poesia era sobre tomates secos. Ele dizia que tomates secos eram como gosto de sangue, gosto de amores. Não necessariamente nessa ordem, mas a metáfora era sobre 'tomate/sangue/amor'. Eu ouvia tudo e traduzia vermelhadamente em imagens. Vermelho. O ônibus foi parando, a porta se abriu para os passageiros saltarem y o poeta sem perna - que já estava nos fundos - finalizou o poema aproveitando o embalo de descida. Sequer esperou as moedas, tampouco esperou os aplausos, as sellfies e elogios. Que bom, pois não houve. Laroyá, Esú. Abre os caminhos para a vida passar!

MÓVEL dança cambaleia
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MÓVEL dança cambaleia oscila gangorra ferryboat barco gira gira tudo ao móvel como deve ser (2x) sistema vestibular propriocepção memória (um carrossel) Lavoisier / Lei Divina linha do tempo tempo-pai mãe menininha transitório-hoje tudo ao móvel como deve ser

T A I O B A quero una muda de taioba debruçar-me em toda folha
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T A I O B A quero una muda de taioba debruçar-me em toda folha pôr-me frágil ao frágil ainda que a grandeza seja o que resta no espaçamento entre as horas do réveillon y minha lágrima-pedestre quando vê a foto de meu póstumo pai na carteira de meu irmão uma resma de taioba custa Ícaros - para quem vai saber: Ícaro não pôde voar tanto não tinha crença em Akará-Vento Oyá dizia também me emociona erês saindo das escolas sinto a eternização do rosa desbotado dum prédio que ignorei todo o resto todo o tamanho que havia pois só a cor pode explicar pois só a cor pode explicar s'esse banzo rema ou rima ficamos enquanto puder

VAIVÉM AQUOSO reprofunda pedra bailarina
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VAIVÉM AQUOSO reprofunda pedra bailarina molda-se feito libração y vaivém aquoso quer viver a sede sem mágoa lança cabelos aos cardumes diz que ama porquê ama pois pondera a gagueira ao ver o a(mar) explícito/abundante/imponente tomar ossos & musculaturas feito o erotismo do abraço

MANGUSTÃO Moço, o senhor podia vender mangustão. Maneja tão bem todas as frutas que aqui estão expostas; um verdadeiro boticário - sabes olfativamente ofertar tantas delícias. O perfume mixado de manga rosa, goiaba, bergamota, jaca y jenipapo: não há quem não salive ao passar pe…
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MANGUSTÃO Moço, o senhor podia vender mangustão. Maneja tão bem todas as frutas que aqui estão expostas; um verdadeiro boticário - sabes olfativamente ofertar tantas delícias. O perfume mixado de manga rosa, goiaba, bergamota, jaca y jenipapo: não há quem não salive ao passar perto. Essa banca é a oportunidade de comer as cores que a vida sempre pariu. Também sou parido de árvore. Facilmente enraízo, me agrada sol, água boricada, 'auto poda', dou fruto, flor e desfolho. Desde que comi mangustão, procuro repetir o gozo. Tenho pedido pouco, agradecido muito. Até amor incondicional conheci. Já encontrei quase tudo o que acusei falta, mas mangustão tem sido a cobiça. O senhor podia vender mangustão! Veja que planejo comprar. Tantas coisas me são dadas para encontrar... meu recém poder de compra até esperança quis pagar.

GUIDOM tem muito de mim nxs velhxs que forçam o pigarro
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GUIDOM tem muito de mim nxs velhxs que forçam o pigarro nxs qu'escondem o bocejo y teimam quando a hérnia de disco comprime captando o hiato da dor nas costas tipo um timbre afinado um álbum inteiro gravado sob o autodiagnóstico de "muito túnel pra pouca luz" hérnia que nem sabe que tudo agora é por internet: pagamento, remédio, comida e amor transa, transe, trânsito meu modo maria-passa-na-frente Exu sinaleiro Ogum é meu guidom Oxum apitando lírica [fiz um pranayama aqui] pois tem muita gente ensaiando o traquejo de pôr à chave certa de primeira sem precisar revirar o molho inteiro caçando uma por uma como se a sorte estivesse na adivinhação tentada ou na procrastinação de fazer um macarrão a noite pós larica morrer de fome/viver de silêncio y nenhum GPS guia a dispersão contínua

