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Frases de Eleni Mariana de Menezes

175 frases

Simbiose Tem uma menina dentro dos meus olhos. Metade rosa, metade beija-flor
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Simbiose Tem uma menina dentro dos meus olhos. Metade rosa, metade beija-flor Ou ora uma, ora o outro dança A música da vida cheia de fervor. A menina é risonha e devotada É uma réstia de luz do pôr-do-sol Enamorada pelo amor, extasiada. Baila ao som da flauta em serenata. É ave, é som, é luz, é flor. Há muita vida dentro da menina Que ri e ama em profusão. No meu olhar vive uma menina Metade cérebro, metade coração. Dentro da menina há um sonho A menina me pede pra sonhar com ela. O sonho me pede pra viver por ele A menina e o sonho Entrelaçam-se e se abraçam E seguem inseparáveis pela vida.

Para meu pai Orizon. Menino meigo, risonho.
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Para meu pai Orizon. Menino meigo, risonho. Humor sempre à flor da pele. Suas gargalhadas explodiam Com o encantamento de alguém que descobre o mundo E está sempre enamorado pela vida. Colocava o coração no doce olhar brejeiro e faceiro Construía poemas pra amada Mercês. Talvez Sem sabê-lo fosse um poeta Não, talvez não, ele o era de fato Na simplicidade de suas palavras, tecia lindos poemas Cujo tema versava sempre o amor Grande amor dedicado à eterna amada. desenhava neles, a menina dos sonhos. Também foi valente passou pela vida de uma forma Magnificamente inteligente! Homem decente e prudente. Pois, apesar de muito pobre delineou com exemplos, os perfis dos seus filhos. Com sua bela herança de honestidade e generosidade. Hoje somos todos ricos de valores humanos. se estivesse aqui entre nós Teria completado 86 anos de uma exemplar existência. como partiu, compõe agora lá infinito 86 bilhões de bonitos Fachos de luz. Minha constelação de estrelas. Meu sol Meu herói imortal. Meu dilúvio de amor.

BEIJA-FLOR Beija-flor, meu pé de amor-rosa Murchou, secou, morreu
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BEIJA-FLOR Beija-flor, meu pé de amor-rosa Murchou, secou, morreu E na funda e infértil cova Um espinheiro nasceu. Beija-flor perdi o cheiro Das minhas pétalas orvalhadas Fiquei só sem bom proveito De sonhar nas madrugadas Beija-flor estou em luto E fechei meu coração Não procuro e nem busco Pra viver, uma razão. Beija-flor vem me ensinar A procurar novo jardim Sem um amor-rosa pra cheirar Minha dor não terá fim.

Capital mais que INICIAL Sou homem já feito Do Brasil eleito
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Capital mais que INICIAL Sou homem já feito Do Brasil eleito Cantador maior. Mas já fui pequeno Pelejei Vaguei de porta em porta. Hoje sou "palqueiro" Mas já fui terreiro Jogando gude Peteca Um guri sapeca Levado da breca. Já bati com a cara no muro Do mercado exigente Hoje os holofotes me iluminam Sorridente Com os dentes tratados Mas já fui telhado De vidro partido Hoje sou fluído. De luzes coloridas. Onde eu vim parar Cantando pro mundo eu venci o baixo astral Já fui quase nada Hoje sou um Grande Capital Mais que Inicial. Voo de classe primeira Durmo na suite presidencial. Porque de menino Virei homem grande Virei na verdade um grande capital Mais que Inicial.

SOU EU Fiquei perdida entre as tuas coisas Magníficas ou pequenas. Por pouco
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SOU EU Fiquei perdida entre as tuas coisas Magníficas ou pequenas. Por pouco Achavas o meu riso solto ou embrulhado No papel que escrevias os teus versos. De amor não pude tecer nosso namoro Debruçada na janela da tua alma embebida Nas paixões que entornaste toda a tua vida. No trovejar da voz que soltas quando atinges O ápice do amor. Então, navego por telepatia Na mesma magia. Não é comigo, mas atinjo, também, grande ironia O auge de ser troca, ser o outro, ser um só. E quando sentes o arrepio de uma alma que te busca e Beija-te até secar todo o desejo. Afaga-te tanto que desemboca noutro lampejo De mais querer. E tudo se repete. Infinitamente, Em pensamento apenas, lamento. Ai sou eu. Apenas eu.

