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Frases de Elis Barroso

135 frases

DOCE DESPEDIDA Hoje vou deixar nosso amor morrer com poesia Escorrer dos olhos todo desmedido
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DOCE DESPEDIDA Hoje vou deixar nosso amor morrer com poesia Escorrer dos olhos todo desmedido Encontrar beleza no que me fez perdido Transbordar do peito límpido e sereno Toda essa agonia que me corrói por dentro. Hoje sorrirei com tranquilidade Pingando a saudade banhando os lençóis Nessa terna beleza De candura e singeleza Derretendo a tristeza Da tão atroz partida. Hoje vou valsar bem leve A inquietude que o momento pede Cantarolar suave Enquanto minh`alma se abre Transformando em música toda essa dor. Nessa leve despedida vou seguir a vida Vazando a tristeza Levando a certeza Que é assim que se faz.

Livros abertos Quando menina gostava de livros abertos Parecia que a qualquer instante bateriam asas, alçariam voo pela janela
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Livros abertos Quando menina gostava de livros abertos Parecia que a qualquer instante bateriam asas, alçariam voo pela janela Suas folhas me lembravam gaivotas Aquelas que desenhávamos em nossos pores de sol no papel Cresci! Descobri que não era imaginação Livros abertos sabem voar Quando menina eu tinha razão.

EM CONSTRUÇÃO Sou resultado das minhas andanças De pessoas que encontrei no caminho
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EM CONSTRUÇÃO Sou resultado das minhas andanças De pessoas que encontrei no caminho Das que me ofertaram sorrisos Me emprestaram o ombro Das que me ensinaram a ouvir NÃO Ou a rir de mim mesma Sou resultado das muitas conversas Das águas salgadas que lavaram meus olhos Dos amigos que se foram deixando saudades Dos que chegaram trazendo esperança De cada um que deixou um pouco de si Só assim construo quem sou.

FOI UMA FLOR A flor vive tão pouco Algumas por dias
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FOI UMA FLOR A flor vive tão pouco Algumas por dias Outras apenas uma manhã Logo murcha Logo cai A flor não se importa com o tempo O quanto de vida terá A flor aproveita o momento Lhe dado para desabrochar Foi uma flor que me ensinou Que há vidas de pedra E vidas de flor.

⁠ÁPICES As horas se vão uma a uma É Terra que meus pés já não pisam
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⁠ÁPICES As horas se vão uma a uma É Terra que meus pés já não pisam Tic-tac surdo que me suga Pisa Que me rouba Cada qual carrega o que deixei de fazer Esse verdugo que é o Tempo me açoita Por páginas não lidas de um livro Pelo prato frio que já não pode ser comido O que deveria ser vivido O que lancei no amanhã Um Sim que deixei no Talvez Tudo aquilo que adiei Corri atrás do Tempo! Mas Ele já havia virado à esquina.

⁠OS HIBISCOS E O TEMPO Talvez, só talvez, ainda estejam lá, os hibiscos vermelhos da minha infância,
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⁠OS HIBISCOS E O TEMPO Talvez, só talvez, ainda estejam lá, os hibiscos vermelhos da minha infância, em algum lugar. Talvez, à espera da criança que não mais os visitou, provou de sua doçura em panelinhas de plástico, partilhou segredos sem importância, coisas que ninguém mais queria saber, segredos entre menina e flores, sem palavras, apenas sentires. Talvez, só talvez, os hibiscos vermelhos ainda estejam lá, em algum lugar na memória, bordados em calmaria pelo gracioso fio da história.

⁠MARGARIDAS NO PEITO Fincou raízes na poesia, dela, somente dela se nutria.
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⁠MARGARIDAS NO PEITO Fincou raízes na poesia, dela, somente dela se nutria. Via beleza na gota perdida em uma folha na calçada, sorria. Sentia a tristeza do asfalto cinza, chorava, se condoia. Trazia em seu ventre um amargor pelas ausências, e pelas coisas que nunca seriam, pelo dia feliz que se perdeu no caminho, pela dureza do talvez, pelo botão que secou sem ser flor. De seu peito brotavam margaridas, bem nutridas pelo esterco da dor que sentia. Regadas por lágrimas que teimavam em seu peito chover, fosse manhã, ou já fosse tarde demais.