MISERICÓRDIA Misericórdia, pai! Esse vazio na barriga, esse buraco no peito, essa amarga vida, misericórdia!
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MISERICÓRDIA Misericórdia, pai! Esse vazio na barriga, esse buraco no peito, essa amarga vida, misericórdia! Será bela o suficiente a realidade para virar poesia? A fome, a violência, a matança. Me perdi para os tiros, as balas perdidas direcionadas intencionalmente ao meu peito, Eles me mataram, pai! A luz do sol é forte, mas não tem praia. O luto da casa, a fome da semana, a morte do dia. Santa Vida, mãe de misericórdia, vida, morte e angústia nossa, salve! A ti imploramos, nós, malditos filhos de Eva, por misericórdia! Ó vida, tu és tão colorida pra quem é maioria, e tão cinza para as minorias. Cinza, a cor do cartaz de luto. Luto! Luto e não sobra nada! Eu morro de trabalhar e me falta em casa; Maldito és tu, que me oprime, que me desgasta. Eu rezo para implorar misericórdia! Misericórdia, misericórdia, misericórdia, misericórdia! Amém.