Eternamente Amor Meu amor primeiro partiu Examinei meu coração pra ver
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Eternamente Amor Meu amor primeiro partiu Examinei meu coração pra ver O tamanho da ferida. Enorme. Maior que eu podia considerar Tantos anos depois da nossa separação. Tenros anos aqueles. Inocência genuína. Dormíamos, quando ia pra sua casa Em quartos contíguos Parede de tábuas Um buraquinho na madeira Dedinho colocado ali como se fora Aquela passagem feita só para isso Receber o carinho da minha mão Alisando-o. Sua irmã, minha amiga era nossa Cúmplice. Virava de costas para mim sorrindo Amadrinhando a nossa relação Eu no canto da cama. Vira-me para a parede E ficávamos até adormecer roçando um dedo no Outro. Às vezes me atrevia e abarcava aquele Médio com a minha mão inteira. Quente. Apaixonada. Seu pai me apresentava pra todo mundo Como nora sua. Fizera ele próprio aquele furinho para seu filho? Jamais saberei. De qualquer forma, agora dói demais aceitar. Que a vida tenha separado Um amor que poderia ter rompido E vencido o tempo como agora Vence a morte.

POSSE Meu coração é atemporal amor Por isso transito
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POSSE Meu coração é atemporal amor Por isso transito Entre longínquos dias e o agora. Pouco importa se não possuo no momento Algo concreto de tua poderosa pessoa. Guardei no meu coração o teu sorriso Tua voz. Teu jeito indecifrável de fingir Desinteresse quando eu sei, querias Via fagulhas de amor no olhar teu. Fui tua lua, teu luar, sonar... Foste meu sol, meu arrebol, Bastou-me. Porque eu tenho o mágico poder Das deusas apaixonadas. E engavetei na minha alma A tua essência. E atravessei Meio século de existência Sorvendo o teu sabor Demasiadamente homem Desumanamente inibidor De nãos. Talvez, ou quase Absoluta e resoluta estive ai na tua posse. Que seria desse ser sem estas lembranças? Seriam o tédio e o vazio engolidores De mim.

Amor no presente Espargindo gratidão Minha alma está neste momento
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Amor no presente Espargindo gratidão Minha alma está neste momento Para os todos os passantes Que dantes Disseram não para esta caminhante. Não foi em vão Que sozinha trilhei pela sombria estrada Da vida. Estive só não sem razão. Estavas no futuro, que no momento Se fez presente. Não tinhas como ir buscar-me no passado. Pois na sabedoria do infinito Tudo é milimetricamente programado E de repente, O Universo responde ao meu apelo. E toda a agonia agora transmutada em alegria. Renasço como um fênix, em zelo De toda a conspiração magnética Dos astros, Deparo-me no teu amor. Dentro dele. E inundada com essa verdade. Celebro a minha deliciosa realidade. Foi por ti que cheguei até aqui Livre Solta pra cingires meu corpo com teus braços E no teu olhar pausar a minha história. E reter-me neles pro resto das nossas vidas.

Letargia Laço apertado. Nó gigante. Amarrou a minha Vontade de partir.
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Letargia Laço apertado. Nó gigante. Amarrou a minha Vontade de partir. Buscar o quê? Estática. Fico fitando nada. Uma estranheza de não saber o que deixei passar Sem pegar. Requisitar e nomear de meu. E o vento chega enredando que é tarde. Que nada volta pro lugar Tudo é dinâmico. Só a minha languidez é eterna Meu estado de hibernação Não desemboca Pra nenhum acordar de esperança. Se estou sem riso e sem siso Também estão enxutos os meus olhos. De lágrimas inexistentes que não rolam mais Em face desfigurada e envelhecida A viuvez de amores Visitou-me e se instalou definitiva. Na minha alma, no meu querer, na minha vida. Só sei e sinto muito Que a letargia me engoliu Total. Inteira.

