Robôs Espero que não seja tarde O dia em que a humanidade descobrir
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Robôs Espero que não seja tarde O dia em que a humanidade descobrir Que máquinas não fazem flor E robôs jamais escreverão poemas
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Robôs Espero que não seja tarde O dia em que a humanidade descobrir
Robôs Espero que não seja tarde O dia em que a humanidade descobrir Que máquinas não fazem flor E robôs jamais escreverão poemas
POUSO Tal qual a caneta que após percorrer todas as linhas repousa exaurida sobre a folha de papel Depois que eu fizer todo o percurso de sua pele
POUSO Tal qual a caneta que após percorrer todas as linhas repousa exaurida sobre a folha de papel Depois que eu fizer todo o percurso de sua pele Embrenhar-me em seu corpo Enfim exausta Ofereça-me seu peito como pouso.
Na folha de papel Vi que palavras não se pode prender Senti cheiro de liberdade
Na folha de papel Vi que palavras não se pode prender Senti cheiro de liberdade Enxerguei colibris Descobri então Que sou feita de asas.
ASSIM É Janela que dá pra lugar nenhum Trevo que perdeu a quarta folha
ASSIM É Janela que dá pra lugar nenhum Trevo que perdeu a quarta folha Concha tirada do mar Cobertor que não tapa os pés Assim é aquele que perdeu a voz Foi negado o saber Queimada a história.
GALHO SECO Num galho seco caído à beira do caminho Vi pousar um alegre passarinho
GALHO SECO Num galho seco caído à beira do caminho Vi pousar um alegre passarinho Quebrou um galhinho com o bico Voou dali para longe Aquele galho seco caído no chão Um dia foi verde Deu flor Agora tão frágil Sem cor Mesmo assim me ensinou: Só gravetos secos podem ser ninho.
O TEMPO As horas ficaram para trás Os dias se perderam no ontem
O TEMPO As horas ficaram para trás Os dias se perderam no ontem As estações mudaram Os anos se foram O tempo se perdeu no caminho Quase tudo mudou Só o que sinto por você é igual.
DIA FRIO Num dia frio Enquanto a chuva fina brinca de escorrega nos telhados
DIA FRIO Num dia frio Enquanto a chuva fina brinca de escorrega nos telhados De embaçar as vidraças E fazer poças nas calçadas Só quero uma xícara de café Um pedaço de poesia E você Bem quente...
Quem sabe um dia a gente se esbarre Numa encruzilhada qualquer nossos olhos se cruzem Não tendo para onde fugir
Quem sabe um dia a gente se esbarre Numa encruzilhada qualquer nossos olhos se cruzem Não tendo para onde fugir Só assim Parem de fingir.
Eu queria ser poeta Para uns versos escrever Com a unha
Eu queria ser poeta Para uns versos escrever Com a unha Em sua pele.
QUASE ESCREVI Quase escrevi um poema Tinha gosto de bolo de vó
QUASE ESCREVI Quase escrevi um poema Tinha gosto de bolo de vó Cheiro de café passado na hora O poema que quase escrevi tinha o aconchego de abraço apertado em dia frio De barulho de chuva na janela Que pena! Quase escrevi um poema.
RASCUNHOS Se a vida desse direito a rascunhos Em todos os riscos e rabiscos
RASCUNHOS Se a vida desse direito a rascunhos Em todos os riscos e rabiscos Eu colocaria você.
PERDI UM POEMA Perdi um poema no caminho Talvez seja semente
PERDI UM POEMA Perdi um poema no caminho Talvez seja semente Ou quem sabe vire pedra Era um poema pequenininho Cabe na palma da mão Se achar leve contigo Quem sabe um dia floresça
Pontuações Interrogações nem sempre tem respostas Vírgulas escondem suspiros
Pontuações Interrogações nem sempre tem respostas Vírgulas escondem suspiros Reticências guardam infinitos As pontuações me ensinam: Às vezes é preciso silêncio.
JANELINHAS Na madrugada Quando vejo janelinhas acesas
JANELINHAS Na madrugada Quando vejo janelinhas acesas Acho que ali moram corações partidos Insones Penso nas histórias de amor que poderiam virar poesia.
Aceito convite para assistir a lua e as estrelas da varanda Para ouvir uma orquestra de grilos Ou tomar um porre de risos até doer a barriga.
CONCLUÍ Olhando uma bela xícara que virou vaso de flor Concluí:
CONCLUÍ Olhando uma bela xícara que virou vaso de flor Concluí: Para nada existe fim Só mudanças Recomeços.
DESCONEXO Sinto o gosto do abraço O afago do beijo
DESCONEXO Sinto o gosto do abraço O afago do beijo Ouço a conversa dos olhares Descobri: Viver não precisa fazer sentido.
ENTRE OS LENÇÓIS Nossos pés se procuram entre os lençóis Num roçar suave se acariciam
ENTRE OS LENÇÓIS Nossos pés se procuram entre os lençóis Num roçar suave se acariciam Confidenciam em silêncio Fazem juras sem palavras Nossos pés entre os lençóis Sussurram segredos que meros humanos jamais vão saber.
Ela é assim Um tanto lua Um tanto mar
Ela é assim Um tanto lua Um tanto mar É feita de fases Regida por suas próprias marés Ela é mulher.
UM NINHO Em um velho tronco seco Encontrei um ninho abandonado com apenas um ovo
UM NINHO Em um velho tronco seco Encontrei um ninho abandonado com apenas um ovo Tão pequenino Tão solitário Um ovo que não se quebrou de dentro para fora Guardou em si um passarinho que nunca voou Pensei aonde estariam todos os outros Talvez por aí visitando telhados Construindo novos ninhos Fazendo música em nossas manhãs E ovo solitário do ninho abandonado? Ah! Esse teve sua missão Bem diferente dos seus irmãos Me ensinou que para ter vida Que para voar É preciso se quebrar De dentro para fora.
SENTIDOS Se fores capaz De enxergar a tristeza estampada em um sorriso
SENTIDOS Se fores capaz De enxergar a tristeza estampada em um sorriso Ouvir o grito silencioso de bocas mudas sentir o cheiro da podridão encoberta por caros perfumes O gosto amargo do cálice bebido por seu irmão E se conseguires tocar em vidas. Seus cinco sentidos dirão que és humano.
PRA VOCÊ EU QUERO... Ser menina nas brincadeiras Na cama ser mulher
PRA VOCÊ EU QUERO... Ser menina nas brincadeiras Na cama ser mulher Ser sua melhor amiga E desconhecida para que sempre tenhas algo novo a descobrir Eu quero ser o porto onde desejes ancorar Mas também quero ser o vento que te leva a outras águas Eu quero ser primavera para que regues minha flor Também quero ser outono para que comas do meu fruto Eu quero ser poesia em sete versos e assim me leias com um olhar E seu romance de cabeceira para que me leias a vida inteira.
MENINA Apaixonei-me por esses seus olhos que quando me veem ficam apertadinhos e não conseguem esconder o sorriso. Apaixonei-me por ti menina
MENINA Apaixonei-me por esses seus olhos que quando me veem ficam apertadinhos e não conseguem esconder o sorriso. Apaixonei-me por ti menina Menina que nasceu nos olhos do meu amor.
CANETAS Tentei escrever alguns versos Alegres
CANETAS Tentei escrever alguns versos Alegres Utópicos Até sobre melancolia Mas minha caneta teimosa hoje só quer fazer poemas de amor Que loucura! Nunca soube que canetas tinham coração.