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Frases de Eric Jó Lopes

167 frases

DEVANEIO ETÉREO Domando dragões celestes Viajo de planeta em planeta
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DEVANEIO ETÉREO Domando dragões celestes Viajo de planeta em planeta Ouvindo cantos de sereias Solitárias em suas pedras Temendo qualquer balanço Que a lua cheia ouse fazer No seu imenso mar de solidão Onde o sol navega apagado Tendo a tristeza ao seu lado Feliz pela morna companhia

FADA PLUMINHA Por onde anda seu marido? Já não tinha mais o que ver
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FADA PLUMINHA Por onde anda seu marido? Já não tinha mais o que ver Caminhou por uma linda estrada partiu, cessou de viver O homem, foi honrado quando em vida, sempre humilde Sua esposa não deixou só a bruxa, viúva, Matilde Era mãe de duas filhas amor pra uma, pra outra nada Assim vivia a filha Clotilde e Florença, a enteada Pra Florença, só trabalho apesar de seu esforço Pra legítima, preguiçosa deseja um belo moço A beira de um fonte Florença sempre ia fiar Após um súbito cansaço na água o fuso foi parar E agora, o que eu faço? Pensou Florença assustada Se eu volto sem o fuso Matilde fica revoltada! Se esforçou para pegar mas na fonte ela caiu Muita água, pouco ar desmaiou de tanto frio Em um jardim maravilhoso a jovem moça despertou Vou fazer um ramalhete a primeira coisa que pensou Ao andar pelo jardim escutou com atenção A voz vinha de um forno quem falava era o pão - Florença, me tire daqui e me coma será uma satisfação! - Se demorar mais um minuto virarei um pobre carvão A menina agiu rápido comeu o pão, não deu bobeira Eis que surge uma outra voz dessa vez, a macieira - Colha aqui minhas maçãs sei que devo merecer - Estão maduras e pesam muito não prestarão se apodrecer Sem se quer pestanejar atendeu e nada mais Colheu todas e comeu algumas dividiu com os animais Continuou a caminhar e encontrou uma velhinha Se tratava de uma fada a velha, fada Pluminha A fada sacudia os travesseiros e caia neve de verdade Mas a força pra sacudir se perdia com a idade Vendo o esforço da senhora se ofereceu pra ajudar E na casa da velha fada por um período foi ficar O tempo foi passando Florença não precisava mais de explicação Fazia todos os afazeres no sorriso, satisfação Abriu os travesseiros na janela e na chegada do inverno profundo Sacudiu os travesseiros e fez nevar em todo o mundo Veio então a primavera mas era chagada a hora Com a benção da velha fada se aprontou e foi embora - Espere minha querida sei que parece clichê -Eu achei isso no lago acho que pertence a você Agradecida pegou seu fuso e voltou sem acreditar Mas no meio do caminho seu vestido sentiu pesar Olhando para suas vestes se deparou com um tesouro Viu os trapos que vestia se transformar em puro ouro Chegando em sua casa contou o que aconteceu Sua irmã e sua madrasta do coração quase morreu Se o que dizes é verdade também posso conseguir E os passos da meia-irmã Clotilde decidiu seguir Foi na fonte, jogou o fuso fingiu até se afogar Acordou em um jardim soube que era o lugar Viu o pão pedir ajuda deixou que virasse carvão Disse a pobre macieira - Seus frutos apodrecerão! Entrou na casa da velha fada mas nunca quis ajudar E nesse ano o inverno nem se quer ousou nevar É chegada a primavera a moça decidiu partir Vou ganhar o meu vestido pela porta vou sair No caminho olhou pra roupa estava da cor do azeviche E pela sua ingratidão recebeu todo aquele piche Antes que Clotilde voltasse com seu vestido divino Florença saiu de casa era dona do seu destino