A Cotovia Minha alma se assemelha à cotovia Que canta prenunciando a esperança
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A Cotovia Minha alma se assemelha à cotovia Que canta prenunciando a esperança Em tal efeito se derrama em primazia Do saber ser um Ser cheio de bonança. De boas novas, anunciadora para todos Quem tem ouvidos afinados para ouvi-la. Entretanto está só e em doces modos Reparte primavera sem sequer usufruí-la Prossegue seu voo solitário "despareada" Seu canto inebriante, no entanto, entoa Derramando sua alegria tão preparada Pro banquete festivo da vida que povoa Pradarias repletas de seivas que florescem Debaixo dos seus olhos. E neles não refletem Outro servil e companheiro, pois fenecem Seus amores todos, que nunca se repetem. Pobre cotovia que cantando implora Um ser semelhante pra lhe acompanhar. Irá morrer só a qualquer hora Sem jamais ter tido um par.

A Loba da Estepe Sabem aquela loba solitária da estepe Que uiva para a lua em agonia?
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A Loba da Estepe Sabem aquela loba solitária da estepe Que uiva para a lua em agonia? Fugiu-lhe o companheiro e recrudesce A dor. Eis no chão, já morta, sua cria. Está sozinha na noite densa e tenebrosa. O vento sopra seu lamento à freguesia. Que não se importa com aquela desditosa Por não serem pares, lhes negam companhia. A loba, leitores, sou eu. A noite, é a vida, longa e sombria. O companheiro era meu sonho Que me abandonou no meio às tempestades Daí, fiquei vazia. A esperança jaz morta, era tudo que eu tinha. Minha irmã, minha mãe, minha filha, Era a cria.

Fogo Fátuo Fogo Fátuo Feito foto
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Fogo Fátuo Fogo Fátuo Feito foto Fotografa Fere e foge Olhos. Molhos Brotos rotos Brotos novos Brotos outros De amor. Fogo Fátuo Fere e foge. Só não fere o meu amor. Fogo Fátuo Fulgurante Feito fonte Descerrante Fogo Fátuo Fulgurante Não atinja Meu amante. Fogo Fátuo Restos mortos Te acenderam Fogo Fátuo Vivos medos Me devoram Me consomem E me apagam Fogo Fátuo Festejante Celebrante Com esplendor Fogo Fátuo Delirante. Ô, devolve Meu amor. Fogo Fátuo Atrevido Aparecido Faz aparecer Pra mim também Um grande amor.

A Flor e o Mar O mar tem cheiro de vida O mar tem gosto de amor
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A Flor e o Mar O mar tem cheiro de vida O mar tem gosto de amor O mar tem vida distinta Da vida que dá vida à flor No entanto se copiam Num milagre singular A flor ondeia a alma O mar floreia o sonho. Ambos inspiram o compositor Num grávido versejar A flor é prenda de amor. O mar é rima de amar. O mar é arrebatamento A flor é singeleza. No sentido exato da palavra Daí, serem, então Nessa escala de valores Nesta inversão. Definitivamente Incomparáveis Nas suas grandezas.

Pássaro Migratório Meu coração é um pássaro migratório Que quebrou as asas e o bando o abandonou
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Pássaro Migratório Meu coração é um pássaro migratório Que quebrou as asas e o bando o abandonou No meio de um denso e sombrio pantanal Cá debaixo olhando o festival De revoadas, chora a solidão num ofertório Das penas traiçoeiras que castrou Seu voo. Sua busca de um lugar revigorante Pro acasalamento de corpos e de almas Já não basta. Chorar. A dor é tão pungente Que se alastra E ele, se enrodilha e de repente. Prostrado se despede da vida. E agradece a tristeza tal qual cobra Que o devora vivo e o socorre Do tédio de ser só A aguda agonia despedaça e o dobra Ai, ai, e é com prazer que ele expira e enfim, morre.

