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Frases de Eleni Mariana de Menezes

175 frases

Miligrama de Verso I Dentro do Universo, nossa galáxia. Dentro da nossa galáxia, a terra
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Miligrama de Verso I Dentro do Universo, nossa galáxia. Dentro da nossa galáxia, a terra Dentro da terra, Eu Dentro de mim, o deserto Dentro do deserto, um oásis Dentro do oásis, uma fortaleza... Teus braços.

A Minha Espera Caminho solitária porque minha estrada tem Bordas de sonhos
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A Minha Espera Caminho solitária porque minha estrada tem Bordas de sonhos Que penetram nelas apenas quem escuta A minha voz que não solto Em palavras. Elas se espalham com o vento Na leveza das plumas alvas Da minha alma E se alguém ouvi-las É porque entendeu que a minha escada Espiralada Tem degraus construídos de emoções Todas nascidas de uma vontade Suprema de estar só Pra esperar o que ainda não decifrei Não reconheci de meu E espero fazê-lo Num único olhar Que irá tragar o meu eu e Entranhada nas entranhas desse amor Não causar estranhezas para o Meu Amado

Impregnados de TEREZA Os que não conheceram Tereza ao tomarem conhecimento da sua partida Pensando em nós que ficamos consternados, talvez digam:
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Impregnados de TEREZA Os que não conheceram Tereza ao tomarem conhecimento da sua partida Pensando em nós que ficamos consternados, talvez digam: Faz sete dias que eles estão sem ela... Que pena! No entanto, enganam-se... Ela tinha um mágico pincel E desenhou nas nossas almas seu sorriso, seu semblante De uma forma tão marcante, Que ficaram incrustados nas nossas mentes E fica impossível para nós que a amamos. Esquecê-la um só instante. Com o tempo a dor diminuirá. A saudade, por sua vez, aumentará Então, nós estaremos com certeza Predestinados Determinados Em permanecermos Impregnados. De TEREZA.

Milhões de amores Tenho milhares de almas Milhões de amores.
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Milhões de amores Tenho milhares de almas Milhões de amores. Milhares de bocas Trilhões de beijos De carícias. De desejos. Para quem confessaria o meu amor Se apaixonada sou multidões De mulheres Todas gritando por liberdade. Fisicamente um único ser Sensível e indecifrável Dentro de uma solidão incomensurável. Todos os passantes pela minha vida Piedade... Pois se tenho todas as promessas do sim Tenho de suportar, também, todas as renúncias. E renunciar quando se ama, é morrer Disse o poeta Vim morrendo pela vida aos longos dos meus anos. Morro todo o dia Morro toda à hora. Morro a todo instante. E morro agora.

SAUDADES... Oh! Saudades do ontem que Eu tive teus olhos pedintes voltados para os meus
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SAUDADES... Oh! Saudades do ontem que Eu tive teus olhos pedintes voltados para os meus Lábios e seios. Até pareceu-me ser amada E sonhei sentindo uma dolorida agudez De desejos quase realizados. Não pude alcançá-lo, pois no instante seguinte Partias. Nunca mais deixaste a poesia Dos teus olhos derramar esperanças Pros meus tristonhos. Sepultei nossos abraços suspensos no Meu pensamento febril Beijos lúdicos ficaram espremidos na minha Boca ressecada de tristezas. E a saudade se ajeitou no meu peito E nunca mais quis existir sem mim.

Vazio Não tive dedos suficientes pra contar As dores vividas no calabouço
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Vazio Não tive dedos suficientes pra contar As dores vividas no calabouço Da minha alma perdida entre mentiras De que eu sabia que o meu cantar Levaria com o vento Para os amados, alento. Eu nada aprendi dessa troca De idéias e ideais Não guardei um só instante As memórias do aprendizado Sobre o amor Que eu vim buscar Tive apenas ilusões arredias E apostei em atitudes tresloucadas Correndo atrás dos que me renegaram. Acreditei que estes Poderiam preencher o vazio despudorado Da agonizante despedida De quem parte solitária e oca E solta. Desprovida de alegria. Vazia de vida. Desnutrida e carente Completa indigente.

Lágrimas vãs Fui eu que chorei o Pacífico Quando enxerguei as muralhas erigidas
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Lágrimas vãs Fui eu que chorei o Pacífico Quando enxerguei as muralhas erigidas Com toda aquela riqueza lá dentro. Enquanto crianças de ruas cheiravam cola. Fui que verti em lágrimas o rio Nilo Quando soube que mentiriam Para angariarem muito dinheiro. Espoliando os pobres e desinformados. E mal-intencionados Inventariam sistemas financeiros. Cruéis e excludentes. A fatia seria dividida desigualmente Muitos sem nada Poucos com muito. Gente comeria lixo, Viraria nada. Na desabalada Carreira individualista, Egoísta. O mundo chegaria ao caos. Então, Minha aflição foi tanta. Que chorei todos os outros mares e oceanos E rios, e lagos e lagoas E riachos perenes e temporários. E no auge da minha dor, Quando não me restava mais lágrimas. Suguei as águas do chão, Sequei a terra Do deserto do Saara. Quando entendi que o homem Trocaria por dinheiro a sua alma.

