...Assim como as minhas verdades
São mentiras para tantos
Que nelas não acreditam
E me tomam por desvairada
Excêntrica, despirocada
São verdades e mentiras
Mentiras e verdades
De mentes sãs e dementes...
Tramela poética
Poeta rabisca o que pensa
E não pensa pra rabiscar
Seus rabiscos aas vezes encanta
E outras faz chorar
Poeta é pensador
Que as vezes perde seu teor
Suas rimas as vezes magoam
Dependendo de como soam
E se se retratam nos rabiscos
Como é que eu, poeta, fico?
Pois jamais tive a intenção
De ferir a ninguém no coração
Uma tramela é preciso
Para não mais olvidar
Rabiscar conciso
E a ninguém...magoar
Se eu morrer...
Se eu morrer...
Quero comemoração
Não o clima de velório
Quero fogos de artifícios
Um samba canção me homenageando
Cerveja gelada para acompanhar
Uma bandeira do meu time para eu levar
Brincadeiras a minha volta a me velar
E sorrisos por finalmente eu me libertar...
Se eu morrer...
Não se deixe entristecer
Nem ouse por mim chorar
Porque estarei sorrindo e cantando
Por onde a morte me levar...
Se eu morrer...
Estarei partindo feliz
Por saber que aqui não é meu lugar
Porque aqui nunca fui feliz
E me sinto egoísta por não agradecer
A vida que eu tenho e que me cobram
Louvar a Deus a todo instante
Pela minha saúde constante...
Se eu morrer...
Terá enfim chegado ao fim
A grande misão que me foi destinada
E com a qual fui predestinada
A viver num tempo que não gosto
E por isso me confundem com amarga...
Se eu morrer...
Não faça drama por mim
Porque o morto é reposto
No novo que vai nascer
E o tempo te fará me esquecer...
Jujubas
Era assim...bem pequenina e moleca
Correndo descalça pelas ruas
Fazendo mandado pra vizinhança
Que pediam para comprar na venda
Na leiteria e no açougue
E eu...juntando pratinhas
Que cobrava por meus préstimos
Para quando, no fim do dia
Já cheia de pratinhas
Corria até a venda
E gastava tudo em jujubas
Docinhas e coloridas
Que eu escondia dos irmãos
Pra não ter que dividir
Mas quando a mãe me via chegar
Com o saquinho de papel
Das balinhas açucarada
Me fazia dividir e contava
Uma a uma por igual...
Eu já sabia e esperava
Então roubava de mim mesma
E escondia a maioria
E essas...ahhh...essas eu não dividia
Comia sozinha e escondida
As minhas jujubas preferidas
Amor verdadeiro
O amor não pede nada em troca
Nasce, cresce, e ama
Ser amado...nem sempre
Mas ama porque ama
Sem nada pedir
Com muito a desejar
Nos sonhos e devaneios
Nem sempre realizados
É assim o amor
Inteiro e real
Amor de verdade
Que aguarda paciente
A entrega total
Que se não acontece
Não deixa de amar
Tão pouco de sonhar
Adormece silencioso
Guardado e aguardando
O amor florecer
O amor verdadeiro
Transpassa espaços
Segue infinito
Nos espaços da vida
Sabendo esperar
A hora do reencontro
Das almas escolhidas
E por "instantes" perdidas
Simplesmente por saber
Que é amor de verdade
In... Grata
Sou grata ingrata
Que faz da gratidão
Castigo, prisão...
Persona non grata
Na gratidão do coração
Na paz do meu espírito
Que vaga ingrato
Sem a grata sensação
De se sentir grato
Em sua imensa vastidão
De espírito ingrato...
Sou ingrata sem graça
Que não sabe ser grata
E sente o peso da gratidão
Se impondo em minhas costas
E gritando aos quatro ventos
Que a minha ingratidão
É o preço a pagar
Pela minha liberdade
Que mais tarde virar cobrar
A ingratidão que me fuzila
Por não saber ser grata
À quem por mim foi grata...
A gratidão me cobra
O preço da ingratidão
E eu... ingrata pago
Por não saber ser... grata
Saudades do que passou
Senti saudades de ontem
Quando éramos metades
Que se juntavam e se formavam
Senti saudades de um tempo
Em que não éramos estranhos
E sabíamos exatamente
O que o outro estava a imaginar
Só pela troca de nossos olhares
Senti saudades de não precisar falar
Para me fazer entender
Pois bastava nos tocarmos
Para nossos corpos se incendiar
Senti saudades da razão
Que era nossa e de mais ninguém
Razão que nos ditava os corações
Que pulsavam numa só emoção
Sem a mais ninguém dar satisfação
Senti saudades do relento
Onde o amor era feito ao vento
Sem paredes nem lençóis
Era só a relva orvalhada
Refrescando e lavando os suores
Que se misturavam, salgando nossos corpos
Senti saudades do cheiro de mato
Que inundava nosso leito
E do rio que esperava sem pressa nenhuma
Enquanto cantava seu correr de águas
O banhar enamorado
Senti saudades dos pássaros
Que das árvores observavam
E acabavam por se amarem
Senti saudades da fogueira
Que ardia noite adentro
Iluminando a paz depois do amor
Quando nossa chama...saciávamos
Senti saudades desse tempo
Em que eu...te amava
Culpas e culpados
Sentimentos conflitantes
Brigam por espaços
Sou boa e sou má
Agradecida e ingrata
Em momentos de angústias
Revoltada comigo mesma
São culpas sem culpados
Ou culpados sem culpas...
