Meu primeiro refúgio
Meu primeiro refúgio
Minha perfeita morada
Diante dos teus olhos
Principiei a caminhada
Sua voz ainda é música
Ecoa dentro de mim
Ah, minha mãe querida!
Não entendo porque cresci
Ainda sinto o murmurar
De a minha infância te chamar
E nas minhas noites de medo...
Sinto os teus passos, sua forma de respirar.
Vestes tu com elegância
O destino que Deus a encarregou
E como mãe és primorosa
Pra cada filho doou seu calor
Por todas as horas de tua vida
Que a minha dedicou
Agradeço-te dama de minha vida
Venero-te com todo meu amor.
Minha doce rainha
Meu templo de perfeição
Ampara-me
Proteja-me
Embala-me
Esconda-me no teu ventre
E nunca...
Nunca me abandone
Mãezinha do meu coração.
Enide Santos 20/12/14
O outro lado de mim
O outro lado de mim
Aquele que tem cobiça
Mas finge não ser assim
Aquele que do nada se irrita
E esconde seu lado ruim
O outro lado de mim
Que gosta da gula
Inveja e usurpa
Mente e insulta
Fuzila fitando
Cospe rosnado
Pisa matando.
O outro lado
Que é prisioneiro
Metido a matreiro
Tenta fugir.
Todos têm seu lado bom
Seu lado ruim
Comigo também é assim
Mas o Deus que há em mim
Sempre me ajuda a resistir.
Ao outro lado de mim.
Enide Santos 10/12/14
Peleja com a saudade
Quase insuportável
Hoje ela esta
Tenta devora-me
Arrisca devorar-se
Ajeita-se
Enfeita-se
E me chama pra peleja.
Ah, como é bom confronta-la!
Fazer pilera
De suas mazelas.
E nessa luta
De rusga tão muda
Seu grito em mim é infinito.
Ah, esta saudade enfim!
Gosta de se manter assim
Intensa e sádica
Aflorando ate na hora
Que teus braços embrulham-se em mim.
Ah, saudade deixa de munganga,
E vai embora daqui.
Enide Santos 03/12/14
Ai, saudade de mim
Ai, que saudades
de ir dentro da minha alma
e arrancar de lá minha poesia!
E rasga-la inteira
vê-la sangrando
derramando de mim.
Ah, não encontro o caminho
me perdi
dentro de mim
me perdi
Há apenas um som
e não são palavras
ou não consigo as interpretar!
Não encontro a minha poesia
me perdi dela
e não sei se saberei viver assim.
Levantando sentimentos
escarafunchando em pensamentos
retorcendo aborrecimentos
em busca de mim.
Ah, minha poesia, volta pra mim?
Enide Santos.07/12/14
Retrato de mamãe
Uma lata ela abria
Retirando toda a tampa
Tão doce parecia
O seu belo semblante.
Criança, eu não entendia.
Que mamãe criara poesia
Cantarolava e a lata abria
Com carinho o vaso surgia.
Sobre a mesa a lata estava
Abarrotada de flor
Toalha de chita
Combinando com louvor
E com um terno sorriso
A casa mamãe enfeitou
E da minha infância, te digo...
Só recordo com amor.
Enide Santos 04/12/14
Agora dói
Agora dói acordar.
A razão pra me vivificar
Já não posso mais alcançar.
Abandono-me ás recordações.
Descuido-me das emoções
Penetro-me em pensamentos.
Agora dói respirar.
O ar que me visita,
Agora sai, como que pra te buscar.
Soluços, lágrimas, gemidos,
nada consome a dor
que me impõe este castigo.
Agora dói continuar.
É mesmo uma penitencia
Tentar deixar de te amar.
Enide Santos 22/06/14
A poesia que fala de ti
A poesia que eu teria pra te dizer
dorme dentro de mim
aconchegada a você.
Dela não ouço gritos
sinto alguns toques
pequenos bramidos.
A poesia que fala de ti
que exprime meu amor
que traduz o meu sentir.
Esta sonhando agora
Aperfeiçoando-se por hora
desejando existir.
Enide Santos 26/11/14
Apenas eu e você.
Apenas eu e você,
Nada mais havia
Exceto esta fotografia...
No escuro seu contorno me dizia:
Olha em torno sinta esta magia!
E quando não mais juntos estivermos
Guarde na lembrança este momento terno.
Ah! Sua voz estava tão doce e macia
E o teu braço com ternura me envolvia
E com o outro apontava a bela fotografia.
Olhe bem para lá,
Lembre-se do brilho de cada lugar
(Piripa, Cordeiro, Condeúba e Jânio)
E quando não for mais este momento
Volte para cá, onde nos dois
Para sempre vamos estar.
Guarde na lembrança
Nunca o deixe se esgotar.
Esta é a maneira
De nunca nos separar.
O melhor momento de minha vida
Faz-me chorar
Ele aponta para onde jamais quero estar.