Cidadela Cidadela da minha desguarnecida. Meu coração, o arqueiro já não tem
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Cidadela Cidadela da minha desguarnecida. Meu coração, o arqueiro já não tem A zaga protetora, a guarida Dantes disposta no sorriso de alguém. Minha postura muito aquém de regular Põe contra mim meu próprio time, os sentidos. Ai, quantos gols angústias permiti marcar E meu juízo, o juiz, valida os impedidos. Meus adversários poderosos Exploram meus rebotes desconexos. Sempre fatais seus ataques perigosos. Ai, que se extinguem meus reflexos. O espetáculo não tem mais atrativo Golearam meus sonhos e anseios. Ai que o meu saldo se torna mais negativo Se se eu me perco até nos escanteios Da vida...

DESVALIDAS MENINAS DE CHIBOK Infelizes Mulheres de Chibok
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DESVALIDAS MENINAS DE CHIBOK Infelizes Mulheres de Chibok Que caíram nas mãos do grupo Boko Haram e Foram Extorquidas da sua liberdade De escolha. Musas de Borno, Destituídas do direito de ir e vir. E sonhar com o olhar que cativa e chama Pra ser feliz Meninas nigerianas expostas Como pedaços de carne e viram Depósitos De espermas de seus senhores. Moças que serão transformadas em servis meretrizes Talvez esposas, mas sem a chama da conquista. Perdem o desejo e vão caminhar com o coração carregado De mágoas. Nunca mais o noivo Esperado e sonhando nas noites molhadas De sereno. Vão se tornar nas mãos de algozes vis Garotas de programas. Anagramas mal decifrados. Esfarelados Seus ideais de mães. Extremadas. Despojadas das vestes e ventres Belos que ansiavam ser Devorados por querer em cios afoitos. Desejosas de serem possuídas e possuir Não celebrarão nunca mais. O sabor do existir. No belo formato de princesas. Extinto O fogo que se ascende somente no jogo Das levezas Jorradas nas fontes de ternuras E branduras de úteros e ou almas femininas. E nunca mais serão as mesmas alegres meninas Triste sina Agora, apenas serão Pobres e desvalidas meninas.

Miligrama de verso II Alcandoradas esperanças! Viajo pelo Universo nos teus rastros
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Miligrama de verso II Alcandoradas esperanças! Viajo pelo Universo nos teus rastros À procura das bem-aventuranças. Do encantado tesouro dos teus braços Somos partes de um todo Senão por que a sede e a fome Devoradores das minhas entranhas? Causas estranhas Que não me deixam inerciar Vivo a trovejar Para o infinito o meu grito Que ressoa pelos séculos. Pois meu amor por ti é milenar.

A MESMA SORTE Eu quero a mesma sorte dos casais que celebram O amor em um jantar-cruzeiro com "Marina de Paris",
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A MESMA SORTE Eu quero a mesma sorte dos casais que celebram O amor em um jantar-cruzeiro com "Marina de Paris", Descobrindo a cidade Luz enquanto saboreiam um refinado menu Para aqueles que pelejam no Zimbábue em condições subumanas E se espremem em minúsculas cabanas Feitas de barro Com seus filhos desnutridos e sedentos. Ir até o continente africano nem precisa. Quero essa mesma sorte rica para os brasileiros Ensacados numa bolsa de codinome família. Esmola que lhe estendem para lhes comprar o dedo Qualquer um deles que vá apertar a tecla Que garanta para os do poder o sustento, que sustento! Tenham tento... Uma preciosa caixa com milhares de aumento Dois? É apenas um nome simples, mas que guarda uma inimaginável Montanha de dinheiro. Que dá até pra comprar aviões. E outros, vão extorquir esfoliar o povão e se refestelarem Com a barriga cheia em Planaltos e planícies Com suas esquisitices De se autoproclamarem salvadores da Pátria Amada. Então eu quero a sorte dos mandachuvas estendida Para cá, para os que ficam do lado de fora do muro das mansões Para os que vagam nas ruas Moram em casebres E sobrevivem de lixões E se enjaulam em prisões. Não vou aceitar menos, nem para tal Proponham-me nada menor do que isto. E tenho dito.

