ROSAS
Muito longe de Guimarães
Mas muito perto da rosas
Charmoso!
Apenas exalam o perfume que roubam de ti?
Apenas exalo o que exilo do mundo em mim!
Oh! Exudas olores redolentes
Exumas o balsamo de ti
Em saudades turbulentas
Ressumas o odorífero aroma
Das mil amoras de Roma
E César clamaria a Deus
Para iluminar o teu céu
De rosas
PERPENDICULAR À ENCRUZILHADA
prospero pela travessia
perpendicular à encruzilhada
onde se agradece pelos rumos
ebó às léguas -
tantas tantas estradas
aonde
faço-me
agente/causador/recepetor
artista manifesto
apaixonado por homem
assobiador de lembrança
macramê nas entranhas
caminho largo (laroyá)
asé y fé em deus
sinto que amor de cada dia
é o meu
BR(ASAS)
soubesse
bulevares de vento
avenidas y tantas chances
o céu lhe guiou para o vigor
a sorte lhe quer muito amigo
a estética da liberdade: teu estudo
mapa astral artesanalmente feito
arquétipos de mil outorgas
Obaluaiyê asseia tuas asas
brasas / brasas
te aprimoras cada vez na saudade
meu cuidado é a declamação
nosso amor está
na
coragem
TUDO OU NASA
a distância equivale ao peso no teorema astrofísico dum corpo em relação ao outro
no espaço em que saudade é fenômeno
legitimado pela NASA
vist' a olho cru
sob a tese da reatividade geral
cuja velocidade - em Áries -
é anti gravitacional
anti racional
mais poema
do que
ponto
DIÁSPORA UM BANZO
qualquer y toda penumbra do que não se vê
intuir pode parecer alucinação/delírio instintivo
diáspora é um banzo
saudade esquecida
aguarde!
vamos conversar...
cessar as fantasias do que é y o que até pode ser - mas não agora
ser livre é um estado emocional,
ser livre é um cálculo do corpo (presença-ausência do outro)
deixar que amor possa multivibrar
na incosciência
da
coisa
cuando algum esforço estiver longe
ao limbo do que é sono-vigília
diante à légua mensurada
sob à Lua vazia
numa tarde em que
só o mundo
gira
gira
sem crase
desapego curado
P[R]O[BL]EMA
nenhuma técnica/método
receita bulário
segunda via feita a papel carbono
xerox reconhecida em firma
rúbrica a punho
sequer ensaio para a cegueira
qualquer poliqueixa minha
qualquer cólera
qualquer resultado
não é mais que
poema
único num
teorema do exercício de ser
todo dia um poeta que firula
a inquietação
condicionado à metáfora
programado em rima
aos vocábulos que rodeiam:
sou quase todo ilha
EXCESSIVO PÁSSARO
Existe em mim uma carência que se renega quando encarada, faz da fuga uma jornada; um bocado de entorpecentes astrológicos. Língua solta em escrita-queixosa. Piada, piada, piada.
(Sol Sagitário-Capricórnio/asc. Câncer/ Lua em Áries/Vênus, Mercúrio, nod. Norte em Sagitário)
Por excesso de inteligência/lúdico/criatividade as transformações ganham justificativas ou são quantificadas no meu paradoxo. Sustento há pouco tempo essa teoria. Muitos dias de terapia frente ao espelho! - não necessariamente Narciso vi. Aliás, quis ver.
Qualquer emoção eu cegamente sei nome y origem. Amo sem receita. Muitas justificativas que dei [pra mim mesmo] tornaram-se poemas. Algumas composições são meramente fantasias-reais. Perceba eu justificando. Perceba-me poetizando.
Tenho muito apreço pelo uso de hífen. Ensinam-me à tudo separar.
Falar no/do passado me estanha a saudade. Mistura de tesão, drama, banzo, verdade. Medito peridiocamente. Tomo banho de Anil. Acendo vela com copo de água. Uso guia. Presenteio com búzio. Rezo Ave Maria. Vejo Oxum.
Não é bem "pássaro" a metáfora biográfica. Piava! Oito e Oitenta. Infinito. Hipócrita. Aprendiz.