Enide Santos 26/11/14
Livre arbítrio
Como posso ser o que nunca fui?
Descrever o que sentir, sem ser?
Queria eu ser a sensação
Da folha ao tocar no chão.
Também queria ser o chão
E dar-lhe majestosa recepção.
O som do trovão queria eu ser
E ecoar mostrando poder
E da noite ser a mão
Para a aurora dar proteção.
Tantas e tantas coisas queria eu ser.
Ser o silencio que só no ventre do vento há.
A distância que cada gota na chuva se dá.
Ser o burburinho na vida do ar.
Querendo ser sou.
Sou a musica que invento
E digo que quem gosta é o tempo.
Sou a sede da aurora
E para ela domo minha história.
Sou a morte do grito
O fim de seu rito
Sou a fome a sede da vida
Sou o punho cerrado
Do livre arbítrio.
Eu sou um mito.
Sou poeta
E querendo ser
Eu sou.
Enide Santos 22/11/14
Tô capinando a minha sina
Tô capinando a minha sina,
fazendo nela,
minha obra prima.
Tô derribando aqui e ali
Vou abrindo brechas para sair.
Tô carpindo esta insígnia
levando dela,
tudo que a abomina.
Tô roçando esta ingrata,
ateando fogo nas suas faltas.
Tô abatendo este destino
que não me enobrece
e não me define.
Aceite desígnio
não guerreie enfim
visto que, sou dona de mim.
Enide Santos 08/0/11/14
De qual lembrança?
De qual embrança vem este som,
que não consigo reconhecer?
Remete-me a algo,
outro tempo,
outro espaço.
Não sei qual,
não sei onde.
Sei que saiu do meu corpo,
habito outra dimensão.
Lá onde recolho saudades,
e planto gratidão.
Lá posso voar,
dançar como se chuva fosse.
E das lamurias sofridas que ouço,
Faço vento, para planar.
Sou pedra,
montanha,
encostas do mar.
Sou lua
Estrada,
E a força de um cantar
Aquele que ouço
Mas não consigo identificar.
Enide Santos 07/11/14
Razão de meu silêncio
Há momentos que as palavras preferem não ser ditas.
Então...
Perceba o ardor que há em meu peito,
Sem que seja preciso soar um único verbo.
Sem que seja necessário ecoar um único som.
Há tantas palavras que precisam ser entendidas
Mas que não querem ser ditas.
São intensamente mais plenas
Quando traduzidas sem pronuncias.
Entenda o fragor que só o meu corpo pode dispor.
Ouça o retumbar que rasga o meu silêncio.
Alcance o som em mim que fala de ti.
Desbrave meu olhar, encontre-se lá.
Enide Santos 21/10/14
Chove por mim os teus olhos
Chove por mim os teus olhos
Abusando do instante que te dou
Retrata o teu espírito
E com ele todo teu amor
Delineando tua face
Expõe-se a gota da dor
Entoando com arte
Reverencia-se ao observador.
O cheiro do teu sentimento
Exibe-se todo enfim
E o gosto de teu pensamento
Impregna-se em mim.
Chove pôr mim os teus olhos
Furtando-me o mundo em que estou
Deixa-me repleto da culpa
Pôr por ti não ter amor.
Enide Santos 21/10/14
Houve uma noite
Houve uma noite
em que toda a coragem
de mim se apossou.
E em minhas retinas
podia se ver
o mais puro furor.
Em mim bradavam-se gritos e gemidos
como os que bradam numa flor.
Vestidos de silencio
mas que o eterno alcançou.
E das veias desta minha existência
Recolhidas nas essências
o meu ego brotou.
Emergiu-se em fim
Se rasgando de mim
O profundo deixou.
Houve uma noite
Que não mais vou esquecer
Rompeu-se o enigma
De o meu inteiro poder.
Houve a noite em que pude me ver.
Enide Santos 07/10/14
Sou portadora da mais insana das almas
E nos jardins da vida
Onde o tempo faz morada
Caminha minha alma
Insana e ousada
Debochada aventureira
Sobre as horas se escancara
Perfuma seus encantos
Com orvalhos da madrugada.
Do espírito das coisas
Alimenta seu destino
E se suja dos beijos
Dos pecados clandestinos
Dorme com a dor
Com a saudade tem um caso.
Veste-se a rigor
E com a luz da seu recado.
Insana pela vida
É a minha alma
Esgarçada ferida
Feliz por ser culpada.
Enide Santos 27/09/14
Não consigo voltar a dormir.
Fico preocupada em acordar e deixar as coisas sem solução em meus sonhos.
Ainda em outra noite havia um papel pegando fogo eu estava tentando apaga-lo, mas já em meu sonho eu tinha toda convicção que o fogo iria retornar.
Na ânsia de salvar os meus sonhos, os que tive e os que ainda vou ter, eu acordei.
