Frase de Enzo Eugênio
Ser bom não é ter erros ausentes, mas sim ter erros reconhecidos.
No pensador.ai desde
Ser bom não é ter erros ausentes, mas sim ter erros reconhecidos.
No pensador.ai desde
MISERICÓRDIA Misericórdia, pai! Esse vazio na barriga, esse buraco no peito, essa amarga vida, misericórdia!
MISERICÓRDIA Misericórdia, pai! Esse vazio na barriga, esse buraco no peito, essa amarga vida, misericórdia! Será bela o suficiente a realidade para virar poesia? A fome, a violência, a matança. Me perdi para os tiros, as balas perdidas direcionadas intencionalmente ao meu peito, Eles me mataram, pai! A luz do sol é forte, mas não tem praia. O luto da casa, a fome da semana, a morte do dia. Santa Vida, mãe de misericórdia, vida, morte e angústia nossa, salve! A ti imploramos, nós, malditos filhos de Eva, por misericórdia! Ó vida, tu és tão colorida pra quem é maioria, e tão cinza para as minorias. Cinza, a cor do cartaz de luto. Luto! Luto e não sobra nada! Eu morro de trabalhar e me falta em casa; Maldito és tu, que me oprime, que me desgasta. Eu rezo para implorar misericórdia! Misericórdia, misericórdia, misericórdia, misericórdia! Amém.
SALVEM MARIA A valsa ao som do piano perdeu a cor. Um gemido ecoa na sala,
SALVEM MARIA A valsa ao som do piano perdeu a cor. Um gemido ecoa na sala, Pede socorro e grita uma dor. Dor, tal qual um retrato violado, De ver que se inocenta um monstro, um desalmado, Dor de viver a sombra, de morrer num estalo. A vida que foi trocada pelo medo, pela insegurança. Trocaram a divina pela matança. E numa arte, numa poesia, Se faz necessário um grito de agonia. Salvem Maria! A morte a acompanha, Um choro de dor, um hematoma no braço, Uma marca de ajuda, um pedido de socorro que é ignorado. Será que aos sons do inferno, se ouve a súplica de uma mulher? Salvem Maria dos perigos dos homens de fé! A cada nascimento feminino, Há uma dádiva em canção. Mas quando uma raiz podre encontra impulso, a melodia termina num caixão. Pobre coração, há perigo no amor! Nessa civilização, onde se grita pecados, se encobre sua dor. Batam o martelo, batam preces no tambor! Salvem Maria e acusem os culpados; Há sangue na rua, mas há uma faísca que irá incendiar, Não faremos silêncio enquanto Maria não for ouvida sem precisar gritar.
"Eu sempre receio, quando escrevo, mudar de ideia. Mas e se eu mudar? Quem me julgará sendo que isso é a coisa mais humana e artística a se fazer?"
Ignorância O seu pensamento se perde no imenso vazio da sua mente, Você esquece do lógico tão logicamente,
Ignorância O seu pensamento se perde no imenso vazio da sua mente, Você esquece do lógico tão logicamente, Faz uma conquista tão deprimente. Na calada da noite, cala meu povo, Na hora do dia, nega um alívio de novo, Faz um discurso de poder, e nega poder se importar com o outro. Tem ouro, tem riqueza, Mas se afunda na sua pobreza; No seu escasso pensamento eles cofiam um alívio para o sofrimento. Você fala sem pensar, acerta em errar, Ignora o meu plural e tenta nos domar, Ignora o saber e ainda veste um formal, Faz um discurso arrogante me acusando de imoral. Quem ousa a escutar? Quem ousa em você votar? Queimando os pneus, um fogo difícil de apagar, Essa gente desesperada e você sem se importar. Vê a mata, edifica teu ego, Vê uma morte e se finge de cego, Manipula uma massa enquanto não a pegam. Como pode menosprezar a educação? Para falar de poder de onde tirou tanta convicção? Da onde tirou conhecimento para falar da constituição? Como pode confundir liberdade com opressão? Como pode endemoniar as súplicas vindas do coração? Pega, pega, pega, pega ladrão! Julga-o conforme as leis, Mas ei, Será que terá espaço para branco na prisão? Ignorância, tradução, Conhecimento disponível; atenção, não. Não peço que pense e concorde comigo, só quero que pense! Conhece a história, conhece as verdades, Se faz de cego ou se faz de covarde? Do meu povo a Militância, do seu a arrogância. Nessa casa, nesse senado, Dentre esses terá um bom deputado? Dessas vozes que discutem, Quem escutem minha gente? Posso ter pouca relevância, Porém não alimento vossa ignorância. Esse barulho me atordoa, E você não se importa! Uma hora quem sabe doa, Quando a morte bater a porta. E ela não liga pra sua influência, bem menos a perdoa.