"CAROSSO" Não tinha completado sequer três meses desde a minha chegada. Estava muito cedo pra qualquer 'morbo'. Não é que seja sempre de boa uma relação honesta com um esboço de adoecimento, mas já estava tudo tão movediço por aqui...Ter uma amigdalite era sim assombro. Antes fo…
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"CAROSSO" Não tinha completado sequer três meses desde a minha chegada. Estava muito cedo pra qualquer 'morbo'. Não é que seja sempre de boa uma relação honesta com um esboço de adoecimento, mas já estava tudo tão movediço por aqui...Ter uma amigdalite era sim assombro. Antes fosse essa a dedução. Tireoide - pensei! Outros absurdos também foram cogitados. A região era focal: garganta/laringe/pescoço. Falei de patologia, contudo, a sensação era bolinha de tênis verde-fluorescente; caroço de abacate, nó de corda, ovo que desceu pela goela abaixo e não quebrou. Nenhuma dessas opções eu tinha me apetecido y resolvi comer sem mastigar. Tinha sido posto ali em alguma distração que tive. Bem em minha garganta. Por falta d'água, não era. Nada a descer, aparentemente. Na transição entre a fase da percepção e queixa, resolvi dar um prazo àquele troço qu'eu sentia. Por sorte - e sorte não pode ser escolhida - me espiritualizei com o tal desconforto. Não doia. Não mexia. Então chamei de desequilíbrio do chákra laríngeo (cor anil). Podia ser isso, afinal, eu tinha passado por uma prática de 21 dias de meditação. Troquei o 'raciocínio clínico' ou aprimorei as associações esdrúxulas. Continuava ali. Até aqui, não contei sobre os tantos textos e palavras não-ditas nos respectivos três meses. Eu tinha engolido um bocado de palavras. Tive orgulho pra vomitar. Seria desperdício? A meritocracia do hiato me pegou feio. Finalmente, um dia mandei mensagem. Uma escrita poética, fugaz y entrelinhas. Mas eu estava prestes à cura. Falei e em pouco tempo foi passando. Tantas palavras e sentimentos pra dizer o que é sintomático. Nunca mais engulo medo. Nunca mais prometo silêncio no futuro. Guaco!

NUBLATOTÔ parecia faltar fôlego umidade sem ter
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NUBLATOTÔ parecia faltar fôlego umidade sem ter aguadouro curadoro pôs ácido lático a circular mas se o sol é relógio tenho que aprender a contar chuviscos seja nublado ou sem riso em qualquer algia - nem todo dia há azul Escorpião na Lua nos chama a ver matizes por detrás das franjas de Omolu

SER ERRADO restou de um rebuliço cálido
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SER ERRADO restou de um rebuliço cálido um vão / inane / cavo espaço amorfo y vago espaço vasto / "ecooso" espaço sideral de novo nem certo nem errado légua portátil (de carregar no bolso) a margem perdeu função antes deixasse o chão a água se engoliu se era verde : partiu! praxes do meu Cerrado há seca y ipês desabrochados

BOCADO nem tanto me abrasei às bocas do fogão
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BOCADO nem tanto me abrasei às bocas do fogão tampouco me rebucei na boca da mata ou cai em estado líquido em boca de lobo virei foi sorte na boca do sapo teu nome: sotaque de boca de boca na anoxia no bocejo no grito y desejo um bocado de fome da boca pra fora

8ITENTA POEMAS PRA LUA não trouxe os fones de ouvido só enchi cinco dedos d'água a garrafa
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8ITENTA POEMAS PRA LUA não trouxe os fones de ouvido só enchi cinco dedos d'água a garrafa carrego mudas de jibóia no colo y uma tela de várias polegadas no fundo do ônibus transmite a Lua Cheia em Câncer enquanto minha saudade-praxe some na escuridão marítima aparece numa poesia desconexo contente ao ermo