Não consegui voltar a dormir...
Fico muito apreensiva por não saber o que se passa por lá.
Lá estava também meu amado ou alguém que ainda vou amar, mas não me foi possível ter com ele. Sei que acordei com o peito repleto de um amor intacto e perfeito.
Tentei incansavelmente voltar a dormir, não consegui.
Não sei o que se passou por lá, apenas sei que meu amado não consigo encontrar.
Enide Santos 26/09/14
Sozinha contigo
Esconda-me em teus braços
Só enquanto este amor me queima.
Mantenha-me em teu olhar
Só pra que eu possa respirar.
Ata-me ao teu coração,
Para que eu não me perca nesta devastação.
Monitore meus sentidos,
Encarecidamente...
Não me deixe sozinha contigo.
Não se vá
Tente ficar
Não durma.
Enide Santos 24/09/14
Amar é...
Quando penso em ti...
Neste momento
Amar é pensar.
Quando sinto sua presença
Ou até mesmo sua ausência
Neste momento
Amar é sentir.
Quando te vejo...
Mesmo que não vejo
Neste único momento
Amar é ver.
Esqueço-me de todas as coisas
E neste momento
Amar é esquecer.
No frescor de cada nova hora
Penso
Sinto
Vejo
Respiro
Amar é...
Você
Enide Santos 22/09/14
Epístola-19
Fragmentos de mim
Regressando do amor...
Uma bagagem pesada repleta de dores e de saudades, farto de emoções e ilusões.
Dormi tantos dias com teu amor aquietado ao meu coração.
E em tantos outros quando acordava, sorria, sabia que era por você que aflorava a minha paixão, e ao me deparar com o dia em que todas suas horas estão vagas de ti.
Ah! Meu Deus talvez fosse mais fácil apenas dormir e dormir.
Agora a noite repousa em meu peito, dosa de instantes vagos os meus sonhos.
Resta-me acolher as dores das lembranças e das saudades que hão de perdurar sem pedir licença.Tenho agora a sensação do nada e poder do tudo ao meu dispor.
Mas estou frágil demais até mesmo para chorar porque sinto pesar por você não ver as minhas lágrimas, por não presenciar toda intensidade do que elas realmente significam, a elas não são dadas o devido valor. (Parece que o mar verte de mim).
Tenho que arrancar as raízes que estão presas a minha alma, sem ter o direito de fraquejar, e tenho a obrigação de aceitar que você simplesmente se vá.
Está intacto em mim o amor.
E nada mais sou agora que um vândalo exterminador.
Eu era amor e paixão
Agora sou aniquilação.
Recolho-me ao silêncio que se faz em mim.
E por todas as outras forças da natureza permaneço.
Hoje quando acordo ainda me vejo, ainda sou eu sem ti
Sou eu com todas as outras coisas do mundo que não substituem você.
Mas sou eu com todas as outras coisas regressando do amor.
Enide Santos 21/09/14
Qual a melhor cor?
Qual a melhor cor,
Para hoje, vestir a minha alma?
Qual o melhor tom,
Para que possa traduzir a minha talha?
De onde posso extrair a melhor impressão
para fundi-la à minha paixão?
Que aparência deve ter,
O exímio momento quando penso em você?
Como colorir,
Cada emoção?
Como matizar,
Cada sensação?
Que coloração deve alcançar,
O contentamento de poder te amar?
Que tonalidade tiro de mim,
Quando tudo que almejo emana de ti?
Como maquilar minh’alma,
no exato tom
Que somente a ti retrate?
Enide Santos 19/09/14
Ainda não aprendi a lida com a solidão
estamos juntas diariamente
e ela ainda me surpreende a todo momento.
Ela é ainda mais forte,
mais sabia e muito mais duradoura.
É ela quem dita todas as regras
e eu apenas me calo
e a deixo prosseguir
gritando em meu caminho.
Que é ela quem manda em mim.
Ainda não aprendi
porém ainda não desisti.
Enide Santos. Agora de 2014.
Nos jardins da saudade
Nos jardins da saudade
Colho pequenas flores de morte
Pequenos ramos de sorte
Por meio das folhas sagradas do amor
Entendo que sou eu, o lavrador.
Aqui, os ventos são plantados no chão,
Coloridos e assobiam uma canção.
São as flores do sol que exalam
O mais tênue perfume
E os brotos de noite
Lagrimam ritmos da primavera.
A classe dos sonhos
Embalam toda a atmosfera
Nos jardins da saudade
As ruas são feitas de pó
Tem veredas de dar dó
E a flor do mundo
Move-se em segredo
Recriando segundos
Com seus pequeninos dedos.
Aqui nos jardins da saudade
Há flores de todas as estações
Feitas de sombras e de ilusões
Bebem-se pequenos goles de felicidade
E fica-se longe da flor da realidade.
Enide Santos 02/09/14