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Frases de Eduardo Flávio Jacob ( Escritor, Araxá- MG)

12 frases

Acender da poesia a chama, Feito o cigarro acendido e logo se apaga!
Mescladas de um pouco de tudo, Poesias são assim, Como o Brasil,
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Mescladas de um pouco de tudo, Poesias são assim, Como o Brasil, Miscigenação, De festas a velórios, Certos velórios mais são festas, E certas festas mais parecem, Velórios, tudo Mesclado em sombras mórbidas, Que a escuridão alua, Da cor descorada, Temperada com chuchu e Melancolia, Isso é um Brasil É poesia.

O imortal E o mortal, olhos à espreita Em crer indefinidamente
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O imortal E o mortal, olhos à espreita Em crer indefinidamente Para no fim, iluminar tudo De uma luz imortal e transcendente. Minha alma imortal, Cumpre da vida a loucura Seja em vendaval Ou em uma noite escura Imortalidade, secreto escondido, Risonho, lúcido, vidente… Abandonar o sujo ao bem lavado, O sátiro da cura luz pendente Existir como se é, É ninguém mais no mundo, E se cada um e todos estão diferentes, isso é pertinente, é imortal Amargar os lânguidos poemas, O estrondo dos cativos Que vai do topo ao chão em um segundo infinito, imortal Abrir os olhos, ao fechá-los Para o eterno Silêncio dos Espaços E no silêncio sepulcral sentir-se o imortal. ( Prêmio Trevo de literatura, poesia agora verão/2018)

Ponte de macarrão ( Crônica ) Em estudos de engenharia quando a situação ficava tensa era fácil de saber: o semblante se recolhia e da sala folheando sem parar as mesmas páginas de um livro HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais; o estudante, operário metalúrgico rondava de…
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Ponte de macarrão ( Crônica ) Em estudos de engenharia quando a situação ficava tensa era fácil de saber: o semblante se recolhia e da sala folheando sem parar as mesmas páginas de um livro HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais; o estudante, operário metalúrgico rondava de um lado pra outro, pensativo e silencioso; em seu eu, de solidão em punho, o coração acelerava as batidas, tremulando acordes desconexos e desafinadas... Enfim, criando um som alto e desigual, cujo objetivo era apenas atiçar o ambiente daquele espaço chamado “estudar” com as minhas provocações. O coração parecia dizer em alto e bom som: ei estudante... Largue esse maldito livro e grite as suas mágoas para o seu mundo, vamos! A Mão tremia sob a minha aflição desconcertante; era visível que resistia, o quanto possível, em tocar fogo nos rascunhos quando se tratava de refazer exercícios difíceis, nunca explicados na sala de aula. Pode-se dizer que os estudos gastam todo o tempo da mente. Para a Universidade aquelas ausências acumuladas do Poeta, que antes lhe soavam como um sussurro carinhoso, agora explodiam. Explodiam e apunhalavam. E, por certo, doíam-lhe como nunca! ... Em casa quando a situação ficava, assim, tensa, eu, sem saber o porquê, gritava aqueles acordes do coração e disparava as minhas farpas todas contra a poesia. Fel puro e desprezo, as minhas palavras. Nascia em mim uma vontade mesquinha que me levava a provocar os mais doces versos, para ironizar, a trucidá-lo até, se preciso. Tantas vezes, tanto fiz. E tanto fiz, tanto fiz, que naquele dia a mão temia também soltou todos os seus desatinos em inspiração. O medo aliou-se a mim disparando estilhaços por todos os lados, os seus golpes mais profundos. Palavras duras e cruéis as de um autor para sua obra. A mão esbravejava, parecendo tirar das páginas do livro aberto em suas mãos, todos os seus ais, as suas mágoas e as suas dores: para você, somente os amigos, os amigos e as competições: A mais falada na então época: “ o concurso da ponte de macarrão “. O coração falava em altos brados e eu sorria por dentro. E vitorioso, como se desafinasse a minha voz acompanhando o estudante de engenharia, eu insistia sem trégua naquele sonho de ser campeão. Viu minha carteira? ... cadê meu dinheiro de operário metalúrgico? Eu? Eu que me lixasse nesse abandono, nessa sala que mais parece um laboratório, afinal também sou químico de formação ... Antes, antes eu tivesse deixado de ser Poeta, por uns tempos para projetos maiores, como esse da ponte de macarrão. À noite, muitas noites, quando eu mais te queria, era ser campeão. Eu no meu quarto, sozinho sonhando em vencer. E daí? Naqueles dias, enquanto a minha emoção espezinhava o meu sono, extravasava sua raiva, fazendo desabar sob nossos pés ali na sala, no quarto ou na varanda de minha casa, meu laboratório. Em meio à guerra que lhe fazíamos, aquilo que durante dias fora para mim os “louros da vitória”, agora, acomodavam-se de qualquer jeito em duas grandes vitórias no concurso de pontes de macarrão. Os adversários sem dizer uma palavra, como um autômato, pouco-a-pouco livrava as nossas visões de seus semblantes tristonhos de fracasso, diante de tão avassaladora vitória. Mas poucos sabem quer foram dias de muita luta, noites de dias de trabalho árduo, cálculos, rascunhos, testes e mais testes. Olhar não é bem o termo, eu jurava que naquele momento, que tinha visão de águia, capaz de contemplar, minuciosamente, cada um daqueles objetos, os quais tanto estudei, dediquei. Eu era um especialista. Por isso, dissimulando o tanto exato, a emoção seguia a tudo com os olhos pregados no concurso, mas era visível, era nítido pelos meus gestos, que estava a poucos instantes de se tornar o mestre. O Povo por certo também enxergou entre as suas “honrarias”, lá embaixo, o troféu universitário, homenagem a uma referência do concurso na faculdade de Araxá- MG, no triangulo mineiro. Por vezes, a mente mirava meus sonhos reticentes endereçados a meu sucesso, mas em poucos instantes deixava-nos ao abandono, negligenciava-nos, demonstrando que na lixeira da rua continuava a razão de ser de toda a sua vida; o Alimento. Apoiado no beiral de uma das janelas da sala, eu pude ver quando os ruídos da rua me estamparam um sorriso no rosto. Primeiro, o desejo olhou para os lados, depois subiu os olhos como quem tivesse algo a conferir naquele sonho a sua frente, e enfim a vitória. Chegou a hora de ganhar.

