Frase de Eduardo de Paula Barreto
PELOURINHO . Bate na palmeira o vento E o negro por um momento Julga ser a brisa do mar Mas percebe muito tarde Que são brancos covardes Que vieram para lhe buscar. . Sem se despedir da família Sob gritos que o humilham Vê distanciarem-se os coqueiros E num barco com outros tantos Prisioneiros em pleno pranto É levado ao navio negreiro. . São centenas de nativos Transformados em cativos Homens, mulheres e crianças Que no porão do navio Passam calor, fome e frio E perdem a noção da distância. . Os que se mostram valentes São presos com correntes E obrigados a se calar Pois com crueldade desmedida Não relutam em lhes tirar a vida Os lançando ao frio mar. . Ao serem tratados feito bichos Não entendem a razão do sacrifício Pelo qual estão passando Será maldição dos orixás Ou os demônios vieram nos buscar E para o inferno estão nos levando? . Depois da árdua viagem Os de maior força e coragem Chegam ao porto estrangeiro E aquela estranha gente Falando numa língua diferente Os troca por algum dinheiro. . Vão para lugares variados Os de sorte se tornam criados Mas os demais que a elite avassala Têm como destino os açoites E as delirantes noites No duro chão das senzalas. . O cepo, o tronco e a peia Lhes tiram o sangue das veias E a sua resistente dignidade Os grilhões e máscaras de flandres Lhes derrubam o semblante E eles sucumbem à saudade. . Muitos veem nos pelourinhos A única alternativa e caminho Para fora da vida trágica Pois o escravo que é forte Encontra na própria morte A chance de voltar à África.
No pensador.ai desde