Mundo De Alice
Subi ao monte, ao cimo
Volvi-me e revolvi-me e dentro
Da minha alma
Criei um mundo
Profundo
Cheio de bondades
As flores do meu peito
Fecundas, íntegras
Foram distribuídas pela estrada
Subi ao monte e avistei meu mundo
Vi homens se fortalecendo e vivendo
Amando, só amando
Felizes e completos
Risos com dentes
Todos os dentes, bem tratados
Asseados
Todos com tetos, segurança, fartura
Muita fartura
Estrutura de gente forte e realizada
Vi anciãos bem-assistidos
Por filhos
E quando sem familiares
Asilos-hospitais-clubes
Que leveza!
Vi mulheres todas belas e amadas
Caminhando de mãos dadas com seus pares
Recebendo só carinhos
Vi crianças lindas
Bem encaminhadas
Brincando e aprendendo
Exercendo o direito de sonhar
E vi Governos
Robustos e incorruptíveis.
Grandes Estadistas
Cumprindo os seus deveres que
Para tais foram escolhidos.
E vi um mundo
Maravilhoso!
Quem dera fosse de verdade
Na realidade,
Eu construí esse mundo nos meu sonhos...
Meu nome?
Alice!
Meu Credo de Fé
Creio no amor amado
Nascido de olhares
Demorados
Derramados
De luz
Paixão que traduz
Infinidades
De sentimentos
Necessário ser eterno
Tão grande é
Inflamante desejo
Que invade a alma
O coração.
E a razão...
Pra quê razão?
Importante é a vazão
Do querer e fazer saber
o Ser Amado.
De que é Ele
O objeto tão desejado.
Criaturas Do Rei
Esperança no peito
Na voz, alegria
No olhar o feitiço
Na boca, o sabor
De ser este Ser
Repleta de amor
Sou filha de um Rei
De um Ser Magnífico
Que cria e recria
Criaturas ditosas
Que vivem momentos
De encanto e alentos
Sublimes de vidas
Que namora momentos
E entoam louvores
A doçura
Da busca dos Eus
De nobres ou plebeus
Se repetem
Através da perpetuação
Magnífica
Da vida
Eleni Mariana de Menezes
Comodismo = Abismo
Há que se elevar a alma
E revisitar os seus recônditos
Pra se descobrir um novo Ser
Lançar um novo olhar sobre o mundo
As pessoas e os rumos mudar
Se tiver que.
Abrir-se às mudanças
E se readaptar às idéias novas
Do mundo hodierno.
Não se pode ficar na inércia
Porque o gigantismo da dinâmica
Do Universo
Não nos espera.
Se parar, perde-se o bonde da vida
E se autoexclui da ciranda
Do viver.
Não se deve acomodar
Não se pode enclausurar
Na redoma do indiferentismo.
Abismo
Certeiro do medo
Jeito Simples
É preciso salgar a terra
Com o suor do amor
que escorre pelo corpo temperado
das lidas diárias.
Há que pisar o chão e o acariciar
com os dedos dos pés sagrados
Sangrando o barro que amassado
Mistura-se na pele dourando o caboclo
Tora de aroeira
Pé de pau-brasil.
E ninguém viu
Sua choupana atrás do morro
Ser levada pela enxurrada
E ele nem chorou.
Por que caboclo não tem lágrimas
Tem é brio
Tem é garras de águia
e dentes de tigre
Pra estrangular a caça mal cozida
Feita na panela de ferro e no fogão de lenha
Que o gás esse não exite lá
Na casinha, agora feita de sapé
Amarrada com embiras.
Fazer o quê?
Esse é o jeito simples e belo
De se viver.
A Vencedora
Ganhei batalhas
Venci a guerra
Na vida
Desfrutei instantes
Belos
Usufruí
Um mundo
Da cor da rosa.
A mais mimosa
Perdoei
Meus erros
Pecados
Mandei recados
Pras multidões
Ganhei
A paz
A esperança
E a criança
Que eu fui um dia
Se alojou na minha alma
E me acalma
Se a noite é fria
Mas o melhor
É que se um dia eu perdi
Já esqueci
Pois o perdido
Voltou pra mim
O que já estava
No esquecimento
Vem-me à lembrança
Doce lembrança
Da minha infância
Alcança-me
Recupera-me
Fortalece-me
E, milagrosamente
Recria-me