O APRENDIZ DE FEITICEIRO Devorador gentil de livros embebidos em saber
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O APRENDIZ DE FEITICEIRO Devorador gentil de livros embebidos em saber Já não existe nesse casa coisa nova para ler? Procurou por um ofício que sustentasse esse seu vício E em uma loja de livros decidiu trabalhar - Pode me chamar de mestre dizia o seu patrão - E se já quer começar então comece pelo chão! - Posso ler o que quiser se for rápido como um coelho? - Pode ler o que quiser menos o livro vermelho! Aceitou sinceramente ficar longe do livro carmesim Mas quando o Mestre saiu sabes que não foi bem assim De pronto leu a capa "Manual do feiticeiro" - Vou conquistar a fama fama pelo mundo inteiro! - Aqui aprendo feitiços feitiços de transformação - Posso ser o que quiser águia, cavalo, dragão! Decidiu voltar pra casa e testar o que na cabeça vinha - Eu tenho o que não tinha agora sou uma andorinha! Entrou em casa pela janela com o livro em desatino - Adeus meu bico fino agora sou um menino! Mostrou o livro ao pai e disse que tinha um plano - Agora ficamos ricos com a arte do engano! - Vou virar um boi bem gordo o senhor vende na feira - Depois de um tempo eu volto então deixe de besteira! - Mas é preciso amarrar esse lacinho tire sempre que me vender - Assim eu volto a ser humano e o senhor vai me reconhecer - Na feira tudo deu certo tirou laço e me vendeu - Depois voltei a ser humano o comprador nem percebeu - Amanhã serei um cavalo seguimos com nosso plano - Não esqueça dessa fita ainda quero ser humano No dia seguinte o cavalo estava lá E na feira da cidade o seu Mestre quis lhe comprar Ofereceu muito dinheiro pediu que deixasse o laço Aceitando a condição No cavalo deu um abraço - Acho que mesmo com o laço ele consegue se safar Mas para a tristeza do pai o garoto demorou a voltar O mestre de tudo sabia manteve o cavalo em sua estrebaria Enquanto o menino aprisionado pensava no que fazia Por ironia do destino um garotinho ali passou Viu a fita no cavalo e então desamarrou Virou logo uma andorinha cheia de satisfação Mas o Mestre bem espertou virou um grande gavião Na fuga, por cima do jardim avistou um princesa do dossel - Chega de ave no céu agora sou um anel! Ao cair das alturas no colo da princesa O gavião agora era um príncipe cheio de delicadeza O príncipe reclamou o anel esse foi o seu gatilho - Sei que fui um mal filho agora sou um grão de milho! Caindo sobre a grama se perdendo com um estralo Mas o mestre bem esperto a essa hora era um galo O menino estava imóvel como um mariposa - Nem marido nem esposa agora sou um raposa! De súbito cresceu uma raposa saiu do meio do capim O galo nunca percebeu como chegara o seu fim O garoto agradeceu contando então o seu segredo Para a princesa que o salvara colocando o anel no dedo Mal agradecido com o mestre e desonesto em suas escolhas Decidiu queimar o livro sem restar nenhuma folha Perigosa era a magia daquele livro vermelho Decidiu parar por ai o aprendiz de feiticeiro

Estava preso Durante um tempo Amaldiçoado
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Estava preso Durante um tempo Amaldiçoado Em um encantamento Seu perfume Ficava no ar Seu toque Nas águas do mar Sua falta Na escuridão da rua Seu olhar Na luz da lua Seu calor No raio de sol Minha sina Peixe e anzol Hoje livre Fugi disso tudo Vou andando Andar vagabundo Sem destino Achado e perdido Onde passo Vou sendo acolhido Não cobro amor Nao peço esmola Passarinho Livre de gaiola Com migalhas Só marco o caminho Estou livre Mas nunca sozinho

Queria tanto saber O que você quer me dizer Se você quer ou não me ver
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Queria tanto saber O que você quer me dizer Se você quer ou não me ver Se é pra lembrar ou esquecer Queria tanto saber O que se passa aí dentro Se é calmo ou turbulento Se só ficou arrependimento Queria tanto saber O que você faz agora Onde sua vontade mora Se fico ou vou embora Queria tanto saber O que manda seu coração Se isso é um sim ou se é um não Se não passou de ilusão Queria tanto saber O que é realidade Sua verdadeira identidade Se no final é só saudade

E seu eu tivesse a sorte Não soubesse o que é morte Não seria assim tão forte
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E seu eu tivesse a sorte Não soubesse o que é morte Não seria assim tão forte Não iria me importar Com cada segundo que passa Com seu braço que não me abraça Com seu olhar que me transpassa E mira um outro lugar Mas na sorte do azarado Vendo a morte andar ao lado Entendo todo o significado Que você possa significar

⁠O PEQUENO POLEGAR Havia um par de botas Mas não um par comum
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⁠O PEQUENO POLEGAR Havia um par de botas Mas não um par comum Serviam pra toda a gente Cabiam em qualquer um Não eram botas surradas Nem tampouco elegantes Enfeitiçadas pelas fadas Guardadas pelos gigantes Basta saber aonde ir Essas botas não dão trégua Botas rápidas feito o vento As botas de sete léguas Um grande bruxo as possuía Até alguém dele roubar O mais jovem de sete irmãos O pequeno polegar Abandonados pelos pais Pois não tinham o que comer Na floresta foram largados Tinham mais chances de viver Com as botas de sete léguas Já não havia choro Enganaram o velho bruxo Levaram todo o seu ouro Mas o bruxo era malvado Se isso serve de consolo Acharam o caminho de casa Dividiram o seu tesouro E não há quem não conheça Aqui ou em qualquer lugar Terror dos bruxos e dos gigantes O pequeno polegar⁠!