Quando demoro em alguma casa, logo penso na finitude. Defendo o aluguel, sou quem esbraveja o neoliberalismo do arbítrio. Já acordei em muitas casas. Em termos de moradia, mudei poucas vezes. Por ter muitas relações, acho que posso fazer escola dos relacionamentos. Até posso, mas inclino à autoestima ou excesso de segurança - acabo vasto na solitude. Fico pouco tempo porquê aro e mexo em Terra, construo logo outra casa...viro cidade: mapa astral.
Junto!
NESGA FOGO
Badé girando o mundo do fogo
Kaô - sem queda no voo
a gratidão não cabe num verso
a gratidão não cabe num verbo
ninguém é a rua n'qu'eu moro - viu?
retinto da água de rio
pralém do céu que invade
infinitudes particulares
febre y curiosidades
de Áries
PÁSSARO GOTA-GOTA
portar um tempo pra repouso
a tolerância ao estático
sustentar o aqui-agora
parece quase um obstáculo
o bicho pássaro
desconhece a demora
virou um outono sem urro
asa delta sem vento
misturou-se à indiferença
conheceu Canário-da-terra
um pintassilgo
uma rolinha
dizem que nós vamos voltar
y há rejeito à extinção
esvoaça teu cabelo
espécie de liberdade
mar que conhece o chão
chamasse pra conversar
piou, ruminou, cantou MPB
fez festa/faz festa
dançou ijexá em minha BOCA
foi-se embora com espelhos
(também gosto
presença
gota
em
gota)
alguém muito cheiroso
sentou aqui há pouco
no banco em que estou
vista pra janela
camarote de curioso-aprendiz
lugar de quem atira paixão
assobio de
bem-te-vis
ANÁLISE CINESIOLÓGICA DO ABRAÇO
desejo-lhe escafandro
ruas no oceano
olhos y guelras
faz jus adivinhar o mar
júbilo não vai lhe faltar
júbilo não vai lhe faltar
SEGU-IR
difícil mesmo
é jogar frasco de perfume fora
ou sacola-embrulho que veio presente;
desviciar-se de café
perdoar desleixo
ver algo novo se quebrar
difícil é esquecer do que falta
lembrar do que essencialmente é
risco é desejar outra infância
desapego é não querer a volta
segu-ir o sinuoso Aweto
paradoxos do soprar o fogo
deixar ( )
embora
BOLSO DE UM MOÇO
a passarada verde brada
o teu sorrir: a própria ortografia
não há graça tão mais bem acentuada
só de pensá-lo, destoam as rimas
há sombra fresca em tuas letras,
um acanho! - o moço tímido se ajeita
se esconde, mas não se cala
ele é
língua de brisa y timbre de gaitas
mas se houver coisa na vida
qu'eu desejo por teimosia
é poder ser algum dia
a reticência em sua
poesia
ou largar dessa besteira
d'olhar relógio (para ver se tu chega)
vou lá eu ser alfabeto nada
quero ser dois bolsos e
apertar as tuas mãos
nas minhas
OUTRO OURO
nem
cambaxirra sabe a altura
da sua liberdade
y bem vê
transição
em câmara anecoica
sem saber o tom, próximo
dum sussurro-gemido em
pé de orelha - que nunca vai sentir
cheiro de adubo que perfumou cedo
nem sentir moral que castra;
a tendinite que ataca
nem hei de reclamar do tempo
que foi dado aos poucos
sem saber qual dos dois amores
tem + ouro
mas
pra barrar tanto aguadouro
nem só hedonismo há
(Urano em Touro)
cambiar pieles
gozar com cãimbras
arrepiar pescoço
até que
no Cerrado o outono
resfrie
banzo de
cambaxirra
rouca
uivar
QNM
meu endereço
onde padeço
onde me reconheço
quês, nadas, Marias
porquês
rua cheia de Guiné
vestibular pra não perder a fé
já tive cabelo bom
cúspide pra ser preto
y dipôs doutros entusiasmos
expecto somando desejo
ainda quando não percebido
mesmo que um lapso ríspido
me arrete
(desfibril-a-dor)
amanhã não sei se esqueço
s'eu ninar
ou rezar
é banzo - de qualquer
jeito
INSTANTE
agora, depois de tudo/
antes de tudo:
praticar a teoria do
sentir a alegria
no momento que vier
abundante
da Lua Cheia à
Lua Minguante
instante