Alma Gêmea Alma gêmea de minha alma Busco-te sedenta, ressequida.
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Alma Gêmea Alma gêmea de minha alma Busco-te sedenta, ressequida. De amor necessitada Muita mais que de comida. Muito sofro de saudade Minha sina é padecer E não tenho outra verdade Senão te amar e querer. A saudade do teu cheiro Só aumenta o meu penar Eu percorro o mundo inteiro Somente pra te encontrar Nos sonhos eu te vejo Entre um abraço e beijo Ouço chamar-me meu bem E assim vou prosseguindo Nas horas que vão caindo No dia que nunca vem.

Inocências Feridas O meu olhar, A minha voz
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Inocências Feridas O meu olhar, A minha voz O meu grito mudo de dor. O meu eu aflito A minha inquietude A minha prece Vão hoje para as crianças. Que padecem Por conta do maltrato, Dos adultos perversos. Crianças vítimas das guerras Das pestes Da fome Da exclusão social que extermina seus sonhos Suas cirandas. Suas esperanças Filhas de uma sociedade egoísta Que nem as migalhas da sua mesa é capaz de repartir. Dos governos soberbos e tiranos Desumanos Que se autodenominam salvadores Enquanto roubam e mentem, E se enriquecem Enquanto apodrecem Nas ruas e nos lixões Crianças indefesas. Que salivam atrás de uma vitrine E expelem vermes Enquanto se espremem Em cubículos ínfimos Do tamanho das consciências dos governantes. Nas favelas. Expostas às dores Maiores que suas almas. Enormemente maiores que a nossa bondade.

Anciã adolescente Amo porque já me não basta não amar. Não me encontro na idade do tanto faz.
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Anciã adolescente Amo porque já me não basta não amar. Não me encontro na idade do tanto faz. Tanto que corro, corro nada, voo pra alcançar Algumas sobras que o tempo, à vezes, traz Plantei gerânios no meu jardim outonal Pra garantir uma nova primavera e lá vem ela Carregar de esperanças o meu mundo plural E difundir a minha arte numa tela em aquarela. Misturo todas as cores num abusado devaneio Sem medo do ridículo, sem receio. E me pego fazendo estripulia, quem diria? Eu fosse perder a compostura depois da formosura. E virar uma idosa ateia e inconsequente. Uma mulher meio anciã, meio adolescente. E brincar de namorar o menino sol-poente. Numa ciranda de “ensina-me a viver”. Flertar com o garoto que trata da outra Idosa. Quer saber? Vai cuidar de mim também um dia. Hei de encontrá-lo ainda assim meigo e Eu, serena Pra ouvir meu coração no descompasso batendo Aflito de amor. Seja como for. Irá sorrir pra mim, mesmo que por pena.

Poemar Sou um poema Composição de um tema
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Poemar Sou um poema Composição de um tema Que o Universo teceu e esqueceu De rimar, ou não o quis Por pura delicadeza. Por ser menos rígido Tem mais leveza. Com a liberdade de palavras Que não se casam Nasci livre como uma deusa Meus pensamentos voam E navegam sem serem interceptados E o tempo tem sabor de eternidade Minha vida, eu sei, irá se repetir Indefinidamente Copiando O infinito. Assim, sou no todo um único verbo Da forma infinitiva Construído só pra rimar, Um neologismo: Poemar

Sabiá da laranjeira Sabiá da laranjeira Teu cantar me deixa triste
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Sabiá da laranjeira Sabiá da laranjeira Teu cantar me deixa triste Remete-me ao passado Com sabor de meninice. Sabiá da laranjeira Teu cantar me enternece Devolve-me em idos dias Daqueles que não se esquece. Sabiá da laranjeira Teu cantar me faz reviver O amor que foi embora Que nunca pude esquecer. Sabiá da laranjeira Faz pra mim maior favor Voar de volta pro ontem E encontrar meu amor Sabiá da laranjeira Se me queres dar consolo Vá dizer pro meu amor Se ele não volta, morro. Sabiá da laranjeira Diga também assim Que eu vivo pensando nele Que minha dor não tem fim

Miligrama de verso V Eu te fiz uma proposta: O de sermos um romântico par na longa caminhada.
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Miligrama de verso V Eu te fiz uma proposta: O de sermos um romântico par na longa caminhada. Refutaste sem nenhum pudor de me ferir. Fizeste bem Se seguíssemos meu ritmo Ficarias entediado com o meu vagaroso e singelo caminhar. Se seguíssemos o teu Eu ficaria infeliz por não conseguir te alcançar.

Amor Imenso Assim que entrei no teu radar Eu soube
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Amor Imenso Assim que entrei no teu radar Eu soube Que nem precisaria te olhar Pra descobrir a nossa comunhão De almas. No entanto, mirei teus olhos E me surpreendi com a magnitude Do teu amor. Compreendi que eu poderia Raspar minha cabeça Arrancar todos os meus dentes. Perder toda a carne de meu corpo Apresentando-me em pele e osso. Descalça com os pés rachados e encardidos. Roupa rota Dessa maneira eu ainda caberia dentro do teu Propósito de amor. Então celebrei E meu coração não parou mais de dançar.

