Palavras aleatórias
Poeta...
Não se deixe levar
Não permita que sua mente
Te faça mergulhar
Em rimas sem sentidos
Em dores e amores
Que te fazem penar...
Faz da tua poesia
Palavras de alegria
Que instigam à magia
Sem falar de heresia
Ou mesmo da burguesia
Que te tiram a fantasia
E te jogam na melancolia...
Ah poeta...
Faz do teu rimar
Coisas de alegrar
Quem vem te folhear
E com a alma devorar
O teu intenso rabiscar
Sem medo de errar
Em tudo o que vai falar...
Pois que é o teu interior
Que de fato, estás a expor
À quem tem olhos de ver
E cabeça de entender
Ao resto, poeta
Pouca diferença faz
E até te fazem o favor
De não lerem ao teu expor...
Vai poeta
Rasga o teu verbo
Cria a tua história
Deixa a tua rima
Contar a tua vitória
Faz dela a tua glória
Sem palavras aleatórias...
Te falo de mim
Sou apenas alguém que gosta do belo
Do belo que apenas os belos veem
Da beleza de ser despertada pelo canto dos pássaros (ainda que pardais)
E de ver desabrochar no jardim a flor manhosa
Sou quem gosta dos pingos da chuva que cai mansamente ao entardecer
Como gotas de ouro que brilham no contraste do sol poente
Da serenidade do orvalho que cobre ousadamente a grama macia
De sentir os primeiros raios do sol que desponta a cada novo dia
Sou quem "perde" o tempo observando o vai e vem das ondas
E gestando em cada uma, uma nova canção ou poesia
Sou quem busca enternecer com carinhos meus amigos
Levando sempre que possível (e ainda que virtual) a eles uma flor
Sou também o ombro que se precisares, te ofereço
Mas que prefere te ver sorrir
Sou apenas alguém que te admira
Por ter enxergado em ti a beleza interior
Sou apenas alguém que gosta do que é belo
E por isso eu gosto de você...
É preciso ter coragem
Para saber decidir
Entre o certo e o errado
Ludibriando a vontade
De estourar seus próprios miolos
Quando seus fantasmas assombrarem
Sua mente perturbada"
E se...
E se não mais te encanto
Praque ouvir teu canto
Que me fere os ouvidos
Invadindo minha alma
Lacerando minha carne
Que treme e vacila
Ao te ouvir cantar...
E se já não te faço falta
Praque insistir
Nessa vontade louca
De te ter e te ver
À todo instante
Te sabendo distante
E ainda pior
De mim ausente...
E se me faço vítima
Melhor levantar
Criar vergonha na cara
Abraçar outros braços
Forçar te esquecer
Seguir meu viver
Parar de sofrer
Feito mero marionete
Conduzido por você...
E se vou tentar
Melhor conseguir
E da minha vida te riscar
Sem tentar voltar
Ao precipício que o teu olhar
Tenta o tempo todo me jogar
Não permitindo eu respirar
E tão pouco me encontrar...
E se vou lutar
Saiba que eu vou ganhar
E no passado te deixar
E no passado...te enterrar...
Alma penada
Viajante no tempo
Alma errante
Em busca de si
Perdida na estrada
Sem saber onde chegar
Sem entender o caminho a traçar
Alma que vaga
Sem destino certeiro
Sabendo que tem que chegar
Em algum lugar
Alma cansada
Com vontade de parar
De se entregar
Mas sem coragem de recomeçar
Segue trôpega à andar
Procurando se encontrar
Seu destino achar
Uma luz para a iluminar
Uma mão para a guiar
Alma cega
Que sente a escuridão
Que grita em silêncio
Que sofre calada
É alma penada
Que vive sentindo
As dores de um nada
Esperando a passagem
Da sua liberdade
De volta à eternidade
O fio da navalha
É preciso ter coragem
E arcar com as consequências
De dicisões tomadas
Que a vida te cobra
Em troca da sua paz
Ou do seu inferno
É preciso ter coragem
Para saber decidir
Entre o certo e o errado
Ludibriando a vontade
De estourar seus próprios miolos
Quando seus fantasmas assombrarem
Sua mente perturbada
Ter a garra necessária
Pra seguir em frente
Sem contar com os anjos dizendo amém
Fazendo de si mesmo a sua força
Não se deixando levar pela fragilidade
Dos sentimentos embaralhados
Ou de sonhos despedaçados
É preciso ser forte
E morder o fio da navalha
Acreditar na sua coragem
Lutar enquanto aguentar
E mostrar pra todo mundo
Que nem tudo está perdido
E você não é um vencido
Amanhã é outro dia..."
Nuances
Não me perca...e nem deixe que eu te perca
A vida tem dessas coisas...
Pessoas veem e vão.
Não deixe que nos percamos....
Preciso tanto de você comigo.
Mas somos seres mutantes
E adaptável a todas as nuances
E é por isso que insisto...
Não permita que eu te perca pela vida a fora.
Quero estar contigo mesmo que não presente
Saber que estou guardada num cantinho do teu ser
Sentir tua presença cada vez que a saudade bater
Sem me sentir excluída pelo tempo
Não deixe que eu me perca de ti...
Porque sou volúvel em meus sentimentos
Sofro, choro e me rasgo...
Até que exaurida me esqueço.
E quando me esqueço...já não volto mais atrás
Caminhos percorridos, não fazem mais parte de mim
Por isso, não se perca de mim...
E tão pouco permita que eu me perca de você
E porque sou dúbia
Estouro e explodo
Xingo e praguejo
E peço desculpas
E deixo partir
Quem não sabe sentir
Que sou duas ou mais
E não sei voltar atrás..."
De volta ao passado
Enquanto escrevo observo
O olhar de minha mãe
Antes brilhantes
E por vezes fulminantes
Mas sempre ternos
Acompanhando estrepolias
da sua filharada...
Agora ela apenas olha
Um programa na tv
Seu olhar parece cansado
Seu brilho de outrora
Transformou-se em cataratas
Ela já não enxerga quase nada
Apenas olha...e nem sempre vê
Em seus olhos anuviados
Uma história de bravura
Se esconde e adormece
Ela viaja em seu passado
E o olhar perdido
por instantes,
Reluz no seu verde esfuziante
Uma lágrima teimosa aparece
Ela a seca com seu lenço
Volta a olhar a tv ligada
Volta a olhar e a não ver...