Rascunho Toda prosa dissertada Nem tem trevas
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Rascunho Toda prosa dissertada Nem tem trevas Ou descobrir rimas desbotadas Providencio versos as favas Faço versos de manhã Faço a tardinha Risco palavras , rascunhos Rabiscando feito criancinha E assim vão-se passando Na beirada de um remanso Riacho sem fonte Sem caras e inatingíveis afazeres E tem que ser a próprio cunho Digitar Só mesmo quando terminar Minha inspiração só flui em rascunho ( VIII Coletânea Século XXI ) ( Prêmio Revista Poesia Agora julho/ 2018)

A mineração Uma cidade, de nome Araxá, Ícone da mineração,
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A mineração Uma cidade, de nome Araxá, Ícone da mineração, Em Minas Gerais Do triângulo mineiro o coração Assim que a notícia se espalhou, A região povoou; Chegou a mineração Vieram pessoas para trabalhar na mineração Sem nenhuma preparação, Pois não trouxeram o que saber, Nem o que vestir. Descobriram a grande realidade Que não imaginavam existir. Pouco a pouco começou a plantação De milho e feijão. O que faltava era comprado De outra região. De vários lugares vieram forasteiros Espertos e trapaceiros, Por quererem disputar Cargos a ocupar Para sua posse na região firmar Os forasteiros aclamaram Mineração para governar ( IV Coletânea Viagem pela escrita/2018)

Versos não enviados Escrevi na leitura do coração Em lapidar inspiração o cume
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Versos não enviados Escrevi na leitura do coração Em lapidar inspiração o cume Ao dispensar a razão As razões me consomem Letras letras Nas entrelinhas da ponta Nas tantas tintas despontas Nas imperfeições discretas Desses versos um dia escritos E não enviados a ninguém Semente ao tempo Somente ao tempo (Prêmio Poetize/2017)

Rumos perdidos Deixar as palavras seguir o seu rumo Deixar-nos levar pelo silêncio
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Rumos perdidos Deixar as palavras seguir o seu rumo Deixar-nos levar pelo silêncio Talvez assim a gente proceda com aprumo Talvez assim se evite o inútil dispêndio... Seguindo por uma tal conduta Orientadora dos nossos sentidos Talvez a gente fuja de qualquer disputa Que por força gera sempre inimigos. As palavras rumadas são verdadeiras Não são apenas metáforas e seus jogos Não têm por missão ser feiticeiras Nem o seu objetivo será atear fogos Se cairmos no meio de uma combustão Ainda que por instantes muito breves As queimaduras podem ser leves Mas deixam marcas quer a gente queira ou não. Andarmos apressados sem nexo É como caminhar-se à deriva Tudo se torna tão complexo... E a vida ainda mais opressiva Seguindo rumos perdidos ( IV Coletânea VIAGEM PELA ESCRITA/ 2018)

Inexistir Não quero ser Assim mesmo que quisesse não conseguiria
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Inexistir Não quero ser Assim mesmo que quisesse não conseguiria Não tenho tanta amargura pra tal literário Sou mais a minha própria e singela poesia No Vazio perene e só Um grito inominável Urro de imprevisto O inexistir Teima em existir E meus dias se vão Neste escuro que me fecho e revelo Solidão Ser é o maior querer Olho para o lado Inexistência Falta diferente Alma presente Em emoções inexistênciais Existo ( Prêmio CNNP/2017 )

Versos enviados E esses agora Vão pra aqueles versos
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Versos enviados E esses agora Vão pra aqueles versos Que já foram de mim embora Versos mais como aos avessos Me escaparam entre os dedos E nem sei como foi Fazer versos com e sem medos Como ao matadouro caminha o boi Meus versos perdidos Estão por aí Nas vidas nos dias sofridos E eu nem sei ainda Como desse tédio sair Queria tanto meus versos resgatar Como que uma combinação bombástica Amor e dor Num súbito sulfrágio De poemas , pontes espontâneas Mas as vezes pinguela De emoções despedaçadas comparsas Remanescentes entre o eu só O eu mais só brio ainda sóbrio As vezes me vem a enfadonha Impressão de que vim E estou no meio desse calor Nesta existência por puro Simples estágio de amor Mas só me vejo nesta vida A compor...