QUERO SER CADA VEZ MAIS TARTARUGA Fui mergulhar. Inaugurando o Solstício veraneio, experimentando as folhas da nova idade, em uma tarde na praia da Gamboa - uma das que tenho afeto/admiração - pedi Agô às águas da Baía de Todos os Santos y me lancei às correntezas. Quando ao so…
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QUERO SER CADA VEZ MAIS TARTARUGA Fui mergulhar. Inaugurando o Solstício veraneio, experimentando as folhas da nova idade, em uma tarde na praia da Gamboa - uma das que tenho afeto/admiração - pedi Agô às águas da Baía de Todos os Santos y me lancei às correntezas. Quando ao sol em queda tocando o líquido infinito, eis que vejo uma tartaruga marinha a se alimentar. Receptor de todos os símbolos que sou, tomei logo como dádiva. Naquele instante, eu também era tartaruga marinha. Meu casco, ainda que duro, levitava submerso. Meu fôlego de caçador se qualifica a cada mergulho profundo. A solitude da tartaruga me deu coragem para mais. As minhas fomes também me exigem apneia ou a calmaria só me seria distância.

VÁ (5X) porquê não demoras o en(canto) é veloz
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VÁ (5X) porquê não demoras o en(canto) é veloz sonhar é o orgasmo a flecha que dispara cega acerta a c'alma à paixão se entrega o coração sagitarianamente palpita em: vá vá vá vá vá! y o cérebro-pedra-bruta silencia Capricórni'agoniza castra acolhe deseja prioridades um calor beijado você você Lua Fabrício Hundou

MÁSCARAS Y BOASCARAS algumas caíram na primeira lufada pelo desuso uma dessas foi guardada
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MÁSCARAS Y BOASCARAS algumas caíram na primeira lufada pelo desuso uma dessas foi guardada a que caiu nunca tentou ser segurada lantejoulas y band-aids reparos pra novas datas máscara do Máskara e qualquer objeto pude ser dia que fui átomo/resma/abridor de lata fui botão namorei zíper cansei ao experimentar espelho do hedonismo ao tédio do desejo máscara de gás y às tiranias não temi ladrei / militei dei às ruas cortisol / rebeldia / nem pleito eu tinha justiças lacrimogêneas ainda assim me feriam máscara de Maragojipe para as tradições que que adornaram as minhas sábias alegrias ápices carnavalescos amores que disfarço em frágeis fantasias máscara cirúrgica - na Gira / na crença (eis anestesia) estou quase pronto pra transmutar um corte na terra a raíz da história se aduba no mesmo corpo-lugar máscara de argila a beleza de se cuidar eperiquitar-me todo as manchas de juventude cada trecho é um conto a se contar máscara balaclava talvez me atice ao assalto da mão-amada - roubar pra ler? não me reconhecerão suspeito roubar o tempo da paciência inocento-me pra aprender máscara de oxigênio em todas as circunstâncias que a teimosia de não praticar diariamente pranayamas evitar tabaco / lactose lembrar que meditar é uma simbiose do fora pra dentro a mudança é de dentro pra fora sem máscara sobrevivo sou poeta que sobra

aproximAR ora as frestas das pálpebras a vassoura não alcance
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aproximAR ora as frestas das pálpebras a vassoura não alcance uma lufada - epahey-vento (de dentro) traz à Virgem enquanto Lua a crítica crua, nua, vegana racionalmente água filha de pedra sabe com uma linha da mão coser retalhos prum vestido que será trajado em sua casa limpa pós faxina onde coração y pés precisam se aproximAR - não tão coletivo Acuário sem seus delírios o fôlego é um timbre próximo

⁠se você tem vontade de escrever sobre o assunto y quer imagem pra criar um texto
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⁠se você tem vontade de escrever sobre o assunto y quer imagem pra criar um texto uma crônica uma poesia (seja lá qual for o gênero literário) você pode contar um pouco da sua vontade dá uma moral parado no tempo até as coisas voltarem quando puder (sei lá) (não sei) seria a forma mais simples fazer alguma busca cotidiano...fotos na janela quando sou pego de surpresa fico assim: aca nha do