Crônica para Tereza Sorriso meigo, olhar sereno. Tereza deixava-se derramar em amor
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Crônica para Tereza Sorriso meigo, olhar sereno. Tereza deixava-se derramar em amor Porque sabia ser uma interlocutora dos Arcanjos, na sua magnífica caminhada entre os homens. Trejeitos leves de quem perdoa sempre... Eu pude beber na sua fonte, suprema alegria de ter Tereza no seio familiar e contemplar o perfil de uma mulher singular. Belo exemplo deixou-nos do saber, que somente uma alma generosa traz para compartilhar com os semelhantes: Paz, e se lhe faltavam as palavras.... ela se transmutava em Anjo para serenar as pessoas que tiveram o privilégio Doce mistério. De ter Tereza, de ver Tereza, de saber Tereza. Mais que amiga, era minha irmã Por isso, ficará no meu baú de saborosas recordações. Por que? Tereza partiu, mas imprimiu no mundo a sua marca Que jamais se apagará. Mudou-se, foi para um castelo reluzente E se encontra nos braços do Pai tão sorridente! E estaremos sempre, todos nós, seus amigos e familiares Num eterno encantamento, abraçados. Entrelaçados. Mais que saudosos, apaixonados.

Perda Dolorosa Retalhos das minhas lembranças estão por todo canto Num desespero da alma que tenta ajuntar os poucos
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Perda Dolorosa Retalhos das minhas lembranças estão por todo canto Num desespero da alma que tenta ajuntar os poucos Momentos de lucidez Revisito minhas lembranças pra ver se te encontro Ao menos nelas ou talvez Resgate um gesto teu não acenado. Por medo da minha impetuosidade. Tinha de ter sido menos intensa Com maior zelo da minha fala E não ter extravasado o meu amor Que liquidifica todo o esplendor Da descoberta Ah! Oferecida em demasia Não podia Ter entornado o meu coração nos meus recados De amor pra ti. Por ter sido sincera, tornei-me leviana. Por ser afoita assassinei a esperança E fiz lances tresloucados, ousados E no fim Perdi.

Gerúndios de outono Vou estar tentando escrever a minha lenda De prenda nada. Preciso preservar a minha
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Gerúndios de outono Vou estar tentando escrever a minha lenda De prenda nada. Preciso preservar a minha fé Vou estar redesenhando o meu destino. Desatino. Não sou nem mesmo desenhista. Vou estar reconstruindo a minha estrela. Sem brilho que se apaga dia após dia. Vou estar bebendo meu último cálice derivativo Do sacrifício que eu escolhi para padecer. Vou estar soltando todos os bichos presos Dentro do meu ser pequeno e intempestivo. Vou estar decifrando meu enigma. De não ser nem de longe o que sonhei. Vou estar navegando entre as almas Sonâmbulas que giram em torno de si mesmas. Vou estar aqui neste lugar Gerundiando e cometendo neologismo No meu tempo de outono Pra ver se acaba o meu abismo. E no infinitivo possa a minha primavera retornar.

Morte O mundo mudou, com medo e muda/ Escondi-me na despensa atolada/
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Morte O mundo mudou, com medo e muda/ Escondi-me na despensa atolada/ Da minha alma covarde e reclusa/ Cheia de entulhos e assombrada.// Estendi minha mão para segurar a flor/ Que despontava envergonhada/ Do meu débil e frágil amor/ Qual cadela faminta e enxotada.// Vaguei desnorteada pelos caminhos/ Tédio e dor me acompanharam pela estrada/ Feriram-me sem trégua os espinhos/ E eu morri antes de ser purificada

O LADO BOM DA VIDA O lado bom da minha vida? Segredar-te-ei.
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O LADO BOM DA VIDA O lado bom da minha vida? Segredar-te-ei. Salto; danço; canto e rio O meu salto é triplo No sentido exato da palavra. Ele tem a altura, a largura e o comprimento Da minha alma em delírio. A minha dança é compassada Ensaiada. Milimetricamente ritmada Com as batidas do meu coração enamorado. O meu canto é suave. Tem a melodia da vida que escorre E revolve as profundezas do meu ser. E meu riso é um rio Caudaloso Não é temporário não senhores. É perene. E ressoa no infinito Como um grito De alegria. E de liberdade Do pensar Do viajar nas asas Dos sonhos Sou a eterna viajante Do Universo. O meu verso Eu o trouxe das estrelas. Sou uma intrusa Não sou daqui. O lado bom da minha vida? Ah! Ela é toda boa.