Os olhos ternos que me olhavam
Entristeceram na minha impaciência
Enquanto a minha juventude
Se perdeu na minha obrigação
São culpas sem culpados
Ou culpados sem culpas...
O verbo vocifera
Num brado incontido
Calado pelas lágrimas
Que vertem furtivas
Dos olhos que me olharam
São culpas sem culpados
Ou culpados sem culpas...
A alma sabe do errado
Mas não contém o corpo que clama
Conflitando desejos e obrigações
Liberdade e prisão
Estancando decisões
São culpas sem culpados
Ou culpados sem culpas...
E virá o tento final
Quando esses mesmos olhos
Que um dia me olharam
Tornará a me olhar
Cara a cara à me julgar
E eu terei de encarar
E a minha conta apresentar
Então, por fim saberei
Se houve culpas sem culpados
Ou culpados sem culpas...
Presença sentida
Não sintas saudades de mim
Pois que aqui estou ao lado teu
E se te concentrares um pouquinho
Podes minhas mãos nas tuas...sentir.
Não sintas saudades de mim
Porque eu sempre vou estar contigo
É só você pensar em mim
Que do seu lado eu vou estar...
Não sintas saudades de mim
Me chame sempre que precisares
Eu largo tudo e venho correndo
Apenas para contigo estar...
Não sintas saudades de mim
E não deixe nunca a tristeza chegar
Se te sentires só, mande teu coração gritar por mim
Eu venho te fazer sorrir...
Não sintas saudades de mim
Porque eu sou tua amiga, tua irmã
Sou quem atende ao teu chamado
Se me chamas com tua alma...
Então..., não sintas saudades de mim.
Deus e as muriçocas
Porque cada vez que eu tento
Algo dá errado
Destrambelha tudo
A vida perde o reio
O cabresto envieza
O cavalo perde o rumo
Sente o arreio frouxo
Me derruba da sela sem ferrolho
E trota livre sem direção
Rumo ao desconhecido
Me deixando assim, no chão...
E vejo sonhos desfeitos
Objetivos perdidos
Lutas vencidas
Lágrimas derramadas
Luzes apagadas
Músicas emudecidas
Poesias sem rimas
Telas borradas
Desejos contidos
Gritos calados
Viagens interrompidas...
E me pergunto a todo instante
O que é certo e o que é errado
Se persisto ou se paro
Se acredito ou duvido
Das promessas de um cara
Barbudo e onipotente
Que se diz protetor da gente
E me testa o tempo inteiro...
Ou sou o seu inferno
Ou estou no meu inferno
Um dia, por mais distante
Eu vou te encontrar
E aí...vou te perguntar
Olhando na sua cara
Para-quê servem as muriçocas???
É meu território
Meu pensamento é território
Que só eu posso alcançar
E ele é livre para pensar
E quando pensa em você
Então me aposso e posso sonhar
Chaplin já dizia que
"Existe um lugar
Onde ningúém pode tirar
Você de mim
E este lugar
Chama-se Pensamento...
E nele, você me pertence"
Meu pensamento é assim
Tráz você para mim
E nada pode te afastar
Meu pensamento é soberano
E só eu sei o que pensar
E isso...ninguém pode mudar
E de mim...ninguém vai te tirar
Nem mesmo...você
DEVANEIOS DE UMA MÃE...
"Tenham paciência comigo,
Meus gestos são lentos...
Não tenho mais destreza.
Meus passos são incertos
E temerosos...
Tenho medo de cair.
Escutem os meus lamentos,
Ou apenas minhas histórias...
Fico tão só...sem ter com quem falar.
Me deixem participar
Da vida de vocês...
Ainda sou a mãe
Que os criou e acalentou...
Sei que estou rabugenta,
Mas minhas limitações também me aborrecem.
Não quero muito,
Apenas uma porção de atenção.
Isso faria tão bem ao meu velho coração...
Mas entendo vocês,
A vida é tão corrida...
Precisam correr contra o tempo, não é?
Meus filhos estão crescidos...
Não precisam mais de mim
E não percebem que eu preciso
Apenas de cada um só um pouquinho."
Li hoje isso nos olhos entristecidos
Da mulher que sentada no sofá da sala
Devaneia sem cessar...
Seguindo
Porque não curo esse vício
Não esqueço essa tormenta
Me deixo dominar
Sem conseguir parar de pensar
Queria tanto a minha paz
Viver sem tanta insatisfação
Ver poesia em coisas simples
Espantar a minha solidão
Acabar de vez com essa ilusão
Limpar e abrir meu coração
Me deixar encantar com outras opções
Enxergar novas soluções
É sempre assim
Quado tento me desvencilhar
O vício aparece e me faz tremer
Tem prazer em me ver sofrer
A cura é complicada
Me vejo só na longa estrada
Canso da inócua caminhada
E acabo de novo, no vício jogada
A luta é insana
Sozinha não dá mais
Preciso de uma mão
Pra me tirar dessa confusão
Vou seguindo...lutando
Perdendo...ganhando
Vou seguindo...tentando
Vou seguindo...te amando