⁠A gente nunca esteve na mesma página Verdade seja dita Eu sempre quis tirá-la de dentro do livro
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⁠A gente nunca esteve na mesma página Verdade seja dita Eu sempre quis tirá-la de dentro do livro As pessoas não mais acreditam em contos de fadas Quem sabe se ela saísse e se mostrasse Todos voltassem a acreditar em magia Ela me faz flutuar#3; Mas não existe alguém pra quem eu possa contar E se acreditarem?#3; Será que vão queimá-la? Soube que existem outras mais por aí... É, eu acredito nisso! É injusto que só eu possa ficar enfeitiçado.

⁠E nesse jardim abandonado Tudo permanece intocado Foi um jardineiro dedicado
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⁠E nesse jardim abandonado Tudo permanece intocado Foi um jardineiro dedicado Que arrumou tudo isso aqui Mas pra quê o cadeado? Por que tudo esta trancado? E as visitas do outro lado? Não quer mais ninguém ai? Deixe os beija-flores entrar Eles não querem bagunçar Na verdade, querem mostrar Que ainda vale a pena sorrir

⁠É tudo tão turvo Inebriado Mas tem seu cheiro
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⁠É tudo tão turvo Inebriado Mas tem seu cheiro E gosto do seu batom Posso ficar feliz De não enxergar Ou triste De só imaginar Não sabendo Acho o que quiser Sem certeza Posso ser o único de pé Esperando pra dançar A música que só eu ouço Mesmo assim eu torço Pra não pisar no pés De quem me tira o chão Toda vez que abro os olhos E fico nessa escuridão A tatear Em sua frente Um futuro que eu invente Ou talvez exista E resista Com medo de se mostrar

⁠O que dizer Quando se perder Em suas convicções
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⁠O que dizer Quando se perder Em suas convicções O que falar Quando errar Em suas ações Pra quem rezar Quando esperar Por mil perdões Onde gritar Quando beirar Perder a razão E se chorar Se não consegue Dizer não Se sussurrar Só se cair Em tentação

⁠Amor próprio É gás em balão É ar em bexiga
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⁠Amor próprio É gás em balão É ar em bexiga É asa de cera Tem que dosar Pra não se perder Pra não estourar Pra não derreter Não precisa ter medo Continue enchendo Continue soprando Continue batendo E com atenção Voar sem desatino Alegrar os meninos Pousar em seu destino

⁠E a raposa? Que quando por ti cativada Das outras cem mil é diferenciada
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⁠E a raposa? Que quando por ti cativada Das outras cem mil é diferenciada Torna-se única ao seu olhar Campos de trigo? Se enchem de magia Lhes tiraram a monotonia Pois de você a faz lembrar Os meus passos? Diferenciam-se dos caçadores Já que esses não trazem dores Só melodia a se seguir Se vou as quatro? Desde as três, felicidade Sobra tempo na animosidade Pra arrumar o coração Não fica triste? Se de súbito for embora Mas o tempo que dedicaste até agora Já faz dela única pra ti Do que devo lembrar? De olhar com o coração Esquecer nossa visão Pra enxergar o essencial

⁠Orbitando em seu olhar Fico sempre à vontade Sem imaginar a gravidade
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⁠Orbitando em seu olhar Fico sempre à vontade Sem imaginar a gravidade Enquanto vou perdendo o ar Olho para todos os lados Vejo planetas acorrentados Satélites a muito apagados Sem estrelas pra iluminar Quem bagunçou tudo aqui dentro Já não visita faz um tempo Deu anéis sem cabimento Fez Saturno se apertar Peço então estrela cadente Farei tudo diferente Porei luz nesse ambiente Só me deixe respirar

⁠Para onde você vai? Disse o bobo apaixonado Ela olhando para o lado
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⁠Para onde você vai? Disse o bobo apaixonado Ela olhando para o lado Apontou a direção Mas eu vou pro lado oposto! Disse o bobo encantado Mas não tem nada de errado Disse a moça a enrubescer Mas por que não vem comigo? Disse o bobo pensativo Tem alguém a me esperar Os olhos da moça a marejar Então quer que eu desista? Disse o bobo paralisado Se já escolheu o seu lado O que essa moça pode fazer? Achei que também tinha escolhido Disse o bobo arrependido E a moça ao pé do ouvido Se tiver coragem, vou contigo Se afogando em liberdade Vivia o bobo na verdade E presa em sua própria realidade Sorria a moça pra se consolar

⁠Você parece tão dona de si E eu, tão dono de nada Sua cabeça parece nem estar aqui
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⁠Você parece tão dona de si E eu, tão dono de nada Sua cabeça parece nem estar aqui E a minha, sempre preocupada Seu silêncio parece magia E o meu, pura covardia Seu abraço parece seleto E o meu, tão incompleto Sua presença parece notada E a minha, sempre evitada Suas palavras parecem ajudar E as minhas, alguém machucar E nessa eterna dissonância Vamos tomando distância Sem saber onde vai dar