A catadora de lixo Sobe a minha rua todos os dias Recolhendo o lixo reciclável
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A catadora de lixo Sobe a minha rua todos os dias Recolhendo o lixo reciclável Carrinho lotado e rangindo pelo peso Lá vai ela com passos miúdos. Pele encardida pelo sol Enrugada pela falta de trato Não tem pote de creme, nunca o teve Nem de azeitonas, azeite, maionese, Não tem na verdade, nenhum pote Em seu casebre de paredes de latas velhas E telhas quebradas, partidas como o seu coração Dolorido e cansado. Fui até lá levar-lhe umas coisinhas, poucas Dentro das suas inúmeras necessidades Pelo Natal passado. Fiquei chocada com tamanha carência: Não tem fogão à gaz. As panelas destampadas fervem num fogão de lenha improvisado no quintal. Não tem geladeira. A comida que sobra, se sobra, terá de ser consumida azeda. Conversamos, algum tempo. Deixou-me saber da sua dor de ser sozinha Viúva com um filho adolescente Que não quer saber de nada, Indo ao encontro do nosso desinteresse por eles. Da sociedade e dos que estão lá no poder. Com enorme pesar, faço uma comparação Com nossas atitudes. Enquanto ela nos livra dos nossos entulhos, Nós enchemos a sua alma e o seu coração Com mágoas e ressentimentos Por conta do nosso grande egoísmo Egocentrismo, individualismo Consumismo exacerbado que não nos permite partilhas. E por escolhas erradas que fazemos na hora de eleger nossos governantes, descomprometidos com projetos sociais eficientes. Pobre catadora de lixo! Está órfã em um mundo Mesquinho Excludente Capitalista...

A GRANDE PROCURA Minha alma insiste em vaguear errante Nas lembranças passadas de outras vidas
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A GRANDE PROCURA Minha alma insiste em vaguear errante Nas lembranças passadas de outras vidas Evocando meu ego, ainda que inconstante Pra que ele encontre alegrias, se vividas. Troco de fé se a minha não comporta Que em idos tive o olhar do amor postado Em mim. Tua voz a me chamar da porta. Entreaberta, que exibia o dorso oferendado Nu. Ao meu amado, doce festim E, quando a dor me torna agonizante Minha alma foge em desespero tal Geme, soluça, grita e ecoa dissonante Da voz que solto: meu amor não retornou. Por descuido deixei lá o meu amor Retido entre uma bruma sonolenta Pois cá estou destemperada em torpor Nada daqui minha alma acalenta. Nas sombrias lembranças minha alma busca Onde ficou o amor. Por que não veio? Em qual das vidas o perdi? E ela se debruça. Tentando encontrá-lo em febril anseio! Voa à procura de um cheiro ou semelhança Que teu corpo exalava em doce cio O teu perfume ela persegue e não se cansa De te buscar desesperada, em desvario. Velha reconheço: minha procura foi em vã Nada encontrei, a dor dilacerante me consome Busquei-te pra abençoar-me. Vou morrer pagã Sem o teu amor, e nem ao menos sei teu nome...

Cata-vento Cata-vento ao relento Teu destino é girar
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Cata-vento Cata-vento ao relento Teu destino é girar Cata-vento um pé de vento Está chegando pra aumentar Teu movimento giratório Rodopia sem parar. Vem daí a tua força Teu poder transformador De energia em trabalho E não foges do labor. Quero seguir teu exemplo E jamais querer parar Nos meus giros pela vida Com o intuito de alcançar Meu amado, pois cansada As forças minhas exauridas Estanquei a caminhada E sangrei minhas feridas. Vivo aos prantos, pura dor Estou enferma de amor.

EU SONHADOR Olho pelo retrovisor da minha alma E revisito com estranha calma
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EU SONHADOR Olho pelo retrovisor da minha alma E revisito com estranha calma Meus momentos saboreados Quando ainda, eu cheirava A tinta fresca da vida. Tinha, então, apurado o senso da alegria E meus dias transbordavam de ternura Entornava meus sons de amor por onde percorria Da própria aventura De ser gente. Minhas noites eram carregadas de magia Postada à porta uma imagem luzidia Talvez fosse meu Anjo, E me servia. De espelho ali na minha frente. Indecifrável e inteligente. Que me guardava de mim mesma. Onde está agora aquele ser Quando mais dele preciso? Por onde anda, por que não está mais comigo? Não volta mesmo que eu implore de joelhos Morreu? Creio que não, apenas desistiu dos risos. E perambula por ai tonto à espera. De um final senão feliz, ao menos De um sofrer menor. Quem era? Era o meu outro Eu, o sonhador.